quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

1 + 1 = 2 anos



Há 2 anos atrás nascia um blog bobo onde só reclamávamos das desventuras que nos aconteciam.
Quem diria que ele um dia seria muito maior que essas bobagens...
Hoje ele é parte de nós, de nossos corações, pensamentos e mais puros sentimentos.
Fala de quem passou por nossas vidas, quem ainda está nelas e a esperança daqueles que estão por chegar.
De quem partiu nossos corações e poluiu nossas mentes.
Das músicas que ouvimos ao lugares que vamos, um mix de vocês e nós. Tudo nessa casinha querida que sempre cuidamos para receber todos bem.
Afinal... são vocês que mantem essas paredes em pé.




Feliz aniversário para nós e obrigada a cada um de vocês...

Layla Braga, Lylyan Alvarenga, Danila Moreira, Marcia Rodrigues, Danielle Azevedo, Marcilene Frisleben, Lena Rozas, Wandrey Queiróz, Leticia Robles, Regiane Quaresma da Silva, Mariana Pereira, Daiana Cristina, Mara Vaneide Marques, Bruna Salatiel, Thalisa Pedrao, Rafael Da Silva Miranda, Lenynha Duarty, Vitória Hanauer, Olga Abril Martin,  Juliana Zupa Teodoro, Gabriele Hanauer, Paula Caetano, Tatiana Calazans, Samyra Calipo,  Liz Vizioli, Loreny Sousa, Andrea Berriel, Fabiane Rodrigues Fleck, Leandro Sylvestre, Gustavo Lamounier de Campos, Talita da Silva, Fabíola Vergamini, Lucas Perssinotto, Carina Gregorio, Ariane Moraes, Karolz Gomes, Flávio Santos, Veridiana Lucena, Robinson Bastos , Jaqueline Onisto, Nina Rocha, Kessi Almeida, Nathy Cayres, Mara Vaneide, Leona Vilas Boa, Emely Karolyne, Loreny, Leo, Gabriele Babele, Flammes, MyrellaNeris, CamilaMasil, Ana, Cecilia Vione, Fellipe., Polly, Aline Oliveira, Priscila Baptista, bruna, IsabelaConsorte, Mr. Blue, gvp153, bruna, Anderson Dias, sapao318, Barbara Vicente, Ester L., Cleiton, Anderson Lopes, Siga Vlogs, João Arruda, Antonieta Fernanda Palhares, ana paula silva caetano, chuke friedmann e Gabii Grana.


E um obrigada especial as nossas colaboradoras...
Naira Gondim, Carol Bizzi, Sandrine Faria, Beatriz Paz e Rah Lovesit

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

biscoitos grinch

Dizem que a solidão é subestimada...








Viu???? Não estou mentindo. Dizem isso mesmo!









Don't Shoot Me Santa by The Killers on GroovesharkMas de certa forma eu sou obrigada a concordar. Eu particularmente culpo a industria fonográfica por isso.
Todas aquelas músicas sobre amor, a bichisse toda de casal, companheiros, até sobre amizade verdadeira...
Você ouve tudo aquilo e pensa: "Puta que pariu, por que isso não acontece comigo?"
Bom, eu acho que essa resposta é até simples, porque isso não acontece com ninguém.
Ao menos não acontece comigo. Com você acontece?
Ai você ouve aquela outra sobre como o mundo não presta e como ninguém nunca vai te amar e blábláblá e pensa: "Tá vendo só?! Eu tinha razão!!!"
Enfim...




Existe uma diferença grande entre ser sozinho e ser solitário.
Por exemplo: Você pode curtir muito uma noite no cinema all by myseeeeeeeelf... mas também pode ser a pessoa mais solitária no mundo inteiro bem no meio daquele churrasco de família + amigos + agregados + respectivos +farofa + gente que você não conhece + música ruim (e raramente música boa).


Solidão é chegar a meia-noite, os fogos começarem a explodir colorindo o céu, os primeiros segundos de um novo ano cheio de promessas e você não ter a quem abraçar.
Sozinho é você estar pouco se importante com tudo isso e só sair correndo pra geladeira para abrir a primeira cerveja do ano enquanto um bando de pessoas ficam bebendo aquela gosma com bolhas que eles chamam de champanhe no meio da rua.



E tudo isso me leva a pergunta... quem foi que jogou um voodoo em cima do final do ano e das festividades do mesmo. Sabe de qual época estou falando?
Isso! Aquele um pouco antes do Natal até o Ano Novo.

Sou a favor do bom velhinho que carrega aquele saco enorme de presentes. Ele sempre nos dá o que pedimos, só que ao contrário.

Mas é engraçado o sentimento de um pequeno vazio que envolve os últimos dias do ano.
É aquela sensação de que mais um ano acabou e nem 7% do que planejou realmente aconteceu como estava na porcaria do plano. Seja um namoro, um emprego, uma aquisição...

É um sentimento natural. (eu acho, porque se não for tenho sérios problemas psicológicos)

Sem contar que...
Não são nem 6 horas da manhã e você ouve aquela barulheira justo no seu dia de folga, ai você levanta com aquela cara mais feia que o Darth Maul para descobrir o que é aquela falação que te acordou bem no melhor sono matinal. É ai que você descobre que é a sua família preparando o almoço de Natal e como se não bastasse você também descobre que seus tios lá de "Bem-Vindos a Puta que Pariu" vem para esse almoço e também vão ficar para o jantar.
Então você tem que preparar o seu melhor sorriso de plástico para receber a família inteira que por incrível que pareça não apertam suas bochechas como nos filmes, mas na verdade só dizem como você cresceu e mal lembram o seu nome.
E você automaticamente está proibido de ir para qualquer outro lugar que não seja da cozinha para a sala, porque tem que colocar a conversa em dia com a família.
Então meninas, caprichem no rouge e meninos, prestem atenção nas gravatas que o dia vai ser longo.




Mas o que tudo isso tem a ver com alguma coisa?
Sei lá! Eu não fiz esse voodoo, só sou mais uma vitima dele.

Papai Noel seu infeliz. Esse ano vamos ter uma conversinha ok!?!
Beijinhos Jessy (tenha medo bom velhinho, tenha muito medo.!)

terça-feira, 29 de novembro de 2011

In The Morning


In the Morning by The Coral on Grooveshark Você nunca sabe a força que tem… 
Até que a sua única alternativa é ser forte


- Eu quero ir a praia.
- Eu não tenho tempo pra isso. Praia é coisa de quem não tem o que fazer e isso eu tenho de sobra.
- Estamos em um hotel na praia e você não quer me levar, nem me deixar ir.
- Me denuncia!
- Eu não estou pedindo pra você me dar um carro novo. Só quero ir a praia.
- Problema seu!


