quarta-feira, 26 de maio de 2010

julieta.


Não sei ser uma. Não quero me acomodar.

Há alguns dias atrás recebi essa carta que veio de muito longe, chegou numa segunda-feira enquanto eu estava esparramada no sofá assistindo televisão com minha vó. Acho que já a reli umas cento e dezenove vezes. A ficha ainda não caiu.

Começou tudo muito rápido, era uma conversa boba sobre um livro, depois foram mais conversas... Eu tinha acabado de terminar um namoro pra lá de estranho, então acabei de certo forma usando esse estranho como minha válvula de escape. E ele soube disso desde o começo.

Ele começou a moldar uma pessoa que eu realmente sei que não sou; uma Julieta.

Comigo sempre existiu duas medidas, duas alternativas, a realidade e a expectativa, nunca estive satisfeita com ninguém que conquistei. É engraçado isso, o meu copo nunca esteve cheio ou vazio, sempre pela metade.

Meu gosto musical, meus filmes e livros sempre serão os mesmos, minhas manias não. Mudo constantemente. Gosto e desgosto dele ao mesmo tempo. É o meu jeito, ainda não encontrei minha exceção, gostei e desgostei de todos os “ele” da minha vida, acho uma pena que por mais que ele acredite nisso ele não é minha exceção de qualquer forma.

No começo eu achava que ele era mais bastou um pequeno afastamento entre nós para eu me dar conta de que não era. Eu não sei se ele errou ao dizer que me amava, ou eu pensando que isso poderia ser verdade... Não vejo sentido uma pessoa se apaixonar por alguém que nunca viu. Ele é assim.

Ele sabe o que me dizer, afinal, quem não gosta de elogios? Ele sabe me comparar com as pessoas certas, admirar minha beleza, meu gosto musical, meu relaxo com meus cabelos pretos e minha falta de delicadeza e escrúpulos. Eu gosto dessa parte dele, a perspicácia dele; ele sabe quando eu preciso de certas palavras ou quando preciso falar de futebol depois do trabalho.

Mais é apenas isso.

De certa forma, eu também fui a válvula de escape dele. Não acho isso ruim, mas ele me usou para mudar seus pensamentos, sua maneira de expressar seus sentimentos, a maneira de ver as garotas. Eu me sinto culpada por isso (me sinto mesmo), mas de alguma forma eu acabei fazendo com que ele gostasse menos dela, a garota dele, a que estava lá antes que eu. Por mais que ela tenha tentado falar sobre o “amor” deles pra mim, eu sei que isso não existe mais entre eles. Ele se moldou em cima de mim, corrigindo: ele moldou-se para mim.

Mais não é o suficiente, nunca é o suficiente quando você não sente o coração bater descompassado.

Já me afastei dele, já pedi para que ele seguisse em frente com ela ou sem ela. Mais ele sempre volta pra mim, de uma maneira ou de outra. Dessa vez ele voltou em forma de carta. Eu penso o porquê dele gostar de mim. Converso com as pessoas e elas sempre me perguntam “o que você fez com ele?” e eu simplesmente digo “nada”. Fui eu mesma.

Só que ele se apaixonou por mim e acha necessário deixar isso bem claro. Eu acho necessário também sempre dizer pra ele não largar a garota dele por causa de mim, porque eu sei que isso não vai dar em nada... Ele vai perder quem realmente gosta dele, por uma garota que ele criou uma expectativa em cima. Tenho medo de que um dia ele me encontre e sofra, tenho medo de não ser o que ele pensa que sou. Eu tenho medo de viver a realidade enquanto ele continua vivendo a expectativa.

Não quero magoá-lo. Jamais. Só Deus sabe o quanto quero o bem dele, parei de enganá-lo com minhas palavras bonitas por isso mesmo. E o quanto eu me afastei dele, ele sabe disso muito bem. Não estive presente como ele, sempre vivi essa história à margem.

Ontem assisti (500) Days of Summer pela 119ª vez com meu tio-o-que-gosta-de-smiths. Depois do filme contei toda a história para meu tio, que a ouviu quieto e depois disse pela 119ª vez que por mais que eu tenha um pouco de cada personagem dentro de mim, no final, eu sempre serei mais Summer a Julieta. E ele me aconselhou, “cai fora antes que isso piore”.

No fundo, sou egoísta demais para querer cair fora disso. E não conseguiria dizer adeus a ele nesse momento da minha vida, em que estou tão feliz comigo mesma, com todos meus planos dando certo. É isso mesmo, não quero falar que o que não começou está acabado, eu ainda quero descobrir por que ele gosta de mim e por que eu fui me envolver com ele.

Eu sou bipolar, tripolar. Tenho medo de descobrir como ele é, e se ele não for como parece ser? Ele me é um desconhecido, eu gostei de um desconhecido. Mais agora a história já se estendeu demais, e eu mudei meus conceitos e manias mais uma vez, eu sei que isso pode soar cruel mais é a mais pura verdade. Ele quer os rótulos, eu não quero. Ele já cogitou muitas vezes que eu sou a certa, a mulher ideal... Nessas horas eu vejo o quão garoto ele é. Só me senti assim por uma única pessoa. Minha hora ainda não chegou, eu ainda estou na fase 2 mal vejo a fase 3 ainda.

