terça-feira, 30 de março de 2010

quase que 18


dancing at discos, I got music, coming outta my hands and feet and kisses


Eu quero livros, os mais belos, os mais coloridos, os mais românticos, os mais engraçados e os mais tristes. Quero filmes, dos mais dramáticos, dos mais clássicos, quero rever “Sindicato dos Ladrões” sem nunca me cansar, quero rever todos os meus filmes.

Eu quero que meus amigos me tragam cores,livros e filmes. E muita, muita música.

Mais uma tatuagem. Mais um amor não resolvido. Mais e-mails,cartas, ligações atendidas e perdidas no celular, café, all star, cintura alta, cabelos pretos e bonitos.
Batom vermelho, unhas lixadas e pintadas, muito rímel e sombra preta.
Muitas noitadas, muitos shots de tequila, muita cerveja e rock n’ roll, muitas dancinhas feitas por mim e toda a legião de amigos meus.

Quero sorrisos, os mais belos sorrisos.

Quero mais tempo com a minha família, brincar de bonequinhas da internet com a minha prima, fazer traquinagem com todos meus primos, assistir filmes pela madrugada com meu tio, ouvir a voz da minha vó de manhã, meu pai do outro lado do telefone, minha mãe sempre jovem aos sábados.

Não quero restrições, nem brigas, nem aviões caindo. Quero melhorar meu inglês, aprender francês e deixar de ser um pouco míope. Quero a felicidade de todas as minhas pessoas; família, amigos, colegas, amigos distantes, vizinhos bonitos, professores, cobradores gentis e porteiros simpáticos.

Quero fotos, muitas fotos, coloridas, preto e branco, do passado e do presente e muitas do estilo “espontaneidade forjada”.Quero sorvete, taças de vinho. Quero mais dias ouvindo música deitada na cama, mais dias comprando coisas e construindo coisas, amizades.
Quero ir mais a praia e ao interior, quero muito mais tempo na urbanização, visitar parentes do outro estado, aroma de narguilé aos domingos com meu tio.

Quero mais tempo, bexigas, cd’s, fones de ouvido, anéis, brincadeiras, segredos, sacanagem, besteiras. Quero frio pra ficar horas e horas debaixo das cobertas. Quero mais tempo com James Dean e Marlon Brando. Quero conhecer rapazes que me lembrem eles. Nada de italianos. Dias atuando como tiete.

Quero dias de fossa, dias de loucuras, dias de expectativas e dias de realidade. Não quero diários, nem dores de cabeça e muito menos, atrasos. Aceito decepções amorosas (apenas amorosas, não aceito qualquer outro tipo de decepção), beijos roubados, beijos tímidos e beijos beijos.
Aceito pedidos de desculpas, aceito brigas, balas de goma e não, não aceito chocolates. Aceito paçoquinhas e segredos. Aceito reviravoltas.

Quero que me escrevam livros, estórias, histórias, poemas, cartões, recados, cartas, depoimentos, mensagens de texto. E se alguém, um dia, quiser escrever sobre mim eu aceito com um dos meus sorrisos.

Quero sentir saudade e matá-la com muita facilidade, lágrimas, momentos nostálgicos e neuróticos. Quero shows baratos, quero pagar meia entrada em tudo, quero andar mais de metrô e estudar algo bacana, minha cara.

Não quero ser popular, quero ver todos os filmes que quero ver no cinema, quero criticar, quero rir até meu estomago doer. Quero gritar, continuar falando alto e muitos, muitos palavrões. Acreditar mais nas pessoas e em contos de fada.

Não quero pegar ônibus cheio, quero perfumes, nada de jóias. Não quero ser barrada, não quero mentiras, quero churrascos e futebol.

Quero mais motivos, mais manias, mais palavras, mais amigos, mais encontros. Mais dias nerds jogando ps3 com meu tio. Quero manter meus lindos amigos e amigas, continuar sentindo saudade deles todos os dias. E sempre sentir falta da minha casa.

Quero o Brasil campeão da Copa, mais filmes 3D e menos MPB. Mais blues e jazz, menos pintinhas pelo corpo, mais lugares favoritos.

Quero ver mais pessoas que moram tão longe de mim, quero evitar saltos altos, quero mais delicadeza, dias chuvosos e dias para usar meu cachecol vermelho e meus óculos escuros.
Quero ironia, malícia e sarcasmo. Não quero ex-namorados de volta, nem dores nos rins, nem ficar sem dinheiro.

