quinta-feira, 5 de agosto de 2010

heartbeat radio

eu não fumo-eu disse.



Se tudo der certo, eu me caso com você e prometo fazer cookies todos os dias.

Se tudo der certo, começo a usar mais vestidos porque você gosta das minhas pernas, não brigo mais com você por seus atrasos, nem quando você fumar demais contanto que você não brigue quando eu beber demais. Você compra um apartamento pequeno pra nós e eu pinto as paredes dele de laranja, dormimos num colchão jogado no chão, respirando meus livros e seus cd’s.

Se tudo der certo, você me buscará no trabalho quando estiver chovendo e vai me dar um beijo terno sem se importar se estou molhada e com a maquiagem borrada. Me servirá vinho quando eu estiver estressada e beberemos cerveja gelada juntos quando estivermos felizes demais porque pagamos todas as contas e sobrou dinheiro. Não brigaremos, mas eu sentirei ciúmes de qualquer uma que vá chegar perto de você. Serei sempre sarcástica e te ensinarei a ser também, verei futebol com você desde que você jogue vídeo-game comigo.

Se tudo der certo, aos domingos iremos ver o mar e almoçar na casa da minha mãe. Ouvirei Beatles enquanto você faz o almoço, você escutará Clash enquanto eu lavo o banheiro. Você não me acompanhará nas compras, mas vai prestar atenção quando eu te mostrar tudo o que comprei e depois soltará um comentário sobre eu estar nadando em dinheiro. Eu comprarei as suas roupas porque você não tem paciência pra isso, então, você comprará meus livros e filmes.




Se tudo der certo, continuarei obcecada por você gostar das mesmas coisas que eu e me compreender tanto assim. Você gostará da minha família e dos meus amigos. Você passará a mão em meus cabelos todos os dias antes de dormirmos e ficará brabo quando eu cortá-los. Enquanto eu faço as unhas você assiste ao jornal imitando a voz do jornalista só pra chamar a minha atenção e me fazer rir.

Se tudo der certo, antes de eu acordar você irá comprar o jornal pra mim e trazer pães quentinhos, e quando eu me sentar à mesa você colocará Elvis porque sabe que Elvis me faz sorrir. Se tudo der certo, eu vou pra Paris contigo e te dou filhos nerds. Você me ensinará a gostar de surpresas. Adorarei suas expressões e você minha mania de mexer nos cabelos. Me sentirei bem quando você acender um cigarro pós transa e dizer que ama a sua garota e me envolver com seus braços. Só me sentirei segura em seus braços, sempre terei medo do escuro e você sempre irá me proteger disso.

Se tudo der certo, você falará de política por mim e eu de livros por você, iremos ter longas discussões sobre qual é o álbum melhor daquela banda que tanto gostamos. Você não gostará do meu café e eu do seu arroz. Eu brigarei com você quando você cantar alto demais enquanto toma banho e você brigará comigo quando eu começar a ver novelas.

Se tudo der certo, você juntará as moedas que caem dos meus jeans quando os tiro e colocará tudo na minha carteira, você tirará minhas sandálias quando eu estiver acabada por tê-las usado e eu dobrarei as roupas que você joga pelo chão.

Se tudo der certo, mudaremos para o centro da cidade e você dará sua opinião sobre tudo o que escrevo. E eu que não entendo nada do teu trabalho te escutarei por horas reclamando dele com atenção e direi que tudo ficará bem. Você gostará do jeito como os palavrões saem da minha boca, não gostaremos de elevadores nem soluços nem vizinhos brigando. Gostarei do seu jeito de rir, da sua cumplicidade, da sua insistência de não levar guarda-chuva, da maneira como você ajeita os óculos em meu rosto e quando me avisa que meu batom está borrado. Você gostará dos meus all star e minhas tatuagens. E eu gostarei do teu cabelo e das suas mãos.

Se tudo der certo, você pedirá para eu usar aquela camiseta que não uso há muito tempo. Você me beijará todas as vezes antes de sairmos, só pra borrar meu batom vermelho e depois soltar que estou linda mesmo. Você irá rir quando eu tentar insinuar alguma coisa pra você e falhar, quando eu sentir vergonha e quando eu disser que o amo depois de reclamar do seu arroz.

Se tudo der certo, você apenas me abraçará em silêncio quando eu começar a chorar, você terá paciência quando eu pausar o jogo porque quero comer. Você será minha melodia e eu a história toda da sua vida.

Se tudo der certo, você gostará do jeito que balanço os pés antes de dormir e eu da sua respiração enquanto dorme. Eu gostarei da sua classe e do nosso jeito blasé. Você gostará do jeito que gesticulo enquanto falo e eu do teu silêncio enquanto vemos o mar.

Se tudo der certo, teremos nossas madrugadas nostálgicas, às sextas-feiras sairemos com nossos amigos e as terças-feiras você inventará algum jantar em casa sem eu saber. E eu te obrigarei a ir ver aquele filme ruim só porque tem um ator bonito. Você não irá me poupar de nada porque sabe que eu sou esperta e agüento tudo, não seremos românticos demais. Vou gostar da tua mãe e falar de futebol com teu pai (porque você sabe que eu entendo do assunto).

Se tudo der certo, nossos filhos cresceram ouvindo nossos cd’s e vendo os nossos filmes. Uso salto só pra você dizer que minhas pernas estão bonitas e você usará aquela sua jaqueta preta porque sabe que eu sempre suspirei vendo você nela. Você me grava cd’s bons porque sabe o que eu gosto de ouvir em certos dias.