Por mais bipolar que eu seja, eu sei que não gosto dele e o estou enganando. Acho que qualquer dia desses sou capaz de levá-lo para beber uma cerveja e dizer que não o quero mais, que não quero começar a tê-lo. Que o quero apenas como amigo, por que eu gosto dele como meu amigo, quase como um primo, como um conhecido que sabe conversar sobre coisas boas. Apenas isso. Acho que o enganei e enganei a mim acreditando que esse afeto que sempre senti por ele, um dia fosse o suficiente para me envolver completamente.
Afeto nunca é o suficiente.

Já disse isso a ele, e acho que escrever mais uma vez nunca é demais.... Talvez a carta guardada na minha gaveta tenha sua resposta... Uma resposta que sei que ele sempre soube. Eu não sou a exceção dele. Ele não é a minha. Eu sei, ele merece alguém melhor que eu, alguém menos bêbada, menos relaxada, alguém que escreva melhor sobre o amor, que escreva sobre o amor que sente por ele. Eu não sei escrever sobre isso e no fundo eu sinto muito por isso.

Eu queria poder gostar dele como ele gosta de mim, tudo seria muito mais fácil menos complicado se eu me acomodasse a essa situação... Mais eu quero ser como a Liz Lemon (Tina Fey) de 30 Rock no episódio “Don Geiss,America and Hope“ e dizer o mesmo que ela disse ao Wesley (Michael Sheen) “não quero me acomodar a isso, pensando que não terei mais tempo para encontrar alguém”. (foi algo assim).

Eu sei muito bem que ele não deve se acomodar a mim somos jovens demais pra isso, a fase 2 acabou de começar. Eu ainda quero continuar tomando meu vinho, saindo, encontrando alguém e colocando a cabeça no meu travesseiro feliz comigo mesma, por ora isso é o suficiente pra mim. E o mais importante não quero que ele se prenda a alguém como eu, ele merece uma Julieta do século XXI, não uma mistura de Summer, Alice, Isabella, Charlotte, Celine, Juno, Claire, Laura...

Eu queria ser como a garota dele que não faz parte de um “nós” e sim de um “eles”, uma nação unida sem falta de senso... Ela é uma Julieta certa.
Eu não. Sinto muito.

Stay Beautiful.
PriiiG
p.s. da narradora:
isso foi um desabafo.
ouvindo: regina spektor/kate nash. Sempre tão sábias.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Happiness is only real when shared


As pessoas encaram a tristeza sempre a algo ruim ou evitam ao máximo, sendo que, sem a tristeza não saberíamos o que é felicidade, assim como não saberíamos o que é amor sem a existência do ódio.

Os sentimentos foram feitos para serem explorados e precisamos sentir todos eles para sabermos dar valor até mesmo a felicidade.

Portanto, acredito que é preciso coragem para encarar a tristeza de perto, para assim podermos dar o verdadeiro valor da tão disputada felicidade.

A prova disso são aquelas pessoas que tem tudo o que precisa pra viver e mesmo assim não são felizes.

A felicidade não é o único sentimento bom de que precisamos, e sim o mais fácil e prazeroso de lhe dar, e por conta disso o mais requisitado.

A tristeza nos traz de volta a vida real, e isso é muito importante.

Covarde é aquele que tem medo de encarar a realidade, e a realidade é que não podemos ser felizes o tempo todo, pois estamos em estado de aprovação e precisamos aprender a lidar com nossos sentimentos.


texto de: Rony MacCaco. Já que ele deixou eu postar, aqui está

domingo, 2 de maio de 2010

Gostei do seu charme e do seu groove






Eu me lembro de você e me lembro de uma camiseta do The Cure... De repente várias outras memórias aparecem juntas a essa como se todas estivessem amarradas com um fio de barbante.

Estava frio, você com um casaco roxo e seu tênis mad rats. Você estava sempre atrasado e eu sempre estava te esperando, eu com unhas vermelhas para chamar sua atenção e você com o seu cabelo adoravelmente bagunçado.Você chega, eu espero dois segundos e vou correndo te ver. Você apenas coloca suas coisas na cadeira e em seguida se vira pra mim e abre os braços esperando o encaixe dos meus braços.Você não sabe, mas aquele foi o abraço mais gostoso da minha vida.
Essa é a segunda lembrança...

Está frio e ficamos de braços dados descendo a rua. Eu estou o tempo todo me convencendo de que você é apenas meu amigo, apenas meu amigo, apenas meu amigo. Você provavelmente diz alguma coisa e eu respondo com sarcasmo como eu sempre faço.Respostas sarcásticas ainda me lembram do modo que você reagia as minhas. Você sorria e balançava a cabeça. Eu lembro direitinho.

Eu falando sem parar sobre qualquer assunto enquanto você olhava para a minha boca. Eu paro, olho para você com mais atenção tentando adivinhar o que você tanto olha e você disfarça.