Ela estava muito exausta de tudo aquilo. Aquelas cenas que eram totalmente atípicas para sua rotina a impediam de pensar em seus problemas, como contas a pagar, se suas pernas ficavam bonitas naquele short ou se aquela mancha de graxa iria sair de sua camiseta branca, porém estava sugando tudo a sua energia. Tanto que no fim do dia não tinha vontade de tomar o copo de vodka com energético de sempre.

- Eu quero voltar pra casa.
- Só fazem duas semanas que você está ai e já quer voltar?
- Estou com saudade dos meus amigos e de algum sotaque conhecido.
- Acho que você não está aproveitando isso do jeito certo.
- Que jeito certo? Eu acordo às 06h00 e durmo às 21h00 todo dia.
- Exatamente. Porque você não vai a praia?
- Você não disse isso!
- O que? Ir a praia?... Alô?... Você tá ai?... Filha da puta desligou na minha cara. Depois reclama que não tem amigos.


Se aquele lugar era bonito, ela já não sabia dizer. A praia parecia linda da janela do quarto do hotel, mas ela não parou mais que 5 minutos pra observar a paisagem.

Por algum motivo que ela estava sofrendo bastante pra descobrir porque quartos de hotel eram tão mais poético nos filmes. Mas na verdade eles se resumiam em camas com lençóis tão esticados que era capaz de bater um remorso na hora de sentar e amassa-lo, mini geladeiras com bebidas mais caras que uma noite inteira em um bar, toalhas perfeitamente dobradas e tão macias quanto arame farpado, TV a cabo que nunca passa nada, um cheiro peculiar de limpeza recém feita e elevadores que nunca chegam.

Com o seu tempo livre ela escolhia: ler duas páginas de um livro que estava no criado-mudo há dias sem ser tocado ou ouvir uma música quase inteira. Ela sempre optava por ir dormir 4 minutos mais cedo.

O café da manhã era tudo o que conseguia ingerir: um copo quase cheio de suco de laranja.
O almoço variava de acordo com o seu humor: barra de cereal de frutas ou chocolate.
O jantar era quase sempre o mesmo (o que fosse mais rápido e mais fácil de comer): Pizza.

Em uma tentativa frustrada de curtir um pouco a noite do lugar, acabou em um bar lotado, se perdeu do grupo de amigos e acabou com um cara muito chato dando em cima dela a noite inteira. 

Quando finalmente encontrou um do seu grupo, ele já estava bêbado e passando muito mal. O que ela achou bom, pois finalmente tinha algo pra fazer, mesmo que esse algo fosse cuidar do amigo bêbado.
Mas aquela noite só resultou em gente bêbada e ela sóbria e algumas horas de sono mal dormido.

Ela estava deslocada sim, mas de um jeito um tanto bizarro se sentia bem. Estava longe de casa e de tudo que conhecia. Não conhecia aquelas ruas, nem as pessoas. Tinha só um amigo de verdade ali e ele iria embora em 3 dias.
Embora soubesse que sua estadia naquela cidade era curta, contava os dias com fervor. Mas então o que era sensação estranha de saudade que começava a bater?
Ela não gostava dali, não estava perto de suas coisas, nem de seu bar favorito. Estava ali trabalhando e somente por isso.
Mas era tarde demais, agora as coisas faziam sentido. Ela estava sentindo saudade antecipada dos amigos que havia feito no trabalho temporário.

- E tudo que eu mais queria era só ir a praia.
- O que?
- Nada.

Para sua alegria, sem nenhuma aviso aquele dia de trabalho terminou mais cedo. E ela decidiu conhecer um pouco da cidade e por conhecer a cidade, digo que ela foi ao shopping. Passou algumas horas perdidas pelos corredores gastando dinheiro que não tinha.
Na manhã seguinte acordou com o mesmo aperto no coração, mas dessa vez ela sabia o motivo. Mas se recusava a falar que ia sentir saudade dali, então foi trabalhar normalmente.
Como de costume chegou atrasada, mas ninguém se importou. Então foi logo tomar seu lugar.

- Você comprou presente pra todo mundo?
- Claro que não. Só conheço 40% do pessoal.
- E o que te faz pensar que um deles vai gostar de Vanguart? - ele perguntou abrindo um dos embrulhos.
- Provavelmente não vai gostar, mas prefiro dar algo que eu conheço. - ela respondeu tomando o embrulho e tentando fecha-lo de novo.
- Você gosta de algum deles?

- Que pergunta idiota, claro que não. Que pergunta mais idiota.
- Vou encarar isso como um sim.
- Não enche.

E a discussão sobre o que dar de presente pra quem você não conhece muito bem se arrastou por algumas horas do dia.

- Vamos sair pra beber hoje?
- Você paga?
- Por todo e qualquer tipo de álcool que você consumir.
- Credo, que péssimo amigo que eu tenho. Só paga a conta se eu ingerir álcool?
- Claro, assim eu não saio no prejuízo.
- Acho que vou começar a beber só pra te sacanear.
- Será o dinheiro mais bem gasto da minha vida de bebedeira.

- Só não se esqueça que vamos embora amanhã e não podemos perder a hora.
- Pode deixar. Quero tanto quanto você ir embora daqui.




Naquela noite ela se arrumou um pouco diferente como de costume. Colocou um vestido bonito, no melhor estilo anos 50 e uma sapatilha combinando. Não se preocupou em arrumar o cabelo e nem deu muita atenção para a maquiagem.
Já no caminho para o bar, ela recebeu uma sms do seu amigo: "Ele também vai."


- E agora? - Já era tarde demais para voltar para o hotel ou fingir uma dor de cabeça e cancelar a noite.







[Continua...]
Jessy McLovin

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Eastwooding

Me disseram pra não escrever mais pra você, nem tentar te procurar. Mas então o que eu devo fazer em dias como hoje, onde falar com você é a única coisa que desejo?


E aquele papo de que temos que correr atrás do que queremos?
Acho que minhas pernas não são longas o suficiente pra te alcançar.




E se eu disser que fiz uma tatuagem que me lembra você? (Só porque não gosto dos dias em que, naqueles precisos minutos, como quando conversávamos eu sei que você não vai estar lá), você voltaria?
Se eu fizer uma fantasia de Enid, ai sim você volta!
Será?...


Acho que eu sinto mais sua falta do que eu consigo calcular.
Mas por que?
Ah!!! essa é fácil. Por mais que eu finja que não ou diga o contrario, o espaço que você ocupa dentro do meu coração é maior que meu amor por Batman.
Nem me peça pra explicar, porque eu não saberia como.


Roer as unhas ou comprar hqs já não estão cumprindo mais suas devidas funções, me manter distraída.


Enfim, agora é tarde da noite e eu sinto falta de saber que você está perto mesmo estando longe.


