quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Lorsque rien ne se passe

Ensemble by Coeur de Pirate on Grooveshark
Staring at the bottom of your glass
Hoping one day you'll make a dream last
But dreams come slow and they go so fast


Há alguns dias um amigo meu escreveu uma coisa no Facebook e eu não consegui parar de pensar nisso até agora...

" 15 de janeiro às 12:40 · 
Tem dia que a gente acorda meio apático né? Não se sente feliz, nem triste, nem com vontade de rir e nem de chorar, nem com vontade de amar e nem de odiar, você apenas vive aquele dia, pois precisa passar por ele. "


Fiquei pensando em quantos dias durante o ano que são desse jeito e se for fazer a conta posso dizer que pelo menos metade dele é assim. 
Mas será que isso é ruim? Viver desse jeito é viver errado ou é não viver at all?

A quantidade absurda de filmes que assisto sempre me ensinaram que todos os dias você tem que conquistar o amor da sua vida, sofrer, correr atrás mais um pouco, entrar em uma perseguição de carros, aprender uma música nova, beijar e abraçar alguém, ter um jantar bem bonito, pular de um prédio, fazer novos amigos, tudo isso enquanto trabalha, estuda e arruma a casa, isso se a louça já estiver lavada é claro.


Mas dá mesmo pra fazer isso todos os dias? A vida é menor se não fizermos mil coisas nas 24 horas que nos é dada por vez?

Sempre bate aquela sensação de tempo perdido se você não faz algo realmente surpreendente do seu dia.
As vezes você só acorda, vai pro trabalho, vai estudar, volta pra casa e dorme.

A verdade é que a maioria dos dias não é surpreendente, talvez isso torne aquela meia duzia de dias lindos tão importantes.
Aqueles dias em especifico, que você fica a semana toda esperando pra chegar, seja pra ver o carinha que você gosta em segredo, ver o seu melhor amigo e encher a cara com ele (se o dinheiro der, senão a gente só tenta mesmo), encontrar aquela amiga que você não via há mais de um no meio de um monte de gente desconhecida, trombar um conhecido na rua no dia que você está o mais desarrumado possível, ouvir no rádio uma música que você jurava que já tinha esquecido. 

Não duvido que a vida seria muito melhor se todos os dias fossem surpreendentes e cheio de coisas boas, aqueles dias que mal da tempo de ouvir a música do Pharrell que toca até quando você abre a porta da geladeira ou a torneira, mas a verdade é que não é bem desse jeito e não há Sessão da Tarde no mundo que consiga nos convencer do contrario.
Acho que todos tem muitos dias neutros que não te trazem algo que você vá lembrar de verdade (todos menos a Miley Cyrus, certeza que ela cria uma história nova todo dia).

Não vou dizer que me orgulho dos meus dias neutros, porque eles não trouxeram nada pra me orgulhar, somente a vontade de continuar e me ajudar a aguentar a ansiedade na espera dos dias melhores, que por sinal parecem que andam com o freio de mão puxado a maioria das vezes de tanto que demoram pra chegar.

É nos dias neutros que somos o mais verdadeiro possível, seja com nossos pijamas velhos e pantufas surradas, ouvindo All About That Bass e dançando pela casa. Assistindo aquele seriado repetido e conversando o dia todo com as mesmas pessoas. 
Vendo as mesmas pessoas no ônibus/trem/metrô, preso no transito ou ouvindo gritos do chefe sobre exatamente a mesma coisa.
Talvez no mesmo bar da semana passada, com as mesmas pessoas e as mesmas bebidas.

Os dias neutros podem não ser os mais divertidos, os que dão as melhores histórias, as melhores piadas, as melhores viagens, mas é neles que nossos verdadeiros eu moram e é graças a esses 'eus' que nos encontramos nos melhores dias e fazemos da vida o que ela é, um playground gigante. 



Jessy Mclovin

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