Eu digo que dá para saber que alguém mente pelas pupilas dilatadas, você tenta provar minha teoria e nós começamos a nos olhar nos olhos um do outro mentindo sem parar, esperando por uma confirmação que nunca veio.

Você perguntando algo, eu sendo grossa e me arrependendo logo em seguida. Morrendo de vontade de pedir desculpas, mas nunca pedindo.

Eu te achando tão estranho sempre me encarando, você me olhando enquanto eu discutia sobre Smiths com um amigo que adora a banda, eu te vendo com a camiseta do The Cure e falando “boys don’t cry”, você perguntando se eu gosto e eu dizendo que não.

Eu bolando intermináveis maneiras de dizer que te amo e me acovardando na última hora... Nem lembro se me despedi, acho que te abracei e disse “até mais”

Nossa trilha sonora sempre será Raindrops da Regina Spektor, Quelqu’un m’a dit da Carla Bruni, um pouco de MGMT e temo que um pouquinho de Smiths(Você disse que sempre se lembra de mim porque eu sou a única que você conhece que não gosta de Smiths.)

Nossos filmes sempre serão: O Clube da Luta, A bela Junie, Os sonhadores e As canções de amor.
Nossa bebida sempre será Del Valle de uva, aquele que parece vinho sem álcool!
Nosso lugar sempre será aquele degrau atrás da padaria

E eu nunca vou esquecer você, nunca vou esquecer nada disso que é tão nosso e que agora acabou... Ou que nunca nem ao menos começou.



Eu sou a Nancy e você é o Sid que me esfaqueia sete vezes.

Eu não sou nadinha a Summer.Quem dera fosse.


Três da manhã pensando em você. Acabei de assistir o 500 dias com ela e está tocando Sinceramente do Cachorro Grande o que me lembra da sua promessa de se manter sóbrio no show que a gente nunca se encontrou.


Tika Ripper

segunda-feira, 26 de abril de 2010

E já são quase cinco horas da tarde...


Já me senti feliz ao acordar cedo, entusiasmada para fazer algo novo. Às vezes com medo do que o dia me trará.
Já passei manhãs estudando com minhas amigas e escrevendo bilhetinhos em papéis que mais tarde eu guardei em minha caixinha de lembranças.
Já busquei olhares interessantes em multidões enquanto o sol castigava minha cabeça e às vezes meus olhos.
Já disse que amava alguém durante uma tarde em um e-mail improvisado e cheio de sentimentos, mas tão vazio de palavras... Já recebi um “eu te amo” de ‘recompensa’ e passei o resto da tarde chorando em meu quarto.
Já observei um final do entardecer com pessoas queridas debatendo razões da vida enquanto o céu, tingido de laranja, ria de nós.
Já sonhei acordada enquanto via as ruas da minha cidade no começo da noite. Como eu gosto da minha cidade quando anoitece!
Eu já vi um céu lotado de estrelas, já desejei que alguém especial estivesse olhando para o céu no mesmo momento que eu.
Já fui dormir com meu corpo feliz, mas também já escondi os soluços de choro no meu travesseiro.Já acordei diversas vezes no meio da madrugada sentindo que algo estava faltando e só lembrando o que era depois de uns três segundos e em seguida tentei dormir novamente.
Já tive medo da morte enquanto tentava dormir.
Já tive medo da vida enquanto acordava.
E eu nunca sei terminar com dignidade nada que eu escrevo, nada nunca mudou.


Spread Love
Tika Ripper 


**Ouvindo Death Cab for Cutie **

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sobre Alice.




Nossa realidade e nossas interpretações.

Não sou boa em desvendar mensagens em estórias (principalmente da Disney), mais desde que eu tinha uns 9 anos e já sabia ler muito bem, ganhei um livro desses com várias estórias da Disney, tinha todas, desde Pocahontas a Bela e a Fera- uma das minhas preferidas. E eu lembro que eu nunca gostava de ler Alice no País das Maravilhas, nunca entendia muito bem qualé a mensagem de toda a coisa.

Depois de um tempo, eu comecei a sacar as coisas, saquei os meninos, o coração batendo descompassado quando o garoto bacana entrava na sala, as notas vermelhas na escola, os beijos, os nãos, o sofrimento, a alegria e depois o ódio. E foi nesse tempo, nessa descoberta, que eu realmente entendi Alice no País das Maravilhas- e desde então, o nome da minha filha,se um dia eu tiver uma, será Alice. E as personagens de algumas estórias minhas são Alice-, Alice é sobre a adolescência- e depois de um tempo, quando eu sabia o que era internet e Google, eu pesquisei sobre isso e descobri que Alice é o que passamos na adolescência- , sobre os altos e baixos da vida, sobre escolhas, entendem?