Vou continuar esperando o dia do seu retorno. Estarei com um copo de café sem açúcar e meu C3PO no bolso, só pra dar sorte.
A tatuagem continua aqui, o afeto também. Meu cabelo já não é mais o mesmo e o óculos também não. Mas eu ainda tenho a mesma altura e o mesmo nariz.
Ainda gosto das mesmas músicas e quando meu humor está ruim ouço aquela música, daquele filme que você me passou um dia só pra ficar mais feliz. Acho que é um jeito do meu subconsciente dizer que você ainda está ai, mesmo que não pense em mim.


Clint me ensinou a sempre continuar atirando, quem sabe um dia eu te atinjo.






- Jessy

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Just Norah

So take the photographs 
and still frames in your mind  



Sinto falta do seu jeito torto quando queria omitir algum fato ou quando me dava 50 apelidos diferentes por dia e sinto falta de como você ficava bobo quando eu dizia alguma coisa que soasse nerd.


Sinto falta de rir quando você ficava bêbado de café e eu me aproveitava pra perguntar todas as coisas que você normalmente não responderia e sinto falta das suas dicas de filme. Eu sempre dizia que ia assistir mas acabava esquecendo. E quando você me perguntava o que eu tinha achado eu só ficava vermelha e mudava de assunto. 
Sinto falta da sua amizade sem interesse e dos seus desenhos esquisitos que eu sempre gostei. 


Sinto falta de presentes pelo correio e de nós dois fazendo inveja um para o outro com camisetas nerds. Consigo até sentir falta da preocupação que tinha nos dias em que você não estava bem e conversávamos pra você tentar esquecer os problemas.  


Talvez eu sinta falta só de conversar com você e mostrar aquele dvd novo que comprei. Ouvir musicas bonitas e cantarolar no dia seguinte por todas as horas do dia. 
Ouvir a música daquele filme que você me passou um dia e descobrir que ela se tornou uma das minhas favoritas no instante em que apertei o play pela primeira vez e agora não consigo mais ouvi-la porque ela me lembra você. 


Sinto falta da sintonia sem esforço.


Partilhar o amor por aquele diretor lunático que adora sangue e ler livros de autores com um péssimo gosto por bigodes. 
Sinto falta de fazer planos bobos como um dia no parque ou só jogar vídeo game. 
Sabe... eu ainda tenho aquele poster na minha parede, nos dias de sol quando abro a janela a luz logo bate nele. 


Sinto falta de quando você lia minhas palavras, pois agora elas só são rascunhos de conversas que não acontecem mais. 




 - @JessyMcLovin

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A ele

Esse é um texto pra lá de especial. Ele foi feito pela Mari Gondim, que é uma das primeiras leitoras do blog e a que mais se fez presente até hoje. Até se tornou amiga.
Então ter as palavras dela aqui é mais que importante, é necessário.
Espero que gostem my good fellas.
@JessyMcLovin





Bom dia, passarinho.


Quando você encontrar esta carta eu provavelmente já estarei muito longe. Clichê, não? Muito. É que eu vi um romance pra lá de açucarado na TV, deve ser por isso.

Ontem à noite, quando você me perguntou qual o motivo da minha angústia, só me veio a seguinte resposta: medo de te perder. Talvez eu apenas tenha me acostumado a ver sempre o fim do amor, talvez... Acontece que eu tenho te olhado dormir e achado isso a coisa mais linda do mundo. Tenho lembrado de ti quando escuto aquela música bonita, na viagem até a faculdade.  Tenho cozinhado! Veja só, que absurdo! Logo eu, que nunca soube preparar nem mesmo macarrão instantâneo! Eu tenho medo, passarinho! Eu morro de medo. Eu vejo você tão independente, tão dono de si, tão maduro. E eu, o que sou? Uma estudante boba que ainda acredita que pode mudar o mundo.

Você me ensinou a tocar violão, meditar, dançar, beber. Sentiu ciúmes quando eu abracei aquele amigo que você não conhecia. Pior ainda: sentiu ciúmes e agiu como adulto. Lembrando bem, você nem me disse nada, eu só percebi porque alugou Bastardo Inglórios e assistiu sozinho, nem me avisou. Eu fiquei com tanta raiva! Mas foi assim que você me mostrou que eu posso ser interessante e que os homens reparam em mim.


Eu te admiro tanto. Talvez este seja o problema da nossa relação, eu te acho imbatível. Não é que eu não te ame, é só que eu te amo demais. Eu nunca disse isso, não é? Nunca. Pensei que fosse te assustar, e veja só, eu é que fiquei apavorada. É, eu sou maluca. Na verdade, foi por isso que você se apaixonou por mim. Eu já ouvi a história um milhão de vezes: era terça-feira, você tinha acabado de aplicar uma prova na turma de História e foi até a cantina almoçar, quando viu uma moça de vestido floral comprando dez coxinhas de frango. ‘Dez coxinhas de frango? – pensou – Como essa magrela consegue?’ – Foi quando resolveu me seguir até o estacionamento (aqui eu digo: você também é doido) e me viu distribuir os salgados entre os cães vira-latas que rondavam o lugar. Desde aquele dia, não conseguiu mais parar de pensar em mim. Descobriu meu telefone com o bibliotecário (safado!) e me ligou dois dias depois. Eu nem sabia quem você era, mas aceitei o convite pra ir até a livraria no centro (e aqui eu digo: somos muito, muito doidos). Bendita livraria! Nunca mais nos largamos... até hoje.

Sabe, todos os dias pela manhã, quando você sai para trabalhar e o Allen sobe na cama, me olha com aqueles olhinhos miúdos e se enfia debaixo dos lençóis, eu penso que a nossa vida juntos tem se baseado nele de uns temos pra cá. Eu nem gostava de gatos, meu bem, eu queria um cachorro! Engraçado... Hoje, eu não trocaria o Allen por cão nenhum neste mundo. Falando nisso, eu já comprei a ração dele, mas não tive tempo de colocar no pote, deixei esta tarefa pra você.


E já que passamos aos avisos, eu queimei a sua camisa do Marx (foi sem querer!), comprei sorvete pra te abastecer durante uma semana e aluguei algumas comédias baratas pra você de distrair um pouco. Espero que não soe prepotente, mas eu sei que você vai chorar, então também comprei algumas caixas de lenços e guardei no armário do banheiro. Bem, acho que é só isso.

No mais, eu te amo. Eu te amo muito. Eu passaria o resto da minha vida com você, mas eu simplesmente me acho pequena demais, frágil demais, imatura demais. Você é o homem com quem eu tenho sonhado desde os meus doze anos. E é pra não te perder que eu te deixo.



'If I could, I would be there.'


Mari Gondim

sábado, 17 de setembro de 2011

Ensinando a mágoa a boiar

Fossa... O que é a fossa?

