quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Já é quase Fevereiro

Mais um ano se passou, mais um ano nada criativo pra essa vida que chamo de minha.

Eu, iludida, cheia de planos, acreditando muito de verdade que seria um ano cheio de textos, desenhos, um ano que finalmente ia continuar a escrever o livro que comecei há uns anos atras...
Foi no fim das contas um ano onde todos os dias foram vividos exatamente iguais.

Acorda, vai pro trabalho, passa nervoso, passa mal, vai pra faculdade, passa nervoso, passa mal, vai pra casa, tenta dormir, não consegue dormir, finalmente dorme, ai acorda, vai trabalhar, passa raiva, ataca a gastrite, passa mal, falta na faculdade, passa nervoso por ter faltado, passa mal, gastrite de novo, dorme, acorda assustada, dorme de novo, acorda, não dorme mais, tá na hora de trabalhar de novo...

Isso não é um texto sobre ingratidão, porque mesmo do jeitinho torto que a vida me leva, ainda consegue ser uma vida maravilhosa e mesmo com uma rotina não muito exemplar, meus dias são bons.


Mas no meio desse turbilhão de muitos nadas e tantos tudos, eu fiz aniversário.

Agora o RG diz que eu tenho 26 anos, mesmo minha coluna dizendo que eu sou bem mais velha que isso.

A maturidade é uma coisa engraçada e nem um pouco previsível.
Pra maioria ela vem com a idade, pra outros com as responsabilidades. Cada um chega até ela de um jeito diferente.

Pra mim eu não sei como foi que aconteceu, um dia eu acordei e simplesmente soube.
Ainda não sei como lidar com muita coisa, mas aprendi like a motherfucker como aceitar.
Aceitar o espaço das pessoas, aceitar que muita gente não gosta, nem nunca vai gostar de mim. Aceitar meu corpo e os detalhes dele. Aceitar que minha família nem sempre vai levar na boa minhas escolhas. Aceitar que nem sempre quem você ama, vai te amar de volta. Aceitar que muita gente vai sair da sua vida e que tudo bem.

Eu não me sinto mais sábia ou mais inteligente. Não me sinto evoluída ou mais preparada. Eu só sinto que a vida consegue ser mais fácil do que fazemos ela ser.

Existe tanta chateação no mundo e com o tempo eu aprendi que tudo está relacionado a como reagimos ao que nos acontece e o quanto nos deixamos afetar.

Os desenhos já vem tentando nos ensinar há muito tempo.


É muito fácil entrar em pânico com tudo, com as coisas que não podemos controlar e tiram a nossa paz (que já é bem pequena).

Aquela DP que você estudou tanto e passou tantas noites sem dormir e mesmo assim ela chegou. Aquele boleto que você tinha certeza que ia conseguir pagar, mas quando entrou na conta, gastou mais do que lembrava. Aquele vestido que você achava que ainda ficava bem em você. Aqueles 50 reais que você tinha guardado na carteira e ia usar pra dar role no final de semana, mas na verdade você esqueceu que já tinha gasto ele. Aquele colega de trabalho que está sempre rindo com você, mas na hora do almoço fala mal de você pro chefe. Aquela tatuagem que você sempre gostou, mas os anos se passaram, ela ficou feia e agora você tem que cobrir. Aquele filme que você queria ver com a sua família, mas eles nunca tem tempo. Aquela viagem que você estava louca pra ir, mas ninguém te chamou. Aquela sobremesa que você guardou pra comer a noite, mas quando chegou em casa e abriu a geladeira, alguém comeu ela antes de você. Aquele rolê que todo mundo foi e as fotos ficaram ótimas, mas você não está em nenhuma delas.

As coisas pequenas vão ficando enormes e quando tomamos o tempo pra perceber, não existe mais nada que consiga controlar elas.


Eu tive momentos mais difíceis do que consigo calcular nesse ano que passou. Diz a lenda que 2016 foi ruim pra todo mundo. Quem sou eu pra discordar.

Aconteceram coisas que minha imaginação nunca foi fértil o suficiente pra criar.
Eu não soube lidar com nenhuma delas, eu fui me desfazendo, perdendo o controle, perdendo a noção e o rumo.
Um dia eu acordei e estava tudo errado e eu já não sabia mais por onde começar.

Eu não sei em que momento eu retomei o controle, só sei que passou muito tempo até isso acontecer, mas eventualmente as coisas deixaram de ser ruins e eu consegui ficar em pé de novo.

Desde esse momento X, eu comecei a encarar os problemas de um jeito diferente.
Tudo que existe pelo menos alguma chance de resolução, eu vou atrás de resolver.
Tudo que não tem, eu aceito da melhor forma que meu cérebro consegue aceitar naquele momento.