Alice corre atrás do Coelho Branco, sempre tão pontual e impecável. Eu me questiono se na vida real corremos atrás do tempo, ou ele é quem corre atrás de nós, para tentar ajustar os ponteiros de nossas dúvidas,encontros,burradas, alegrias diárias. Ou se somos nós que o perseguimos para consertar algo ou apenas viver mais, buscando mais intensidade, mais aventura nas coisas mais mínimas de nossas vidas. Assim como Alice que persegue o Coelho e acaba no País das Maravilhas, onde ela começa seus altos e baixos, como na adolescência, a entrada súbita, algo inesperado, uma fase que acabamos lutando para finalizar, Alice encontra sua missão, seu destino, como nós aqui em cima, no mundo da realidade que enfrentamos cair em diversos buracos pra tentar achar alguma maravilha.

Absolem, a lagarta azul, a sábia. Como aquela(e) amiga(o) que recorremos quando as coisas ficam pra lá de feias, quando precisamos de algo como uma visão, palavras do que fazer no futuro, os melhores conselhos regados de bebida e nostalgia.


O chá que nunca acaba, a rotina que nos deixamos cair, esperando por algo que nos livre de tanto monotonia, descobrir o sentido nas coisas que parecem tão sem sentido às vezes. Não saber quem somos, confrontar-se no espelho com o cabelo sem pentear, camiseta do Pink Floyd e gritar pro seu reflexo “quem é você e que porra cê ta fazendo?”.

E enfim, quando descobri todas essas coisas e fiz relação com minha problemática adolescência eu contei tudo pra minha mãe, que me olhou horrorizada e perguntou se eu estava sofrendo tanto de amor assim por alguém. E eu disse que não, que sofrimento é coisa passageira, e que amor é cheio de altos e baixos, assim como a relação de Alice com o Chapeleiro Maluco- e isso aqui pode soar pra lá de nojentinho, mais eu sempre achei o Chapeleiro um puta pretendente, nunca o imaginei velho como nas ilustrações e agora, vendo o cara ser interpretado pelo Johnny Depp com olhos pra lá de verdes é pra fazer qualquer idiota sorrir banguela -, ora Alice está alto demais para o Chapeleiro, ora está baixa demais. E talvez vocês digam que a relação é apenas de amigos, e eu até acredito nisso, porque até amigos vivem em montanhas russas, enfrentando diversas coisas chatas e alegres, desencontros e encontros.

E quando somos jovens demais- como eu nesse dia 21 de abril- tudo parece ser muito alto e baixo demais,incrivelmente perto e longe ao mesmo tempo, todas nossas relações amorosas enfrentam turbulências e vôos calmos, onde não encontramos nenhuma garota(o) roubando quem amamos, nenhuma aeromoça está balançando os braços freneticamente e tudo parece tranqüilo mais de uma ora pra outra entramos numa nuvem e tudo meio que fode, saca?

A juventude é um campo de batalha, um jogo de xadrez, uma partida de baralho, um raciocínio constante como num cubo mágico.

O que eu quero dizer é que nossa vida, nossa juventude pode ser não ser lá um país das maravilhas com Chapeleiros Malucos com olhos freneticamente verdes e gatos fofos com nomes de cidade, mais um dia, um tropeço, um palavra dita mais alto, uma canção, um esbarrão podem nos levar ao tal país das maravilhas. E aviso desde já, que o país das maravilhas têm lá suas crises, assim como na vida real, onde nada é perfeito, e nos ferramos bastante pra conquistar alguma coisa, mais não custa tentar...e se mesmo tentando não der certo, nós nos permitimos raxar o bico depois.

Assim como Alice que pode ser uma estória interpretada de diversas maneiras, nossa vida também pode ser assim. Alguns podem me ver pela rua e pensar que eu tenho namorado e fumo, outros que não namoro e bebo muito, outros que sou antipática mais beijo bem...eu posso encontrar você pela rua e imaginar o que você pode estar pensando enquanto olha para o nada, o que você sente quando coloca as mãos nos bolsos da calça, o que você escuta nos fones de ouvido, eu posso imaginar toda a sua vida só olhando pra você, posso te interpretar da maneira que eu quiser, eu moldo, crio e exibo a mim mesma aqui dentro, na minha galeria de pensamentos.

A vida serve pra isso, ser retrata, interpretada da maneira que quisermos, assim, como Alice no País das Maravilhas que pode ser interpretada da maneira que cada um quiser, pode ter a moral que cada um quiser. Qualquer conto, estória fictícia- desde as com vampiros a Jesus casado com Madalena- carrega um “quê” de real, pois cada um tem o direito de ter a realidade que quiser.

Ou seja, o que eu quero dizer realmente, é que acreditar em livros, em contos, estórias fictícias e em garotas chamadas Alice caindo em buracos enquanto seguem um coelho branco é algo muito válido, pois no final, essa “ficção” toda que vemos em bibliotecas, estantes, quartos e salas carregam a realidade do mundo, carregam você, eu, meus pais, seus pais, o meu porteiro, o seu melhor amigo, seu cantor preferido. Carregam nossa vidas com a realidade que quisermos.