Mais um porre, mais férias e mais um amor não resolvido, mais borboletas no estomago. Mais café, menos refrigerante. Mais conversas longas.

Quero receber toda a felicidade do mundo, quero que me desejem muitas coisas boas, quero muitos beijinhos e cajuzinhos, mais tempo assistindo novela com a minha vó, mais filmes de terror na companhia da minha prima, mais dias de preguiça, menos frescura mais atitude.

Quero ser mais bacana e continuar sendo chata, quero ser um pouquinho de tudo, não quero crescer, quero manter meus 38 no jeans e 34 nos pézinhos. Mais cortes de cabelos e mais tinta preta nele. Ser uma pessoa mais presente e conseguir demonstrar que amo muita gente. Não quero e-mails sobre bichinhos mortos ou fome na áfrica (eles me fazem chorar), não quero escrever sobre política e nerdices, pois eu não sei, simplesmente não sei.

Criar um pouco de vergonha na cara, tocar mais violão, escrever mais e beber menos. Ler mais. Sorrir mais. Aprender a escrever com a mão esquerda, mudar a assinatura e parar de chorar um pouquinho nos filmes.

Suspirar quando for preciso, ficar eufórica quando der na telha, cantar alto, guerra de almofada com meus tios e tias. Beijocas no priminho, menos mau - humor. Mais dias de ócio, mais antenada menos alheia.

Ficar calada em muitos momentos sérios, não sofrer quieta, não julgar, não obrigar e nem manipular. Fazer apenas o que eu quiser.

Menos tempestades em copo d’agua. Quero que me achem bacana, amiga e bonita. Quero que me queiram por perto,mais moda, menos fanatismo.

Escrever sobre coisas inteligentes, parar de sair de casa com roupa mal passada, comer mais verduras e beber mais água, mais caretas, menos garoa, mais vento. Não quero ver minhas pessoas sofrendo.

Quero 18 anos bonitos, classudos, bêbados, musicais, literários, frenéticos, cinéfilos, dramáticos, exuberantes. E quero passar esse ano com todas as pessoas que realmente me amam.
E ah sim! Quero me lembrar desses 18 pra sempre.
Olá 18! Essa sou eu.

P.S. da narradora:
Quero acordar com uma chuva de confetes e muita gritaria,quero todas as minhas pessoas perto de mim,quero sorrir muito e quero lembrar desse dia pra sempre.
You’re all so beautiful.
JJP

terça-feira, 23 de março de 2010

Entre domingos, músicas e copos de vinho

[Após um mega vexame no fds]

Na terça-feira acordo pra mais um dia de trabalho, abri meu e-mail e dei de cara com isso.

Ela me permetiu postar aqui se assim eu desejasse...e acreditem, eu desejo.

Vou literalmente dar (Ctrl + C) (Ctrl + V)

Uma das donas dessa casinha escreveu isso em homenagem ao domingo de 21 de Março.

então antes desse post realmente começar já dou meu tchau. Pois esse post não tem nada de meu

xoxo

@JessyMcLovin





Ass: para a McLovin, que realmente é lovin, bem lovin. HAUHAUHA

De: (JJP)?!

Enviada:

domingo, 21 de março de 2010 23:06:29

Para: Jessy McLovin

Só pra constar; não gosto de ver as minhas pessoas sofrendo (amigos, colegas, família), eu sofro pra sempre no lugar delas pra não vê-las sofrer. Você, é uma delas, e por mais que isso soe bicha, te ver naquele estado no parque não foi bom.

Delete.

Um texto sem nexo e muito avulso num domingo.

Não gosto de nostalgia nem de ver alguém preso a ela.

Eu tenho os dias sofrimento, aqueles em que bebo vinho enquanto faço panquecas pra depois fazer meu tio comer todas. O motivo do sofrimento? Procurar o passado. E o passado, muitas vezes dói, um namoro mal resolvido, os cinco meses terminados brutalmente, o que nunca aconteceu e até o término de um namoro que hoje eu penso se realmente devia ter terminado. Solidão enlouquece (aha)

Mais eu nunca tinha percebido que eu fazia isso, sabe? De correr atrás do sofrimento.