Falar isso faz parecer fácil, mas foi uma das coisas mais difíceis que tive que aprender a aplicar na minha vida.
Aceitar o limite e o espaço do outro. Aceitar meus limites. Aceitar que quem é pra ficar na vida, fica. Que os amigos não vão fugir quando você tiver dias ruins. Que descobrir a equação pra viagem do tempo é mais fácil do que descobrir o amor próprio. Que sempre vão existir pessoas mais bonitas que você e tudo bem, desde que você não ignore a sua própria beleza. Que sempre vão existir pessoas mais legais que você, mas você também é legal.



Eu queria dizer mais um monte de coisas legais e motivacionais, mas a cabeça nunca funciona como a gente quer e praticamente todas as ideias estão presas em alguma gaiola, que eu não sei onde foi parar.

Então, se tem alguém lendo isso, eu vou deixar aqui uma dica, que foi o que mais me ajudou a levar a vida mais na boa.
Sempre que você estiver de frente de uma situação difícil demais, tenta ver até onde vai a sua obrigação em relação a isso.

Quando nos sentimos obrigados a fazer qualquer coisa, a tendência a tudo dar errado, é muito grande.

Se você não quer sair, você não é obrigado. Os amigos de verdade e o mozão tem a função de entender.
Se você não está bem pra ir pro trabalho, você não é obrigado. Conversa com o chefe no outro dia e explica a situação.
Se você não consegue ir pra aula, você não é obrigado. Estuda um pouco mais no outro dia e tenta recuperar o dia perdido.
Se você não consegue amar aquela pessoa, você não é obrigado. Encontre o melhor jeito possível de conversar com ela. Sua unica obrigação é não destruir a outra pessoa.

Em poucas situações da vida temos total obrigação de resolver e nos desdobrarmos até dar certo.
As vezes não conseguimos perceber, mas a obrigação pode ser dividida, as vezes ela nem é tão grande assim e muitas vezes ela está só na nossa cabeça.

Então aprender a pesar a situação, ao invés de se entregar ao desespero, é uma boa saída.

Cuide de quem corre junto com você, de quem se dobra em mil pedaços por você, abra mão de quem não dá importância pra sua existência, não espere resultados imediatos, muitos menos fique na expectativa de coisas em troca quando fizer algo por alguém.

Você não é obrigado a nada, a menos que queira ser.

É isso ai, falei um monte de coisas e não falei nada ao mesmo tempo.
O ano mal começou e já é quase Fevereiro.
@JessyMcLovin

3 comentários:

  1. Só passando pra dizer que alguem leu e gostou muito do seu texto. A impressão que fica é a mesma impressão que sobra dos bons textos lidos, você não escreveu ele pra nenhuma outra pessoa, você escreveu pra você. E é assim que as coisas mais incríveis são criadas. É assim que vida ganha cor e ganha força, quando o que fazemos, não é feito como algo enderaçado a um outro, mas ao outro que está dentro de nós mesmos. Talvez se você continuar assim, você termine o livro que começou a escrever, ou começe um outro. Talvez você tenha toda a criatividade e a habilidade de tornar todos os dias iguais em únicos e significativos. Talvez você conveça a sua coluna que você é mais nova do que ela quer que você seja e que seus 26 será o melhor ano da sua vida até então. Talvez você encontre e produza o que existe de mais incrível em você.

    Espero ansiosamente pelo livro.
    E, nos vemos por ai.

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    1. Obrigada pelo comentário mais motivacional que eu poderia receber.
      Obrigada, whoever you may be (:

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  2. Eu não sei por onde começar.

    De qualquer maneira vai parecer um monólogo do Neil Labute, mas é basicamente a própria vida.

    Faz muitos anos - todos nós éramos ainda menores de idade - eu comecei a ler o blog da Priiv por acaso. Do nome do blog, hoje abandonado, eu me esqueci. Cheguei até lá por um processo de escolha aleatório. Há um botão dentro do site (seria o blogger um site?) para isso: levar os notívagos de um blog ao outro, randomicamente. Alguma coisa no blog da Priiv me cativou aos quinze anos. Talvez dezesseis. Passei a ler sobre ela, sobre os pais separados, sobre o namorado italiano - até o dia em que, com o fim do ensino médio, o blog foi encerrado.

    Eu devia ter uns 20 anos quando - já não me lembro como - descobri que a Priiv tinha migrado daquele blog para este, na sua companhia.

    Sem a mesma frequência, passei a ler um pouco do que se escrevia aqui. Até 2014 - o ano em que o fim chegou (pelo menos, parecia ter chegado) também para estas páginas.

    Agora com 25 anos me deparo com isso. Pela primeira vez percebo que, assim como eu, vocês também envelheceram. Fomos adolescentes na mesma época e, de certa maneira, seremos também adultos ao mesmo tempo. Dividi com vocês os anos da minha juventude. Ainda que nosso contato tenha sido unilateral e metafísico, ver o blog respirar, dar sinais de vida, é como reencontrar um amigo - desses tantos que perdemos pelo caminho.

    Tudo isso porque, um dia, dez anos atrás, o acaso me trouxe, estranhamente, para dentro das suas vidas.

    Se você ainda falar com a Priiv, mande um beijo.

    Até o próximo respiro.


    B.

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