Stay Beautiful.
-Today how color are better for u?

p.s. da narradora:
tô gripada mais estou viva. sou brasileira e desisto sim, às vezes. eu tenho um namorado, eu fumo, sou antipática, bebo muito, beijo bem e não tenho um namorado,e não fumo,e não sou antipática, e não bebo muito. ainda penso numa realidade pra mim.

ouvindo crocodile’s clock_bob’s song/música/the ribbon/homem de lata

PriiiG

quinta-feira, 8 de abril de 2010

É um cuidar que se ganha em se perder...

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

(Camões)



O amor é realmente grande como nenhum outro sentimento. Você percebe isso quando diz ‘eu te amo’ sem esperar nada em troca, sem esperar um ‘eu também te amo’. É só que de repente você se dá conta de que essa sensação está tão grande dentro de você que não há nada demais dividi-la e deixar a pessoa amada saber que é amada.
Eu me enchi de coragem e finalmente disse a ele que o amava que ele é especial pra mim, que não importa se ele não corresponde porque ele tem alguém no mundo que o ama pelo que ele é.
Dizer a alguém esse tipo de coisa é atípico meu porque eu vejo muitas pessoas que dizem “eu te amo” o tempo todo não sentindo nunca o que significa dizer isso a alguém. Elas classificam tudo como amor e banalizam uma palavra que deveria ser reverenciada e usada com extremo cuidado. Eu não sou assim.
Algumas pessoas me acham tão boba ao dizer isso “Ah como é jovem, nem sabe o que é o amor.” E eu sinto vontade de gritar que eu sei sim, que eu não sou imprudente! Existe dentro de mim um coração “novo” que ama alguém de verdade. Ser jovem não é sinônimo de inconsciência, imprudência e estupidez. Talvez mais pra frente eu diga novamente essas três palavrinhas, mas nunca será com o mesmo sentimento que eu carrego hoje.
Desculpem-me por ter dezoito anos e alguns meses, desculpem-me se eu sou inexperiente, desculpem-me por amar e dizer isso cheia de medo e insegurança e desculpem-me por dar a cara a tapa sentindo pela primeira vez o que é amar alguém e o que é se declarar a alguém.


Depois de muito tempo sem conseguir escrever e consequentemente sem postar nada aqui, eu voltei. Estava com saudade *.*
**Ouvindo The Cure: Just like heaven**

Spread Love
Tika Ripper

terça-feira, 30 de março de 2010

quase que 18


dancing at discos, I got music, coming outta my hands and feet and kisses


Eu quero livros, os mais belos, os mais coloridos, os mais românticos, os mais engraçados e os mais tristes. Quero filmes, dos mais dramáticos, dos mais clássicos, quero rever “Sindicato dos Ladrões” sem nunca me cansar, quero rever todos os meus filmes.

Eu quero que meus amigos me tragam cores,livros e filmes. E muita, muita música.

Mais uma tatuagem. Mais um amor não resolvido. Mais e-mails,cartas, ligações atendidas e perdidas no celular, café, all star, cintura alta, cabelos pretos e bonitos.
Batom vermelho, unhas lixadas e pintadas, muito rímel e sombra preta.
Muitas noitadas, muitos shots de tequila, muita cerveja e rock n’ roll, muitas dancinhas feitas por mim e toda a legião de amigos meus.

Quero sorrisos, os mais belos sorrisos.

Quero mais tempo com a minha família, brincar de bonequinhas da internet com a minha prima, fazer traquinagem com todos meus primos, assistir filmes pela madrugada com meu tio, ouvir a voz da minha vó de manhã, meu pai do outro lado do telefone, minha mãe sempre jovem aos sábados.

Não quero restrições, nem brigas, nem aviões caindo. Quero melhorar meu inglês, aprender francês e deixar de ser um pouco míope. Quero a felicidade de todas as minhas pessoas; família, amigos, colegas, amigos distantes, vizinhos bonitos, professores, cobradores gentis e porteiros simpáticos.

Quero fotos, muitas fotos, coloridas, preto e branco, do passado e do presente e muitas do estilo “espontaneidade forjada”.Quero sorvete, taças de vinho. Quero mais dias ouvindo música deitada na cama, mais dias comprando coisas e construindo coisas, amizades.
Quero ir mais a praia e ao interior, quero muito mais tempo na urbanização, visitar parentes do outro estado, aroma de narguilé aos domingos com meu tio.

Quero mais tempo, bexigas, cd’s, fones de ouvido, anéis, brincadeiras, segredos, sacanagem, besteiras. Quero frio pra ficar horas e horas debaixo das cobertas. Quero mais tempo com James Dean e Marlon Brando. Quero conhecer rapazes que me lembrem eles. Nada de italianos. Dias atuando como tiete.

Quero dias de fossa, dias de loucuras, dias de expectativas e dias de realidade. Não quero diários, nem dores de cabeça e muito menos, atrasos. Aceito decepções amorosas (apenas amorosas, não aceito qualquer outro tipo de decepção), beijos roubados, beijos tímidos e beijos beijos.
Aceito pedidos de desculpas, aceito brigas, balas de goma e não, não aceito chocolates. Aceito paçoquinhas e segredos. Aceito reviravoltas.

Quero que me escrevam livros, estórias, histórias, poemas, cartões, recados, cartas, depoimentos, mensagens de texto. E se alguém, um dia, quiser escrever sobre mim eu aceito com um dos meus sorrisos.