Hoje, vi alguém se desmanchar por isso. E entre um “só sofre quem quer” e outro “ta sofrendo porque procurou isso”, me dei conta que eu mesma faço isso. Que eu tenho momentos nostálgicos que acabam comigo. Que existiram corações que me aprisionaram de tal forma que hoje me sinto perdida quando os encontro por ai, é claro, caçando-os por ai, entre um e-mail e outro e um bar e outro.

Nostalgia de momentos ruins é uma merda. Sofremos por algo que nunca se apaga, por algo que sempre vamos correr atrás. Mesmo que na superfície dissemos “olha não gosto desse cara” “olha a calça dele” “como pode existir alguém tão ridículo assim?!” quando o face to face acontece, as pernas ficam bambas e a solução é se apoiar em um ombro magrelo- mais amigo- e num copo de vinho.

A nostalgia fica ali, em cima do palco ou dançando com outra, beijando outra, rejeitando seus e-mails e ligações, rejeitando seu beijo. Nostalgia traz passado e existem passados que merecem ser deletados da nossa mente.

Hoje, eu quero dizer que todas nós que um dia passamos por essas recaídas vamos ficar bem. Lá em algum canto, numa hora, num lugar, esse passado será passado. E um novo amanhã, mais bonito e apaixonante nos dominará. Viver de passado não compensa. Viver a vida, o agora, isso sim compensa. E eu sei, que isso soa auto-ajuda, mais até eu mesma sei ajudar alguém e a mim mesma num domingo.

Muitos deixaram saudade,mais sabe? Eu estou bem assim, sem esses corações problemáticos. Prefiro seguir tomando vinho, sentindo cheiro de cigarro, gritando palavras de baixo escalão num parque e mandando todos esses corações pra puta que pariu.

Porque sim, no final de tudo, nós estamos bem. (mesmo sendo domingo)

p.s. da narradora

esse texto é pra amiga que sofreu hoje. Mais que sabe que isso é passageiro e no final o que importa é mandar o dito cujo se foder e continuar bebendo vinho, sem se preocupar com o sol e a banda ruim tocando no parque.

And yes,stay beautiful.

(ser e esquecer)

segunda-feira, 22 de março de 2010

#Edição 28



-Boa noite- disse a Fátima lá na sala.
Nessa noite, prometo que serei breve, nada de estórias confusas e amores dissecados.
Hoje, eu, uma das JJP, venho agradecer pelo “Decepção não mata, engorda” estar no ar ainda, levando sofrimento e alegria aos nosso caros (as) leitores (as). Agradecer também as duas pessoas que me convidaram pra fazer parte do “Decepção não mata, engorda”, que são gurias lindas por fora, por dentro, verticalmente e horizontalmente. Acredito que vocês duas não sabem o quão bem escrever pra esse blog me faz. Ninguém me entende tão bem quanto esse blog.(aha)
E dar os parabéns a nós todas, o “Decepção não mata, engorda” completou 3 meses, com estorinhas/historinhas, palavras lindas, cheias de amor, tristeza e um tiquinho de nós todas.
Mais meses, mais palavras, mais visitas. O “Decepção não mata, engorda”, é nosso lar.

“Quero uma casa sem paredes, assim, todo lugar que eu estiver será minha casa”
(Jonathan Safran Foer- Extremely loud and incredibly close)
p.s. da narradora:

You’re all so beautiful.
PriiiG

quinta-feira, 11 de março de 2010

A princesa fugiu


- eles disseram.

Ela, a loira mais bonita de toda a Brasília, andava pelas noites atrás de alguma aventura. Cansada de tantos afazeres, tantos sorrisos convencionais, ela queria algo novo, só por hoje.

Rímel, sombra preta, batom pink, calça preta nova, camiseta branca, jaqueta e salto alto, uma modelo nada convencional andando pelas ruas escuras de Brasília.

Avistou uma danceteria, sentiu-se a maioral por poder olhar com cara de desdém ao segurança enquanto ele conferia seus 23 anos no rg. Entrou, foi direto ao bar, primeiro shot de tequila. O DJ tocava uma musica que ela nunca ouvid, ela ouviu o barman dizer que era o “som dos caras de sampa, o som do “restos de nada””. Ela achou o nome patético, aliás, ela achava tudo um pouco patético, espelhos, escadas, a sua fuga para uma noite desconhecida em Brasília.