Fossa pra quem não sabe vem do dialeto aborígene: HAHA você se fodeu!

Só eu acho que devia existir uma pilula para cura da fossa?

Existem métodos para o tratamento da bendita. Beber até gorfar ou até fazer alguma besteira. Alugar filmes triste e/ou românticos e comer muita porcaria (estou falando de comida e não de pessoas). Mas sinceramente... isso resolve em que? Você só vai ganhar 3 coisas com isso: Ressaca, mais tristeza e quilos. Ou seja, você só vai ficar mais feia, gorda e deprimida. E ninguém quer isso não é verdade?

Todo mundo sabe que a fossa é um tanto quanto inevitável, porque a menos que você seja cego algumas coisas são impossível de não ver. Uma(s) foto(s), comentários em redes sociais e todos os seus derivados.
Aqui entre nós... redes sociais foi a maior maldição já lançada sobre a humanidade.


Minha adorada Bridget Jones já me preparou desde pequena a passar pela decepção com as ferramentas certas: Amigos, vinho e comida.
Então a odisseia começa: primeiro vem as memórias, logo em seguida o vinho.
Você bebe na intensão de matar as desgraçadas das lembranças, mas caramba, descobri que elas sabem nadar. Como pode isso? Nem eu sei nadar, mas elas sabem.

Até de tanto tentar você desiste e acaba batendo uma papo com elas. Da-se inicio a parte engraçada. Elas começam a contar como as coisas eram legais e tudo parecia certo. Ai vem a tristeza, você se pergunta porque aquilo acabou e tudo mais. (Considero essa a parte chata).

Depois disso as lembranças dão uma trégua e resolvem ficar bêbadas contigo. Então finalmente tudo fica bem e você (se tiver sorte) acaba se esquecendo do porque começou a beber.
Até que começa a sessão musical: play back, coreográfica, tentativas falhas de tocar a música em algum instrumento e por ai vai...
Só não vale música triste, essa parte só pode lá no começo.

Mas uma coisa é fato: Nada que você faça vai afogar as mágoas, o máximo que pode acontecer é você engordá-las que consequentemente vai deixa-las maior. Porque meus caros, decepção pode não matar, mas realmente engorda!!!
Então aproveite as etapas, elas são divertidas.



Só uma dica: Se você vai beber não fique com o celular por perto.
Stay sober (if you can)
@JessyMcLovin

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

mi amiga




(ou pra você que está em seattle)



É engraçado como antes te contar os últimos acontecimentos dos meus dias, era algo tão banal de tão simples que era. A distância tem piorado tudo hoje em dia, os romances, o deslocamento entre cidades, menos nossa amizade e pode soar estranhamente piegas, mas é verdade. Te carrego todos os dias, por onde eu vá e por onde eu irei ainda. Simples assim, sua presença existe mesmo ausente, mesmo distante.

Sábado passado foi dia de irmos àquela nossa balada preferida no centro da cidade, e não é a mesma coisa sem você. Não só pela presença ausente ali, mas por saber que no outro dia, não tenho pra quem ligar pra contar sobre a noite e sobre a ressaca que me consome.
E tocou The Strokes e eu dancei. Mas dancei ainda mais, quando Young Folks começou a tocar e as luzes a dançar por todo meu corpo, porque cá entre nós, que o mundo se exploda, que as notícias da manhã acabem, junto com todo o resto, o que importa é a nossa conversa, ali, nossa amizade, ‘talking only me and you’. Que o mundo se exploda, permaneceremos juntas na pista de dança, um pouco tontas pelo absinto com soda e rindo de tudo e todos, porque somos espertas e sabemos que a vida é aqui e agora.
E digo mais, sabemos que somos melhores que as notícias da manhã.

Por essa razão, sinto sua falta. Porque sobra tanta falta no final de tudo. Falta você pra dormir aqui em casa, pra dar risada durante horas, pra ler o tarot virtual comigo, pra me obrigar a ficar mais de 20 minutos no telefone. Falta colo pra chorar por homens, filmes e vida dura, copos pra encher, faltam sorrisos, fotos, roupas bonitas e garotas fingindo serem americanas em pleno viaduto do chá.

Porque esses dias nem a música alta nos meus fones de ouvido abafaram a vontade de falar contigo, te encher o saco falando alto ou apenas passar um tempo sem rumo em algum parque chato da cidade. Senti falta do seu medo de árvores, seu irmão imaginário que usa bermuda bege, de faltar em quase todas suas festas de aniversário, do grito pedindo ‘the strokes’ em todos os lugares, dos dias longe de casa pra ficar o tempo todo fazendo porra nenhuma com você, porque aquela era a vida que tínhamos escolhido, assim como nossas franjas, nossos all star fodidos e calças skinnys.

Já disse uma vez isso pra você e hoje preciso repetir que sempre te achei uma pessoa transparente, pessoa que encosta a cabeça bem de leve no nosso ombro nas tempestades. Daí, tudo se transforma, como se essa tua transparência nos invadisse com centenas de cores, e a tempestade vai passando e já é tempo de cantar pela rua novamente. Eu sinto falta dessa tua essência, desse teu jeito tão bonito de ouvir, aconselhar, brigar e rir.


É totalmente estranho pra mim pensar que fazem dois meses que não te vejo e, que por alguma ironia do destino era o final de semana do dia dos namorados (foda-se. nosso instinto de solteiras sempre fala mais alto)e, eu chorava pedindo pra você não ir. Mas no fundo, você tinha que ir, você tinha que crescer (e em parte, me deixar crescer sem você)... mas essa velocidade das coisas me assusta um pouco.

Tenho tido medo de muitas coisas, medo de chorar sozinha, de me envolver e de desafinar debaixo do chuveiro. E você, você nunca teve medo de nada, você sempre soube rir e chorar quando preciso, sempre teve coragem necessária pra lidar com as lágrimas que quase nunca caiam.

No meu mundo ideal, você não teria ido morar um tempo com os gringos, você teria ficado aqui e todo dia seria sábado, porque sábado é dia de beber e ir praquela balada nossa. Todos os dias seriam ensolarados, todo dia seria dia de cerveja, de suco de abacaxi e desejos pra comer pães de queijo. Ouvir The Strokes, ir pra Augusta e encontrar os caras daquela banda gaúcha que tanto gostamos, gastar dinheiro com besteiras, tirar fotos das costas dos nossos homens mais bonitos (porque o segrego é manter o mistério), rir no metrô por qualquer bobagem e acabar perdendo a estação. E ficaríamos todos os dias vivendo um sábado, fazendo um sábado melhor que o outro (e até arrumaríamos um tempo pra ver 'once', o filme que mais nos encantou nos últimos tempos)... mas sabe, minha melhor amiga, sempre gostamos mais da realidade, nunca desejamos a perfeição, nem na nossa vida, nossos relacionamentos, roupas... Então, por ora, basta saber que você está bem, que está fazendo uma porção de gente se contagiar com esse teu brilho, essa tua essência. E que você continua sorrindo e com certeza, cantando Strokes aos quatro cantos de Seattle.