Quero sentir saudade e matá-la com muita facilidade, lágrimas, momentos nostálgicos e neuróticos. Quero shows baratos, quero pagar meia entrada em tudo, quero andar mais de metrô e estudar algo bacana, minha cara.

Não quero ser popular, quero ver todos os filmes que quero ver no cinema, quero criticar, quero rir até meu estomago doer. Quero gritar, continuar falando alto e muitos, muitos palavrões. Acreditar mais nas pessoas e em contos de fada.

Não quero pegar ônibus cheio, quero perfumes, nada de jóias. Não quero ser barrada, não quero mentiras, quero churrascos e futebol.

Quero mais motivos, mais manias, mais palavras, mais amigos, mais encontros. Mais dias nerds jogando ps3 com meu tio. Quero manter meus lindos amigos e amigas, continuar sentindo saudade deles todos os dias. E sempre sentir falta da minha casa.

Quero o Brasil campeão da Copa, mais filmes 3D e menos MPB. Mais blues e jazz, menos pintinhas pelo corpo, mais lugares favoritos.

Quero ver mais pessoas que moram tão longe de mim, quero evitar saltos altos, quero mais delicadeza, dias chuvosos e dias para usar meu cachecol vermelho e meus óculos escuros.
Quero ironia, malícia e sarcasmo. Não quero ex-namorados de volta, nem dores nos rins, nem ficar sem dinheiro.

Mais um porre, mais férias e mais um amor não resolvido, mais borboletas no estomago. Mais café, menos refrigerante. Mais conversas longas.

Quero receber toda a felicidade do mundo, quero que me desejem muitas coisas boas, quero muitos beijinhos e cajuzinhos, mais tempo assistindo novela com a minha vó, mais filmes de terror na companhia da minha prima, mais dias de preguiça, menos frescura mais atitude.

Quero ser mais bacana e continuar sendo chata, quero ser um pouquinho de tudo, não quero crescer, quero manter meus 38 no jeans e 34 nos pézinhos. Mais cortes de cabelos e mais tinta preta nele. Ser uma pessoa mais presente e conseguir demonstrar que amo muita gente. Não quero e-mails sobre bichinhos mortos ou fome na áfrica (eles me fazem chorar), não quero escrever sobre política e nerdices, pois eu não sei, simplesmente não sei.

Criar um pouco de vergonha na cara, tocar mais violão, escrever mais e beber menos. Ler mais. Sorrir mais. Aprender a escrever com a mão esquerda, mudar a assinatura e parar de chorar um pouquinho nos filmes.

Suspirar quando for preciso, ficar eufórica quando der na telha, cantar alto, guerra de almofada com meus tios e tias. Beijocas no priminho, menos mau - humor. Mais dias de ócio, mais antenada menos alheia.

Ficar calada em muitos momentos sérios, não sofrer quieta, não julgar, não obrigar e nem manipular. Fazer apenas o que eu quiser.

Menos tempestades em copo d’agua. Quero que me achem bacana, amiga e bonita. Quero que me queiram por perto,mais moda, menos fanatismo.

Escrever sobre coisas inteligentes, parar de sair de casa com roupa mal passada, comer mais verduras e beber mais água, mais caretas, menos garoa, mais vento. Não quero ver minhas pessoas sofrendo.

Quero 18 anos bonitos, classudos, bêbados, musicais, literários, frenéticos, cinéfilos, dramáticos, exuberantes. E quero passar esse ano com todas as pessoas que realmente me amam.
E ah sim! Quero me lembrar desses 18 pra sempre.
Olá 18! Essa sou eu.

P.S. da narradora:
Quero acordar com uma chuva de confetes e muita gritaria,quero todas as minhas pessoas perto de mim,quero sorrir muito e quero lembrar desse dia pra sempre.
You’re all so beautiful.
JJP

terça-feira, 23 de março de 2010

Entre domingos, músicas e copos de vinho

[Após um mega vexame no fds]

Na terça-feira acordo pra mais um dia de trabalho, abri meu e-mail e dei de cara com isso.

Ela me permetiu postar aqui se assim eu desejasse...e acreditem, eu desejo.

Vou literalmente dar (Ctrl + C) (Ctrl + V)

Uma das donas dessa casinha escreveu isso em homenagem ao domingo de 21 de Março.

então antes desse post realmente começar já dou meu tchau. Pois esse post não tem nada de meu

xoxo

@JessyMcLovin





Ass: para a McLovin, que realmente é lovin, bem lovin. HAUHAUHA

De: (JJP)?!

Enviada:

domingo, 21 de março de 2010 23:06:29

Para: Jessy McLovin

Só pra constar; não gosto de ver as minhas pessoas sofrendo (amigos, colegas, família), eu sofro pra sempre no lugar delas pra não vê-las sofrer. Você, é uma delas, e por mais que isso soe bicha, te ver naquele estado no parque não foi bom.

Delete.

Um texto sem nexo e muito avulso num domingo.