Ela tinha pavor a paulistas, amava os gaúchos e simplesmente não se importava com os cariocas, fumava (muito) e prometia todos os dias que aquele seria o ultimo cigarro fumado escondido no escritório atrás da planta na cozinha, mais depois de quinze minutos lá estava ela fumando mais uma vez e outra vez.

Gostava de cerveja preta, detestava vinho e garotos loiros e com olhos verdes. Ela gostava mesmo era dos garotos normais, os “punks” que na verdade eram filhinhos-de-papai e faziam moicanos espetaculares pra ganhar as menininhas e mostrarem para os pais que eram garotos únicos que mudariam o mundo – e não é que os filhos da puta mudaram mesmo?

Enfim, a música acabou, ela já estava na terceira cerveja preta e olhava pra pista procurando algo novo. Uma nova música, pessoas cantando com as mãos para o ar enquanto dançavam pateticamente na pista. Desistiu e foi ao banheiro.

Sujo, feio e cheio de garotas vestidas como ela, outras princesas fugitivas- ela pensou.

Uma das garotas puxou assunto enquanto ela lavava as mãos na pia suja, seu nome era Cláudia “mais podia chamar de Claudinha”, ela sorriu, seria bom ter uma “amiga” nessa noite.

As duas então começaram a conversar sobre tudo, música e filmes, nada de livros pois as princesas não gostavam de ler.

-Minha vida cabe num copo plástico, Cláudia- a princesa disse.

A amiga riu dela e pensou que era mais uma garota mimada na busca do próprio eu, todos ali eram assim. A cidade na noite tinha essa morbidez, essa anarquia, essa busca por algo que ninguém sabia.

Foram pra pista, dançar como os outros e rir um pouco de si mesmas. A princesa que já tinha perdido a conta de quantas cervejas tinha tomado, avisa a amiga que vai ao banheiro. Cláudia diz que vai esperar a princesa ali na pista mesmo.

A princesa então vai passando pelas pessoas, às vezes pisando nos pés de algumas, lutando contra a própria cegueira do álcool. Ela tropeça pra dentro do banheiro, tudo gira e ela adora a sensação do mundo girando e de não poder sentir seus pés direito.

Acende um cigarro, vai tropeçando entre as pessoas até o bar, pega duas cerveja, uma preta e uma clara pra-sua-nova-amiga-claudinha. No caminho até a pista, a princesa então é empurrada e derruba as cervejas na calça preta nova, fica puta e prepara um “cacete” pra soltar quando vê quem a empurrou, um punk, muito brasiliense com olhos castanhos. O punk, pede desculpa e ela acha isso muito digno vindo de um punk.

Ele se oferece a pagar mais cervejas pra ela, ficam lá no bar mesmo, Cláudia agora dança sozinha na pista, conversam, ela ri como há muito tempo não ria com um garoto.

Eles se beijam, dão uns amassos no canto escuro do bar. Ela encontra Cláudia e avisa que vai embora.

Ela e o punk trocam telefones, ele a acompanha até a casa dela. Não entra. Um beijinho tímido de boa noite e promete que vai ligar pra ela no outro dia. Ele dá alguns passos e volta até a princesa que dá uma gargalhada. Eles se beijam ofegantes e ela tem o insight “nunca mais vamos nos ver mesmo”. Mais ela será uma exceção.

Ele liga, conversa alheia no telefone, risadinhas, saem pra almoçar juntos, ele vai sem o moicano e com roupas normais e a princesa gosta disso.

Passam a se ver todos os dias, de domingo a domingo, mais conversas, mais sorrisos, . E depois vão a algum bar semi-vazio, depois na sinuca, no motel de beira de estrada, na missa, no restaurante, caminhar no parque, assistir tevê um na casa do outro, no cinema, no supermercado, no museu, na praia no Espírito Santo aos fins de semana, em toda e qualquer cama.

Anos depois, a princesa e o punk (que não é mais punk, agora, ele é básico e curte jazz), se casam. Ambos com carreiras profissionais, carros, contas no banco, apartamento que compraram juntos, dois filhos e o carinho mútuo interminável. E a cerveja preta na geladeira.

E quase sempre antes de dormir, sob os lençóis e abraçadinhos, eles se lembram de como se conheceram e falam sobre destino em sincronia, sobre como tudo têm significado e que a vida, pode, sim, ser maravilhosa.