Vá a lugares bonitos, beba e dance por mim. E volte.
Nossa vida, precisa de você pra seguir nos trilhos.

p.s. da narradora:
i've got a friend who helps me to get up again.
te amo (porque é sempre necessário)

por Priii.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sobre alguém que encontrou as palavras certas sobre algo errado.





Você sempre me soou muito mais como pretérito imperfeito do que presente, sempre! Mesmo quando era mais presente do que todas aquelas surpresas materiais que trazia, quando viajava ou eram tuas e - depois - viraram minhas. E eu sigo sem saber o que fazer com isso.
Mas preciso de novas lembranças, planos e futuro; não preciso de passado - ou me convenço de que é melhor assim. Mas por algum motivo, por alguns momentos eu me volto a isso, porque fragmentos de mim ainda grudam em você, como se a gente tivesse usado super bonder e depois encostado as pontas dos dedos. Talvez porque as emoções que já foram expressas aqui tenham se perdido nas lacunas do - nosso -
tempo e eu, hoje, ache incabível um turbilhão de sentimentos, em um órgão tão dilacerado.
Quem sabe a dificuldade de derramar lágrimas novas seja proporcional a dureza que cresceu num rosto tão pequeno, mesmo com vontades tão grandes.
É difícil demais te ver partir, mesmo se não fosse definitivamente. E sabe, eu não agüentaria outra despedida, prefiro um final subentendido. Ou uma linda metáfora.
Você sabe como meu silêncio grita, toda vez que as palavras resolvem faltar o serviço, não sabe? E você entende a minha falta de diálogo, como eu entendo o seu esforço em medir as frases quando conversa comigo.
Você que não é a pessoa mais bonita, nem mais inteligente ou organizada. Você que deixa roupas espalhadas no chão do quarto quando vai embora, mas deixa - também - um perfume nos travesseiros. Você que dorme de camiseta e esquece de acordar no horário que precisa. Você que não sabe bem o que vestir o que quer comer ou onde pretende chegar. Você que não me larga, mas não me segura firme. Você que é meu horizonte... mas é quem eu amo. Indo ou ficando, é quem mais amo. E a primeira pessoa que amei, acreditando que poderia ser a última. Mas você é passado e o amor é obsoleto. e, como os versos de Wicked: ' Kiss me goodbye, I'm defying gravity... and you won't bring me down' é uma pena que não haja beijo de despedida. Mas há um alívio pela despedida ser somente minha.


ps.:
“você já olhou pro horizonte? estranho, você sempre pode ver, mas nunca vai chegar lá... e sabe que você é o horizonte da minha vida? eu sigo porque quero chegar lá, mesmo sabendo que nunca vou alcançar nada...”






Texto da Fabíola (@heeyjadad)
que aparece pela primeira vez aqui no blog.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

What Ever Happened?




Hoje foi um daqueles dias que ouvi The Strokes pra calar os gritos de toda a São Paulo, aqueles dias ruins em que como protesto prendo os cabelos num coque e trabalho sem um pingo de maquiagem.

Tenho andado cansada demais até pra tentar sair, na verdade, não tenho aonde ir... Como se todo lugar me fizesse lembrar algo que tento deixar lá escondido, camuflado entre meus sete sorrisos. Então, eu saio do trabalho e corro pra casa, me escondendo entre um gole de cerveja e risadas, porque apesar de tudo, estou feliz.

‘Mas você parece que atrai esse tipo de coisa’, apontaram pra mim isso hoje. Eu atraio. É sina. E tem acontecido muita coisa em tão pouco tempo, muita informação, muitas músicas novas, muitas despedidas, muitos copos de cerveja, muitas risadas e muita solidão aos domingos chuvosos lá pelas quatro da tarde.

É quando no meio de tudo isso, de todos os meus últimos romances da noite, eu aposto todas as fichas, moedas, cartões de debito e kit kat’s na bonita ideia de que ‘dessa vez vai dar certo’. Mas não dá. E ai eu fico triste por alguns minutos e volto a carregar a bandeira de que ‘amor não existe’, porque o espirito summer finn fala mais alto nessas horas.
Mas eu sei que ele existe, por mais que digam que eu não sei amar, que não sei deixar as coisas mornas e que só acredito nos romances que leio nos livros e vejo no cinema. Eu sei que o amor existe, é só que ele ainda não apareceu ainda por aqui no apartamento 22. Ou talvez tenha aparecido e eu ocupada pintando minhas unhas não percebi.

E ninguém entende essas coisas que andam acontecendo aqui dentro de mim, nem eu entendo e muito menos aquele amigo que me abraça no meio da av. paulista pra dizer que vai dar tudo certo.
E vai mesmo? Eu me pergunto todos os dias ao deitar sozinha na minha cama forrada com meus lençóis laranja de bolinhas coloridas. Porque às vezes, quando as coisas desabam, eu realmente acredito que o destino tá tirando uma com a minha cara, mas então eu penso que tudo está acontecendo por uma razão. Então, as coisas ficam do jeito que estão.

Nada de amores, porque não fui a premiada no bingo do amor dessa vez.



E não reclamo.
Vou reclamar por ter 19 anos, morar sozinha, ter um pôster do yellow submarine na parede do quarto, cerveja na geladeira quase todos os dias, avenida paulista como palco dos meus últimos romances e ser assim tão bem vinda quando invado a vida de pessoas x, faço uma bagunça e saio pela porta da frente usando um dos meus sete sorrisos como adeus?
Jamais.


(Mas um dia, eu grito lá do fundo ‘bingo’. Aprendo a falar ‘eu te amo’, escolho uma música só pra nós e invento um oitavo sorriso só pra você – você que está por algum lugar desse mundo).


Por ora, só estou querendo minha férias pra ver o mar, um novo porre, óculos escuros, cabelos ao vento e mais felicidade (se é que isso é possível).



p.s. da narradora:
porque por mais boba que seja a minha felicidade, eu tô sorrindo um, dois, três, sete sorrisos por dia.

@PriiiG

quarta-feira, 27 de julho de 2011

If only



- Você se importaria de ficar aqui hoje?
- Mas eu tenho que trabalhar amanhã.
- Eu sei disso. Mas você pode dormir aqui, seu trabalho nem é tão longe assim.
- Mas o transito de manhã vai acabar me atrasando.
- Não tem problema, eu te acordo mais cedo e faço o seu café.
- Você faz tanta questão assim?
- Na verdade faço sim.
- Você não sabe o problema que está causando me fazendo ficar.
- Que problema?
- Não é segredo nenhum o que sinto por você e de algum jeito isso ainda vai dar errado.
- Dessa parte pode deixar que eu cuido.
- Não acho justo com você.
- Já que você se importa tanto comigo então fica aqui hoje.