Não gosto de nostalgia nem de ver alguém preso a ela.

Eu tenho os dias sofrimento, aqueles em que bebo vinho enquanto faço panquecas pra depois fazer meu tio comer todas. O motivo do sofrimento? Procurar o passado. E o passado, muitas vezes dói, um namoro mal resolvido, os cinco meses terminados brutalmente, o que nunca aconteceu e até o término de um namoro que hoje eu penso se realmente devia ter terminado. Solidão enlouquece (aha)

Mais eu nunca tinha percebido que eu fazia isso, sabe? De correr atrás do sofrimento.

Hoje, vi alguém se desmanchar por isso. E entre um “só sofre quem quer” e outro “ta sofrendo porque procurou isso”, me dei conta que eu mesma faço isso. Que eu tenho momentos nostálgicos que acabam comigo. Que existiram corações que me aprisionaram de tal forma que hoje me sinto perdida quando os encontro por ai, é claro, caçando-os por ai, entre um e-mail e outro e um bar e outro.

Nostalgia de momentos ruins é uma merda. Sofremos por algo que nunca se apaga, por algo que sempre vamos correr atrás. Mesmo que na superfície dissemos “olha não gosto desse cara” “olha a calça dele” “como pode existir alguém tão ridículo assim?!” quando o face to face acontece, as pernas ficam bambas e a solução é se apoiar em um ombro magrelo- mais amigo- e num copo de vinho.

A nostalgia fica ali, em cima do palco ou dançando com outra, beijando outra, rejeitando seus e-mails e ligações, rejeitando seu beijo. Nostalgia traz passado e existem passados que merecem ser deletados da nossa mente.

Hoje, eu quero dizer que todas nós que um dia passamos por essas recaídas vamos ficar bem. Lá em algum canto, numa hora, num lugar, esse passado será passado. E um novo amanhã, mais bonito e apaixonante nos dominará. Viver de passado não compensa. Viver a vida, o agora, isso sim compensa. E eu sei, que isso soa auto-ajuda, mais até eu mesma sei ajudar alguém e a mim mesma num domingo.

Muitos deixaram saudade,mais sabe? Eu estou bem assim, sem esses corações problemáticos. Prefiro seguir tomando vinho, sentindo cheiro de cigarro, gritando palavras de baixo escalão num parque e mandando todos esses corações pra puta que pariu.

Porque sim, no final de tudo, nós estamos bem. (mesmo sendo domingo)

p.s. da narradora

esse texto é pra amiga que sofreu hoje. Mais que sabe que isso é passageiro e no final o que importa é mandar o dito cujo se foder e continuar bebendo vinho, sem se preocupar com o sol e a banda ruim tocando no parque.

And yes,stay beautiful.

(ser e esquecer)

segunda-feira, 22 de março de 2010

#Edição 28



-Boa noite- disse a Fátima lá na sala.
Nessa noite, prometo que serei breve, nada de estórias confusas e amores dissecados.
Hoje, eu, uma das JJP, venho agradecer pelo “Decepção não mata, engorda” estar no ar ainda, levando sofrimento e alegria aos nosso caros (as) leitores (as). Agradecer também as duas pessoas que me convidaram pra fazer parte do “Decepção não mata, engorda”, que são gurias lindas por fora, por dentro, verticalmente e horizontalmente. Acredito que vocês duas não sabem o quão bem escrever pra esse blog me faz. Ninguém me entende tão bem quanto esse blog.(aha)
E dar os parabéns a nós todas, o “Decepção não mata, engorda” completou 3 meses, com estorinhas/historinhas, palavras lindas, cheias de amor, tristeza e um tiquinho de nós todas.
Mais meses, mais palavras, mais visitas. O “Decepção não mata, engorda”, é nosso lar.

“Quero uma casa sem paredes, assim, todo lugar que eu estiver será minha casa”
(Jonathan Safran Foer- Extremely loud and incredibly close)
p.s. da narradora:

You’re all so beautiful.
PriiiG

quinta-feira, 11 de março de 2010

A princesa fugiu


- eles disseram.

Ela, a loira mais bonita de toda a Brasília, andava pelas noites atrás de alguma aventura. Cansada de tantos afazeres, tantos sorrisos convencionais, ela queria algo novo, só por hoje.

Rímel, sombra preta, batom pink, calça preta nova, camiseta branca, jaqueta e salto alto, uma modelo nada convencional andando pelas ruas escuras de Brasília.

Avistou uma danceteria, sentiu-se a maioral por poder olhar com cara de desdém ao segurança enquanto ele conferia seus 23 anos no rg. Entrou, foi direto ao bar, primeiro shot de tequila. O DJ tocava uma musica que ela nunca ouvid, ela ouviu o barman dizer que era o “som dos caras de sampa, o som do “restos de nada””. Ela achou o nome patético, aliás, ela achava tudo um pouco patético, espelhos, escadas, a sua fuga para uma noite desconhecida em Brasília.