Seria mesmo foda.
A verdade é que a princesa ao tropeçar no cara-punk-de-olhos-castanhos disse “cacete”, o fuzilou com os olhos e saiu andando em direção ao banheiro, xingando “deus e o mundo” por ter caído cerveja na sua calça preta nova. E depois voltou à pista e depois de vinte minutos partiu com Cláudia para uma festinha em um apartamento de uns caras de uma banda nova. E o punk-de-olhos-castanhos continuou lá, com todos seus amigos punks, menosprezando deus e mundo.
É, teria sido mesmo foda.

P.S.
Não tô pra finais felizes hoje. Roubei a cerveja preta da minha mãe que estava na geladeira. Ouvindo “The Story of The Clash. vol 1 nos fones, pela 5ª vez seguida.
Aaah, as noites de verão.
Ame um punk hoje.
You’re all so beautiful.
PriiiG

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

amar é clichê


sofrer é mais clichê ainda.

É impossível- ele disse.
O sinaleiro fecha, os carros param. As pessoas andam, ela coloca as mãos no bolso e caminha; a vida continua.
Eu não quero mais desviar das pessoas, quero me privar de amores e sofrimentos.

Eu só queria saber (mais uma vez, pela última vez) se existia lá no fundo a chance se eu ser idiota mais uma vez e me deixar levar pelos instintos losers que tenho; sim, existia. Lá estava eu, agoniada, esperando a resposta dele, imaginando e ouvindo as piores músicas possíveis- Stevie Wonder estava na lista-, quando me vi escrevendo para o “Decepção não mata, engorda” a coisa mais absurda de todos os tempos, a coisa mais altruísta e desnecessária que já escrevi com meus aninhos o suficiente pra fazer besteira.

Então imaginem, a garota boba sentada em frente ao computador escrevendo freneticamente sobre algo que ela lá no fundo sabia que não iria acontecer. Como sempre, a voz do fundo sempre acerta. Acabei de escrever e antes de postar, resolvi checar a minha caixa de e-mail pela 14818154ª vez em uma hora, e lá estava, a tão aguardada (e temida) resposta.
Sabem o texto que eu ia postar? Foi automaticamente apagado depois de ter lido a resposta. Vocês devem pensar que fiquei decepcionada e corri pra geladeira atrás de vinho e sorvete. Erraram. Dessa vez eu me senti aliviada pra cacete, de um jeito que não me sentia há muito tempo- a última vez foi quando terminei meu namoro duradouro de 2 semanas-, como se tivessem tirado o mundo das minhas costas.

A verdade é que mulher gosta de sofrer, e sofrer tornou-se algo muito clichê nos dias de hoje, “ah estou triste”...”por que?”...” ah o Ricardão não retornou minha ligação”...”poxa, que canalha”. E eu já fui de clichê demais, já estourei minha cota de clichezices por vida.
Por que eu fiquei aliviada? No fundo- e essa é a mais pura verdade-, eu não queria um “sim” dele, eu nunca quero o “sim”. Pra mim só tem graça quando eu estou apaixonada, quando eu falo “sim, eu quero você” e não quando eles me dizem “sim, eu quero você” e caem de amores por essa narradora que vos fala – apesar de ser míope e baixinha, eu arraso corações quando passo em frente a alguma construção-, porque aí fode tudo e eu não vejo mais graça em nada. Eu gosto dos relacionamentos que eu crio na minha cabeça e não aqueles que eu vivencio e, com ele não seria diferente.

Eu sabia que iria cair de amores por ele no começo (mais uma vez) e depois de alguns dias iria querer expulsa-lo da minha vida. Assim, muito fácil. Eu senti que aquilo era apenas uma ilusão, ele preparou o terreno (mais uma vez) para o quase-sim e não me deu, entende? A verdade é que eu me dei conta de que ele também seria um amor clichê, assim como ele fez antes ele iria me fazer sentir que era a salvação da vida dele, que eu iria salva-lo da vida medíocre que ele leva. Mais eu não vou fazer isso, eu não posso.

Eu não quero me enfiar num rótulo com um cara que teve 2 anos ao meu lado e não soube o que fazer, nunca soube aliviar o meu sofrimento com a porra de um “sim”. Por mais que eu tenha acreditado que ele era a tampa da minha panela inox, ele não era, ele é apenas um cara, como qualquer outro que escreverá depoimentos bregas, sentirá uma necessidade ridícula de falar “eu te amo” a cada minuto no messenger, que não saberá o que conversar e o que fazer comigo. Eu me entedio fácil, e me entediei só com a desculpa meia-boca dele para o “é impossível”.
Resumidamente, apaguei esse cara da minha vida pra sempre, não respondi o e-mail e meu orgulho não está ferido. Ele na verdade não era o certo – e é uma pena que eu tenha desperdiçado dois anos da minha vida acreditando que ele era.