Ele pode ver nos olhos dela que não estava mentindo. A presença dele era realmente importante pra ela.
Sentou ao seu lado, coçou a cabeça, fechou a jaqueta e perguntou:
- Tudo bem, eu fico. O que você quer fazer hoje?
- Nada demais. Só quero ficar em casa.
- Tudo bem então. Fica ai, volto em meia hora.

Vinte e um minutos depois ele estava de volta com uma sacola. Ela estava na cozinha com um copo de café na mão sorrindo para ele.

- O que tem na sacola?
- Nosso entretenimento para essa noite.

- Meu entretenimento você quer dizer, porque você está com uma cara de sono terrível.
- Eu disse que ia ficar aqui hoje, então vou ficar acordado.
- Tudo bem então, deixa eu ver o que tem ai na sacola.

Parecia que ele tinha adivinhado, todos os 4 filmes favoritos dela estavam lá dentro.

- Isso pede uma comemoração. O que você quer comer?
- Você não sabe cozinhar. Só tem lasanha de microondas na geladeira.
- Eu sei disso. Era o que eu sugerir após você fazer seu pedido impossível de comida.
- Ok então, vou deixar essa parte com você, pode decidir.
- Maravilha. Que tal lasanha?
- Parece ótimo.

Comeram e conversaram por algum tempo e como era previsto ele adormeceu no sofá nos primeiros 40 minutos de filme.

O dia amanheceu e o sol bateu em seu rosto o acordando.
Ainda com a visão embaçada viu a TV ligada e ela sentada ao seu lado.

- Você já acordou?
- Na verdade não dormi.
- Ficou acordada todo esse tempo?
- Sim, assisti todos os filmes.
- Dormir é bom as vezes.
- Não quando você está perto.
- Por que?
- Dormir é perda de tempo.
- Você não deveria dizer essas coisas?
- Por que?
- Porque me dá vontade de não ir embora.
- Mas você tem que ir não é?
- Sim.
- Se eu te pedir em casamento você fica?
- Mas é o homem que tem que pedir a mulher em casamento.
- E como um homem pede uma mulher em casamento?
- Geralmente um simples: Quer casar comigo?
- QUERO!
- Deixa de ser boba.
- Fiz o seu café.

Eles tomaram o café da manhã, sem muita conversa pois ele estava atrasado.

- Você volta hoje?
- Não.
- E por que não?
- Porque isso não vai dar certo.
- Eu não me importo que dê errado.
- Mas eu sim. Se não for pra ficar com você pra sempre não quero ficar de jeito nenhum.
- Se você quer ficar comigo pra sempre poderia começar hoje.
- Eu não sei ser seu amigo e não posso ser nada além disso.
- Então acho que você vai ter que aprender a ser algo na minha vida, porque eu não vou deixar você ir.

Ele gostava demais dela para pedir que ela esperasse por ele, então ainda sem saber o que dizer e com a cabeça muito cheia se levantou para ir embora.

- Posso te acompanhar até o portão?
- Pra que?
- Só pra te dar um tchau descente.
- Acho que pode.

Já na porta do carro ela perguntou:
- Você vai voltar?

Ele não respondeu, apenas lhe abraçou e em meio a aquele abraço apertado ela sabia que ia esperar por ele o tempo que fosse.



@JessyMcLovin

quinta-feira, 23 de junho de 2011

System


E se a criatividade falhasse de vez em quando? E se ela deixasse de sonhar? Qual seria o problema? Afinal ela sonhava, e os sonhos viravam planos, que viravam frustrações. Por que ela planejaria o que estava por vir? Pra quê ela traçaria passos que não seriam seguidos, planejaria falas que não seriam ditas, escreveria metas que não seriam cumpridas?
A vida não poderia se resumir somente a isso. A vida não podia ser igualada, transmitida, datada e provada por páginas e páginas de um caderno jogado! Ela não queria que fosse assim, mas ela somente sabia viver se planejasse o dia de amanhã antes de fechar os olhos todas as noites. Por que não planejar salvar o mundo? E por que não desejar dominar o mundo todas as noites? Por que não planejar não ter planos?
Estava planejado. O plano seria não fazer planos. Ela tentaria dominar o mundo todas as noites, sem planos. Se ela conseguiria, ninguém jamais iria saber. Isso não estava escrito, simplesmente porque não era planejado como todo o resto.
Ela planejava te encontrar hoje. Hoje virou talvez e amanhã também. Semana que vem, quem sabe?!


- Carol Bizzi

terça-feira, 14 de junho de 2011

thoughts of you

you just know, you just do. (conversas de bar II)

VCR by Xx on Grooveshark


Tenho me sentido como uma dedicatória que foi lida no mínimo 14 vezes. Acordo todos os dias pensando se estou gostando ou não de você, se tudo foi verdade ou apenas um desses meus devaneios em que misturo minha realidade com nossos filmes.

Gosto mais dos nossos filmes, tenho revisto todos e tenho mostrado nossas músicas para as pessoas, porque cá entre nós, as pessoas não podem viver sem antes escutar essas músicas que você me apresentou. Alias, sinto você nessas músicas, que me obrigo a escutar todos os dias.

Cada trago de cigarro que dou é como se fosse pra te irritar, você sabe que eu tenho essa necessidade absurda de sempre querer te irritar com meus palavrões, cigarros e minha persistência para que você responda minhas benditas perguntas.

Guardei aquele meu vestido florido que você tanto gosta dentro de uma dessas gavetas que não consigo abrir e guardei as palavras que poderia te falar pra tentar mudar tudo isso também. Você diz que eu gosto de mostrar o que já está subentendido, talvez eu nunca mais venha a me questionar o que sinto por você e porque com você tudo é tão diferente, tão correto.Guardo esses questionamentos dentro da gaveta também.

Tomo meu café e penso em você, às vezes até falo de você. E as pessoas no trabalho perguntaram onde está o sorriso dos meus olhos nos últimos dias, respondo que você levou junto com seu presente, dedicatória e abraço.

Não sinto ainda a tua falta, porque você sem perceber, deixou sua essência dentro de mim, do meu quarto, da sala e debaixo do meu travesseiro. Não procurei seus defeitos ainda debaixo da minha cama e nem apaguei seu toque na minha pele fria.

Enquanto você dorme preocupado em todas essas coisas da tua vida, eu fico acordada pensando em como fui deixar tudo chegar a esse ponto em que estamos agora. Acabei de pensar se você ainda pensa em mim, se gosta de mim ou se apenas tem ainda vontade de passar aqui em casa e me fazer rir.