Ela tinha pavor a paulistas, amava os gaúchos e simplesmente não se importava com os cariocas, fumava (muito) e prometia todos os dias que aquele seria o ultimo cigarro fumado escondido no escritório atrás da planta na cozinha, mais depois de quinze minutos lá estava ela fumando mais uma vez e outra vez.

Gostava de cerveja preta, detestava vinho e garotos loiros e com olhos verdes. Ela gostava mesmo era dos garotos normais, os “punks” que na verdade eram filhinhos-de-papai e faziam moicanos espetaculares pra ganhar as menininhas e mostrarem para os pais que eram garotos únicos que mudariam o mundo – e não é que os filhos da puta mudaram mesmo?

Enfim, a música acabou, ela já estava na terceira cerveja preta e olhava pra pista procurando algo novo. Uma nova música, pessoas cantando com as mãos para o ar enquanto dançavam pateticamente na pista. Desistiu e foi ao banheiro.

Sujo, feio e cheio de garotas vestidas como ela, outras princesas fugitivas- ela pensou.

Uma das garotas puxou assunto enquanto ela lavava as mãos na pia suja, seu nome era Cláudia “mais podia chamar de Claudinha”, ela sorriu, seria bom ter uma “amiga” nessa noite.

As duas então começaram a conversar sobre tudo, música e filmes, nada de livros pois as princesas não gostavam de ler.

-Minha vida cabe num copo plástico, Cláudia- a princesa disse.

A amiga riu dela e pensou que era mais uma garota mimada na busca do próprio eu, todos ali eram assim. A cidade na noite tinha essa morbidez, essa anarquia, essa busca por algo que ninguém sabia.

Foram pra pista, dançar como os outros e rir um pouco de si mesmas. A princesa que já tinha perdido a conta de quantas cervejas tinha tomado, avisa a amiga que vai ao banheiro. Cláudia diz que vai esperar a princesa ali na pista mesmo.

A princesa então vai passando pelas pessoas, às vezes pisando nos pés de algumas, lutando contra a própria cegueira do álcool. Ela tropeça pra dentro do banheiro, tudo gira e ela adora a sensação do mundo girando e de não poder sentir seus pés direito.

Acende um cigarro, vai tropeçando entre as pessoas até o bar, pega duas cerveja, uma preta e uma clara pra-sua-nova-amiga-claudinha. No caminho até a pista, a princesa então é empurrada e derruba as cervejas na calça preta nova, fica puta e prepara um “cacete” pra soltar quando vê quem a empurrou, um punk, muito brasiliense com olhos castanhos. O punk, pede desculpa e ela acha isso muito digno vindo de um punk.

Ele se oferece a pagar mais cervejas pra ela, ficam lá no bar mesmo, Cláudia agora dança sozinha na pista, conversam, ela ri como há muito tempo não ria com um garoto.

Eles se beijam, dão uns amassos no canto escuro do bar. Ela encontra Cláudia e avisa que vai embora.

Ela e o punk trocam telefones, ele a acompanha até a casa dela. Não entra. Um beijinho tímido de boa noite e promete que vai ligar pra ela no outro dia. Ele dá alguns passos e volta até a princesa que dá uma gargalhada. Eles se beijam ofegantes e ela tem o insight “nunca mais vamos nos ver mesmo”. Mais ela será uma exceção.

Ele liga, conversa alheia no telefone, risadinhas, saem pra almoçar juntos, ele vai sem o moicano e com roupas normais e a princesa gosta disso.

Passam a se ver todos os dias, de domingo a domingo, mais conversas, mais sorrisos, . E depois vão a algum bar semi-vazio, depois na sinuca, no motel de beira de estrada, na missa, no restaurante, caminhar no parque, assistir tevê um na casa do outro, no cinema, no supermercado, no museu, na praia no Espírito Santo aos fins de semana, em toda e qualquer cama.

Anos depois, a princesa e o punk (que não é mais punk, agora, ele é básico e curte jazz), se casam. Ambos com carreiras profissionais, carros, contas no banco, apartamento que compraram juntos, dois filhos e o carinho mútuo interminável. E a cerveja preta na geladeira.

E quase sempre antes de dormir, sob os lençóis e abraçadinhos, eles se lembram de como se conheceram e falam sobre destino em sincronia, sobre como tudo têm significado e que a vida, pode, sim, ser maravilhosa.

Seria mesmo foda.
A verdade é que a princesa ao tropeçar no cara-punk-de-olhos-castanhos disse “cacete”, o fuzilou com os olhos e saiu andando em direção ao banheiro, xingando “deus e o mundo” por ter caído cerveja na sua calça preta nova. E depois voltou à pista e depois de vinte minutos partiu com Cláudia para uma festinha em um apartamento de uns caras de uma banda nova. E o punk-de-olhos-castanhos continuou lá, com todos seus amigos punks, menosprezando deus e mundo.
É, teria sido mesmo foda.

P.S.
Não tô pra finais felizes hoje. Roubei a cerveja preta da minha mãe que estava na geladeira. Ouvindo “The Story of The Clash. vol 1 nos fones, pela 5ª vez seguida.
Aaah, as noites de verão.
Ame um punk hoje.
You’re all so beautiful.
PriiiG