É como meu tio-super-sábio-fã-do-morrisey disse ontem pra mim enquanto eu bêbada reclamava disso com ele, eu serei uma pessoa indecisa, rejeitando rótulos até encontrar o cara que não será só um cara, eu não me sentirei bem com um italiano que prefere um amor com clichês e nem com outro cara que não me faça cair de cabeça na relação, aquele que cara que me tirará de cima do muro e me levará para o lado dele, entende? E meu tio disse mais: eu não devo sofrer toda vez por isso e nem devo me culpar por ser assim, essa é a minha autenticidade, é melhor ficar sozinha do que com um cara que eu realmente não me esforce pra gostar.

O cara certo um dia vai chegar e eu mesma vou me obrigar a vestir um rótulo, ele pode ser o skatista do meu condomínio, aquele rapaz que pega ônibus comigo e sempre me olha mais eu nunca o vejo porque o ônibus está cheio e eu sou míope, aquele rapaz que trabalha na pet shop e me vê passar por ali todas as segundas e quartas exatamente às 14h10. O cara certo vai aparecer e ele não virá em forma de e-mail,ele será uma exceção,como aquele filme que todo mundo odeia mais você gosta, como aquela música que você ouve escondido.

A verdade meus caros e caras é que amar é clichê, e sofrer é mais clichê ainda. Então, se for pra amar amem de verdade e se for pra sofrer, não sofra, encha a cara e continue a vida, sem desviar das pessoas, garrafas de vinho e músicas pop.

“O vento vai dizer lento o que virá”, o último romance um dia irá chegar. Tenha paciência e continue a sorrir, todos os sorrisos e mande todos os italianos, japoneses, americanos, brasileiros, pagodeiros, funkeiros, rockeiros, que acabaram com a sua vida praquele lugar que é mais longe que a puta que pariu.

Seja um meio termo, como eu. E enquanto ele não chega, eu continuo atravessando ruas, cambaleando entre estórias e risadas, ouvindo músicas pop e vivendo, porque cazuza já disse que o tempo não para, e eu não sou ninguém pra discordar disso.

E um dia, eu, você e nós todas(os) iremos encontrar nossa única exceção.

p.s. da narradora:
a little bit Nancy and Sid.

ouvindo: kyle andrews_find Love, let go

- PriiiG

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Here's where the story ends

Um texto que escrevi em 18.06.2009
Dizem que é o meu mais bonitinho...
Enjoy it.





16:02 hrs
Dia frio
Uma música toca ao longe
O barulho dos carros e pessoas conversando...
Olhos focados
Poucas palavras
O sorriso acanhado de quem não sabia o que dizer
Momento perfeito
Interrompido pela obrigação
Momento retomado
Mas não com a mesma razão
Ainda assim tudo está tão lindo
O coração continua vazio
A cabeça continua cheia
Os olhos com ainda mais brilho
O peito palpitando
Aquelas almas tão jovens começam a ansiar
A incerteza de um mundo colide com a estranha beleza
A insegurança que não passa
O relógio que não para
Os dias deles chegarão ao fim
Todas as palavras que podiam ser ditas se perderam
Agora tudo se confunde
A mente da jovem dama se dispersa em meio a tantos sonhos
Ela não consegue parar de olhá-lo
Ele conta mil histórias, mas ela não escuta está muito atenta a aquele belo sorriso
Ele está lindo jovem dama,
Elogie!
Fale que gostou do casaco dele e do cabelo desarrumado
O céu está tão limpo
E ela a fantasiar
Ele está ao seu lado sorrindo
Ao menos fale
Deixe que ele saiba
Como é grande seu coração
Como não queria estar em outro lugar senão aquele
Que de todos só ele faz a diferença
Doce dama não deixe que isso se perca
Não o deixe olhar na outra direção
Abrace-o forte
Diga que é apaixonada por ele
Diga que seus dias são vazios
Mas que ele os completa
Faça valer à pena o último momento que ficarão juntos
Que mesmo ele partindo o seu coração
De nada importa
Pegue-o pela mão
Mostre tudo o que escreveu usando ele como inspiração
Toque a música que você sabe que ele gosta
Seu violão está quebrado mas você ainda pode cantar
Jovem dama olhe pela janela
Esse dia está mais belo do que nunca
Já que tens medo de tudo isso
Ao menos escute o que ele está falando
Isso jovem dama pare de devanear(...)