Você me faz rir até quando diz que está indo embora. Na verdade, ainda não decidimos se você ainda foi ou não. Acho que somos do tipo de pessoas que nunca se vão, apenas se afastam por semanas, sonhos e dias e quando menos se espera, aparecemos em algum desses lugares que as luzes dançam em nossos corpos.

Todo mundo sabe que você me faz feliz, eu sei disso, você sabe disso e acho que até meu leão de pelúcia sabe disso, e mais! Ele sabe que eu te faço feliz também, nem que seja a curto prazo, você gosta de ter-me por perto. Então, por ora, só te ter por perto, já basta.

(e eu nem sei muitas coisas sobre você, mas sei quais músicas te fazem dançar e quais filmes te fazem chorar. pensando bem, acho que sei muito sobre você).

Mas eu queria muito que você fosse [embora], falasse um desses ‘adeus’ sem cerimônias e eu te desse um dos meus sete sorrisos. Um sorriso sincero enquanto você me desse o último abraço e, eu lembraria de todos nossos (poucos) momentos e ficaria entalado em minha garganta o apelido que tanto gosto de te chamar – hoje em dia, não sei ao certo qual apelido usar contigo.

Eu fecharia a porta, subiria o elevador e pensaria em você, mas com cuidado para não sofrer, porque eu sei que você ao se afastar não quer me machucar. E eu acredito em você. Então, eu encho minha xícara com chá quente e mexo você com a colher na minha xícara do batman. E penso em você quando a brisa sopra meus cabelos.

Fico me perguntando qual borboleta bateu as asas lá na Ásia para acontecer todo esse vendaval aqui na nossa avenida cheia de luzes e nós.

Você tem dito que vai me encontrar em outra vida, enquanto eu resfriada afirmo que vou sumir por mais algumas semanas, quem sabe assim você volta completamente pra mim, nem que seja por uma noite? Acho que perdi meu bom senso dentro do seu carro, enquanto você cantava aquela música que fez parte da nossa trilha sonora aquela noite.

Então vá. Apague a luz do meu quarto e vá, corra pelo país afora só não corra mais por minhas veias e pele. E lembre-se de mim, eu sei que você vai fazer isso, sem que eu precise pedir. Leve esse jeito tão encantador e irritantemente paulista e politicamente correto à praia, vá ver o mar por mim.

Apague a luz e deixe-me aqui pensando em você.
E depois volte pra mim.

Volte por completo, nem que seja em outra vida quando ambos formos gatos.

p.s. da narradora:
i think we’re superstar.
let’s get lost, me and you,
@PriiiG

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Since you've been gone



- O que é aquilo no céu?
- Acho que é um OVNI.
- Deve ser um avião.
- Não estrague minha alegria. É um OVNI e ponto.
- Ok. Então é um OVNI.

A grama deixava suas mãos geladas, mas eles não se incomodavam diante de um céu tão bonito. A falta de palavras era algo confortável, afinal eles não tinham muito o que dizer. O que sempre houve em comum agora se dissipava momentaneamente.

Ela começou a cantarolar uma música pra distrair. Ele continuou olhando para o céu com as mãos embaixo da cabeça. Ela, então, tira de sua bolsa um exemplar de 'O Mágico de Oz', para talvez atrair a atenção dele por alguns instantes. Ele, pelo canto dos óculos observa o livro, mas hesita em expressar qualquer reação.

Ela desistiu de esperar ele puxar assunto e levantou. Foi andando em direção ao lago para observar as coisas de um ângulo diferente. Encostou em uma árvore que ficava na margem do lago e por lá ficou por alguns minutos.
Sem prévio aviso sentiu uma mão tocar o seu ombro e quando se virou, antes que tivesse reação para corresponder, sentiu um abraço forte a envolvendo.

- Isso aqui tá um porre. Vamos tomar um café?
- Mas ainda é a hora do almoço!
- E existe uma hora específica para se tomar um café sem açúcar?
- No mundo real sim.
- Sua tonta, vamos!

...

- Sabe aquela cena do milkshake do Pulp Fiction?
- Sei, a do silêncio, né?
- Isso... É interessante!

E caminham em silêncio até a cafeteria.
Esperaram o café por aproximadamente 7 minutos. Quando finalmente chegou, ele começou a beber e olhar o movimento da rua pela janela. E mais uma vez ela se sentiu obrigada a tirar seu exemplar de 'O Mágico de Oz' da bolsa para passar o tempo que ele não estava passando com ela.
Ele parecia nem estar ali. Não dava a mínima para ela.
Ela resolveu não estar ali também. Se sentia mais como o Homem de Lata do que como a Dorothy. Não dava para entender por que ele estava distante além do normal. Até que se encheu e deixou ele na mesa enquanto foi pagar a conta e então foram embora.

- Acho que cobraram errado. Só tem um café puro na conta.

Ele nem se deu ao trabalho de responder.
- Por que você me trata assim?
- Assim como?
- Como se nem estivesse aqui.
- Impressão sua.

Caminharam até chegar à casa dela. No fundo ela pensou em convidá-lo para jogar video game, mas já estava cansada de tanto descaso. Se despediu com um beijo no rosto e entrou direto para seu quarto. As tentativas em vão de conquistar a atenção dele esgotaram sua mente. Caiu na cama e com a roupa do corpo dormiu até o dia seguinte.

Acordou com as cenas do dia anterior martelando em sua cabeça de forma tão forte que sentia dores reais! Aquilo não estava certo. QUEM era ele para tratá-la com tanto descaso?
Pegou o telefone e discou o número que sabia de cor, apesar de nunca ter tido a coragem de discar todos os oito dígitos do telefone dele, mas a raiva era tanta que conseguiu completar a ligação sem nem ao menos perceber o feito. E o telefone chamou... E chamou.

- Bom dia! Tudo bem?!
- Quem você acha que é pra ter me tratado assim ontem? Você acha que sou idiota?
- Ontem, pequena? Mas ontem eu fiquei preso na faculdade o dia inteiro, tinha um seminário para apresentar hoje! Desculpa ter sumido sem avisar! Não sabia que te deixaria brava!
- Seminário? Faculdade?
- Não sei se isso muda alguma coisa no seu humor, mas tenho uma boa notícia... Pelo menos pra mim é! Finalmente vou conseguir ir te visitar! Não vejo a hora de te conhecer e roubar 'O Mágico de Oz' da sua estante!




Um agradecimento mega especial para a @CarolBizzi que escreveu 73% desse post.

Em busca da Terra do Nunca

Cheguei a um ponto onde já perdi a conta de quantas vezes no mês eu acordo sentindo saudade dos dias que passaram.
Quando tudo era tão mais simples e sincero.
Onde minha única obrigação era levantar a tempo de não perder a abertura de 'Cavalo de Fogo'.