@JessyMcLovin

sábado, 13 de fevereiro de 2010

I'll tell you in another life


when we're both cats.


Acabei de lembrar que vai fazer um ano que fui a um show do Cólera, foi divertido e eu queria que você estivesse lá, seria bem mais divertido, eu até imaginei você lá no show, acho que você estaria bem freneticamente enlouquecido, broto. Eu devo te confessar que com você tudo era mais divertido, até ir para a escola tornava-se um ato agradável, tudo era mais suportável com você ao meu lado.

Eu adorava quando as pessoas te chamavam de “Marcos” e você as interrompia perguntando “Quem é Marcos?”. Eu adorava seu nome, a sua calça jeans preta, seu piercing sem a bolinha, sua risada, quando você ficava vermelho quando eu falava alguma besteira. Do seu jeito escroto pra falar sobre certos assuntos, de todas as nossas conversas incansáveis e sérias no messenger, dos assuntos bobos no Orkut, do seu tom irônico, da sua agendinha azul toda rabiscada por mim, do seu “ironia total agora”, dos seus abraços (raros),do seu gosto musical, das suas coxas sexys, da sua letra feia, das músicas no seu mp3, de quando você ficava com raivinha quando não conseguia resolver algum exercício.

Você faz falta em todos os sentidos; o único que entendia minhas piadas, que amava minha ironia, meus all star, minha parte intelectual e filosófica. E sabe, os meses sem você foram terríveis, claro que não pensei em você todo esse tempo, eu continuei com a minha vida... Mais às vezes você estava ali em alguma conversa, no fundo daquela sala, na carteira vazia ao meu lado, na janelinha do messenger que avisava “Marco. Está online”, nas músicas, em cada garrafa de Heineken que eu consumi nesses meses. E acredita que todos os garotos sabem de você e sabem que eu nunca vou conseguir superar por inteiro o que aconteceu e o que não aconteceu?

Eu fico tão dramática quando o assunto é você, eu sempre quero achar a resposta pra nunca ter coragem de falar com você no messeger, a resposta pra você ter me abandonado ali sozinha, a resposta pra nunca ter acontecido. Nunca chego nessas respostas.

Você acredita que eu ganhei de presente “Vanilla Sky” e troquei por outro filme? Acho que depois de Brilho eterno de uma mente sem lembrança e Donnie Darko, nenhum filme me lembra mais você do Vanilla Sky. Tudo tem esse seu dedo italiano, a música punk, cerveja gelada, filmes alternativos, anarquismo, impropérios, bibliotecas, músicas no mp3.

Eu acredito também que nenhum garoto me entendeu tão bem como você me entendeu, nenhum garoto entendeu realmente o que eu sou e onde quero chegar. Você me descobriu, italiano, descobriu, pesquisou e levou alguns pedaços meus com você.

O mais difícil é saber que era você quem iria me escutar quando eu estivesse puta da vida, você iria me acompanhar quando eu quisesse aprontar, você seria aquele que avisaria que meu rímel borrou enquanto assistíssemos um daqueles dramas beeem deprimentes, você quem iria morrer de rir com meus papos de baixo escalão, quem iria me acompanhar em shows, dividir a conta porque ambos somos brotos sem grana, você pra compreender, você pra fazer rir até chorar.

Você é como um filme, uma pessoa que não existe, um daqueles personagens que me fazem suspirar e querer voar. E eu sei que é você o garoto que sempre irei me lembrar, os outros foram só outros, você foi o meu broto, o meu italiano, o meu garoto coxão, o meu anarquista, o meu irônico, o meu amigo, o mais bonito, simpático, a outra parte do imã que existe (ainda) no meu peito.

E eu posso até soar prepotente aqui mais eu sei que você se lembra de mim e que eu marquei você de alguma forma, nada foi em vão. O beijo que nunca aconteceu, os meus rabiscos na capa dos seus cadernos, o meu estilo que você tanto gostava, minhas filosofias, as palavras bonitas ditas, dos meus abraços (raros), as minhas piadas, minha voz, meu perfume, minhas estórias e ideais que eram (e espero que sejam ainda) iguais aos teus. Nossos dias que viraram memórias, eu tenho certeza absoluta que eu não fui e não serei apenas um capitulo na sua vida, eu serei uma estória.

Eu serei vírgula e você o ponto final. Uma estória muito bacana, perfeita, um casal perfeito- eles diriam.
Somos perfeitos. Somos perfeitos porque nunca existimos, meu querido Marco.


p.s.
e se um dia a gente se encontrar, eu juro não atravessar a rua e te perguntar: “Heineken continua sendo a melhor cerveja do mundo?” e se eu tiver mais coragem eu pergunto porque não somos mais o que éramos.


Stay Beautiful,
PriiiG

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Verão

Quando chega o verão eu sempre tenho a mesma sensação de familiaridade e conforto de um jeito muito nostálgico, de modo que eu me ponho a pensar que o verão costumava a ser minha estação favorita há alguns anos atrás. E aí eu tento ver o motivo.

Eu me lembro da praia, um fundo musical agitado, roupas curtas, rapazes bonitos e minhas amigas e eu nos divertindo.

Era o começo do verão em minha calçada e quando passava o ano novo tínhamos janeiro inteiro na minha casa da praia e era tão bom!

Eram tantas risadas, fotos esquisitas, vídeos estúpidos e tanta felicidade. Felicidade por ser jovem, por ter a mente tão ampla e a cabeça tão oca.

Não tínhamos a necessidade de ser igual a ninguém naquela época do ano, não nos incomodávamos se nossos cabelos estavam lisos o suficiente, se nossas roupas estavam de acordo com nosso estilo e só queríamos passear e passear e passear.

Tomávamos sorvete o dia todo e o sol era um bom pressagio para nossa manhã, às vezes jogávamos algum jogo de tabuleiro e dormíamos tarde, pois ficávamos contando nossas historias por toda madrugada.

Lembro da risada da minha amiga e sua mala sempre desarrumada. Sinto falta do rímel e do brilho labial que usávamos todas as noites quando saíamos para flertar.

E tinham rapazes absolutamente fantásticos a nosso dispor quando quiséssemos e o modo que nos comportávamos com relação a eles era tão natural e com aquele ar de juventude que hoje já não temos, apesar de continuarmos jovens

Mas isso se deve a novidade de ser adolescente, creio eu. Era o inicio da nossa adolescência, aquela fase que você nunca esquece por ser feliz e descomplicada, quando você não é insegura, você pensa que tudo está em suas mãos, que por ser jovem você consegue tudo.

E acho que aí estava o segredo de ser feliz. Por ter essa sensação de que conseguiríamos tudo que quiséssemos nós realmente conseguíamos.

E eu me lembro de certas coisas que espero nunca esquecer e é por isso que estou escrevendo sobre elas.

Eu me lembro de um cara bonito que segurou minha mão em um show lotado na praia e nós nem nos conhecíamos, eu não fazia idéia de qual era o nome dele ou qualquer coisa assim.Eu me lembro do coração que eu fiz na areia com minhas amigas, em uma noite estrelada e em um cara bêbado tentando agarrar uma delas em meio à multidão de turistas. Eu me lembro das saias sumarias e dos estojos de maquiagem de todas nós

Eu continuo lembrando daquele cara sexy do short vermelho e o cara do Rayban que achamos tão charmoso.

E as cantadas? Continuo lembrando!

Lembro de caras passando e mexendo conosco enquanto mandávamos gravar em nossos chaveiros algo e eu escolhi “the doors” para presentear uma amiga. Todos aparentemente gostavam de Doors e aquilo foi mais que um pretexto para um inicio de conversa.Ou perguntas do tipo “ Você quer fanta, gatinha?” e eu rir e em seguida ir embora dizendo que preferia coca cola.

Temos tantas historias do verão, tantas experiências e por esse motivo é que nessa época do ano eu sinto todo esse conforto de lar, como se meu corpo estivesse esperando mais doses daqueles verões. E eu deixo vocês com esse pensamento sobre o verão, curtam ele, porque vocês se lembrarão dele no futuro.

Um bom verão para todos.

Spread Love!
- Tika Ripper

Made of Bricks—Kate Nash ( preferência para Shit song)
Fluorescent Adolescent – Arctic Monkeys