Não acho justo reclamar da vida, pois cada fase tem sua importância. Porém tem uma frase que não sai da minha cabeça: "Você era feliz e não sabia."
Bom...
Na verdade eu sabia sim e pedia com todas as minhas forças para que aqueles dias demorassem a acabar.
Até que um dia me deparei com o espelho e eu já tinha 20 anos. Não sei como aconteceu, mas acho que o Peter Pan não me salvou a tempo.





Nunca fui daquelas que mal podiam esperar a hora de crescer. Eu gostava mesmo era de acordar cedo, ainda esfregando os olhos, usando meus pijamas velhos e sentar em frente a tv para assistir "Caverna do Dragão".

Enquanto eu via meus irmãos se arrumando para a escola eu não conseguia não sentir medo ao me perguntar quando aquilo ia acabar.
Hoje eles não tem mais 17 anos e não assistem mais Thundercats. Estão ocupados demais ganhando a vida e cuidando de seus filhos.

Talvez eu tenha nascido com uma alma saudosista e não há nada que eu possa fazer que vá mudar isso.
Eu ainda colo pôsters na minha parede e tenho todos os tazos que eu colecionava quando criança. Jogo video game e adoro ler minhas hqs.
São as poucas coisas que me lembram da época que não volta mais.

Eu sofro na esperança de ter os anos 90 de volta, então nem consigo imaginar quem pede para que os anos dourados voltem.
Quando garotas não eram objeto e sim uma conquista. Onde andar na rua não era sinônimo de medo e sim de encontrar os conhecidos.

Aos olhos dos meus pais eu ainda sou criança. Talvez eu ainda seja, lá no fundo.
A sociedade já diz que sou mulher feita, quando tudo o que eu mais queria era que a vida carregasse um pouco mais de inocência.




P.S. da autora:
Se existe um gênio da lâmpada por ai dando sopa, eu compro de você. Diz pra ele que o meu primeiro desejo é voltar a ser criança.


Não se esqueçam jamais do passado. Ele que o trouxe até aqui.
@JessyMcLovin

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O auto da minha compadecida







Acordei em mais uma manhã rotineira. O cheiro de café estava por toda a cozinha.
Ela estava sentada costurando alguma roupa como sempre fazia em seus dias de folga.
No fogão o meu bolo favorito que era receita da família ainda estava quente.

Sentei sem muita pretensão para tomar o café, que logo ficaria frio.
O céu estava azul como uma boa manhã de outono deve ser.
A casa estava particularmente vazia nesse dia.

Ainda não sei como a conversa surgiu, mas o clima de nostalgia demorou a passar depois daquilo.

Fomos transportadas para dias distantes, quando a vida era mais simples do que se podia imaginar. Onde ela havia nascido, em 1952. Onde tudo teve início.

Uma terra árida, onde o sol castigava até o mais nobre dos homens.

Ele tinha 27 anos e ela 20 quando se casaram. Sabiam que a vida ia ser difícil, mas nada os impediria de seguir uma vida de muito amor. Em pouco tempo deram origem a 8 filhos.
O tempo foi passando, mas sabiam que os dias de fortuna nunca chegariam. Porém de nada importava, pois tinham uns aos outros.
O tempo livre era pouco, mas o trabalho era muito.
Ele tocava 'Asa Branca' no violão para entreter os filhos ainda pequenos.
As mãos eram calejadas, a pele queimada de sol. O cabelo liso denunciava sua origem indígena. O coração era jovem e a alma era sábia.
Tinha uma esposa, que era devotada em amor a ele.

Saíram do sítio onde moraram por um bom tempo em rumo a cidade.
Lá passaram por muito. Dias bons, dias ótimos, dias que pareciam não ter fim, dias difíceis, dias onde nem a comida na mesa tinham, dias de saudade do pai que trabalhava longe, dias de alegria quando o pai finalmente voltava.
Rodas de amigos, crianças curiosas observando a conversa dos adultos.
Estórias de tios que juravam ter visto uma assombração enquanto saiam para caçar a noite.

Dias de adolescência, onde ela era disputada pelos jovens da cidade. Sua saia rodada de colegial balançava com o vento quando voltava para casa.
O pai limpava a espingarda de caça, enquanto a mãe cuidada de mais um dos filhos.
Árvores cresciam no quintal e os filhos ficavam mais velhos.
Eles envelheciam, mas o amor ainda era o mesmo, até aumentava se isso é realmente possível.


Meu café já estava mais que frio e eu já havia comido o bolo quase inteiro.
Os olhos dela brilhavam lembrando de seus pais. De como tudo era tão difícil e tão bom ao mesmo tempo. Eu pude sentir que ela daria muito que tem hoje para viver aqueles dias de novo.
Se eu pudesse também pediria para o Dr. Emmet Brown aparecer com o seu DeLorean e me levar para aqueles dias onde eu poderia assistir tudo de longe e sentir a mesma emoção que ela.


Ele morreu 1989. Teve cuidado de não proporcionar nenhuma memória ruim a nenhuma das pessoas que viviam ao seu redor, sendo o mais incrível dos homens.
Ainda hoje todos conhecem seu nome e os pais ensinam a seus filhos quem ele foi.
A cidade tem uma rua com o seu nome.
Ela morreu em 2007. Porém seu coração havia morrido com ele, quando o mundo levou o homem que ela mais amava.



Poderiamos ficar horas conversando só sobre aqueles dias de ouro.
O que é algo que adoramos fazer. As reuniões de família sempre levavam para os mesmos assuntos. Os dias que não tivemos o prazer de viver.
E para descobrir como dos anos dourados só temos a lembranças, basta sentar com quem esteve lá.
Onde os valores não se baseavam no que você possuía e sim com quem você teve o prazer de conviver.






P.S. gigantesco da autora:
Não conheci meu avô, pois nasci em 1990 e não convive com a minha avó. Mas os dias que passei ao lado dela foram suficientes para ficar apaixonada por ela enquanto minha vida durar.
Minha mãe conta as histórias de antigamente com alegria e tudo o que sei fazer é sentir muito inveja dela.
Eu conseguiria escrever durante dias sobre as histórias que ouvi.
Sempre que minha outra avó vem nos visitar eu dou um jeito e a faço contar estórias de mais antigamente ainda. Você ter o prazer de conhecer alguém que nasceu em 1924 e não tirar proveito nenhum disso, eu sinceramente considero maluquice.
Também me aproveito do meu pai nessas horas e sem que ele perceba, já me contou sua vida inteira e suas travessuras de adolescencia.

Se você nunca sentiu essa nostalgia que mencionei em cada palavra desse texto, acho que está na hora de sentar com os seus pais por pelo menos 20 minutos e pedir para que eles contem um pouco dos anos dourados.

Continuem nostalgicos meus caros leitores
@JessyMcLovin