Se tudo der certo, você cuidará de mim quando minhas pedras nos rins atacarem. Você será tudo aquele que sonho desde a fase 1 da minha vida. Você não será apenas um porque quando eu precisei de alguém você apareceu com uma cerveja. E quando você precisou de alguém eu te comprei um maço de cigarros.

Se tudo der certo, escrevo a nossa história e ganho algum dinheiro com ela, compro uma vitrola, metade da Avenida Paulista e jogo fora meu all star verde velho.

Então, se você aparecer por aqui e perguntar, eu respondo sim, muitas vezes sim.

p.s. da narradora:

mas se tudo der certo, eu me caso mesmo com você.

belo texto para uma quinta-feira gelada em são paulo.


Stay Beautiful,

@PriiiG

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Geladas



Créditos para a talentosa @kuro_n3ko que mais uma vez deu o ar de sua graça contribuindo com um texto exclusivo para nossa adorada casinha!
xoxo @JessyMcLovin



Música do post: You shook me all night long (AC/DC)


O vidro da garrafa de cerveja estava gelado, gotas de água escorriam por sua superfície esverdeada, um círculo líquido manchava a madeira escura da mesa, mas não que alguém fosse se importar muito com isso. O som das risadas e cantoria desafinada acompanhava a música no rádio, rock antigo, da época em que usar preto e tocar guitarra era sinal de rebeldia.

A fogueira improvisada no quintal dava uma coloração alaranjada a cena, como se fosse uma fotografia velha. Cadeiras de praia, bancos de plástico ou mesmo cobertas e blusas dobradas na grama serviam de assento, e aqueles que cantavam não se importavam com o amanhã.

Não ligavam para o fato de estarem no parque de trailers abandonados, de serem jovens e terem que decidir o próprio futuro num piscar de olhos, pouco pensavam no fato de precisarem comparecer no trabalho sadios e com sorrisos nos rostos.

Eles só queriam continuar lá, cantando, conversando, relembrando os tempos em que tudo era mais fácil e darem muitas risadas, queriam que a cerveja nunca acabasse, que o repertório fosse infinito e as pilhas do rádio durassem pra sempre. “Hey cara, vamos juntar a galera e tomar umas geladas!”, os relógios foram proibidos, dizer a hora seria o mesmo que blasfemar perante algo sagrado e o nascer do sol não significaria que a diversão teria fim.

Amizade se baseia nisso. Nos pequenos prazeres da vida, em festas improvisadas em quintais com fogueiras e materiais altamente inflamáveis perto da mesma, cantorias desenfreadas e despreocupadas em conjunto, piadas a respeito de acontecimentos ruins que já passaram, piadas sobre mim, sobre você, sobre as desgraças da vida. Amizade não são as roupas que você compra, as pessoas que as vestem, os lugares que você freqüenta com as mesmas, os drinques que você ingere, os carros que você dirige.

Amizade é se divertir sem nem precisar gastar dinheiro, é alugar um filme, chamar os amigos e não prestar atenção nele, é marcar de fazer alguma coisa e mudar os planos na última hora, é aparecer sem nem saber que foi convidado e ainda ser bem recepcionado, é correr para pegar o ônibus e dar risada dentro dele, é ir na casa dos amigos tomar alguma coisa na sexta e voltar só no domingo.

É rir e chorar ao mesmo tempo e rir mais um pouco por se dar conta do seu estado, é ter alguém pra te fazer perceber isso, é cantar AC/DC e imitar as dancinhas, é falar alto na sessão de cinema vazia, é fazer amizade com atendentes de redes de fast food, é ir ver um filme ruim e fazer piada durante isso, é ir fazer compras e puxar assunto com os vendedores, é tirar sarro de pessoas longe de você, é falar sobre tudo e todos, desde filosofia até o dia em que você quase morreu por estourar uma porta de vidro com a testa. Amizade não é um produto, é uma parte muito importante da vida da gente e muitos parecem não se dar conta disso.

Colegas nós temos vários, mas amigos você consegue contar em uma única mão.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Um post...

Eu postei esse texto a pouco tempo em outro blog e por algum motivo senti vontades de colocá-lo aqui.
O post chama-se "Você não mora mais aqui". Espero que gostem...





Começo esse post repetindo:Você não mora mais aqui.

Eu nunca pensei que a vida te afastaria de mim desse jeito, mas foi exatamente o que aconteceu.

Eu, na verdade, nem sei o que aconteceu. Fico pensando, pensando e no fim me proponho a esquecer já que não adianta nada remoer uma situação dessas.

Que situação? Deus, o que aconteceu?

Você estava aí e de repente não estava mais.Começou a fazer coisas que são tão atípicas suas, começou a me magoar com suas atitudes e pareceu de propósito. Juro que pareceu ser de propósito. Seus recados tão escassos apenas me comunicando como se não fosse nada demais "Olha estou ferindo você, mas foda-se." seus telefonemas(que telefonemas?) sua presença (que presença?) e aquele espanto meu, aquela decepção. O que sobrou de você? O que fez você fazer tudo aquilo?

Admito que a culpa não é só sua. Não estou dizendo que você é uma má pessoa. Jamais diria isso, pois você é uma ótima pessoa, mas de repente essa maldade toda me envenenou. E é, exatamente, assim que me sinto.Envenenada por você, pela sua lealdade quebrada. Meu espanto tornou-se horror e o horror transformou-se em apatia.

E é por isso que apenas tentamos uma aproximação que não acontece. Parece-me que estamos forçando algo. O nosso sentimento era tão natural e agora nós somos pessoas desconhecidas.Eu penso que talvez deveriamos começar do zero, mas eu preciso de um tempo longe de você e acho que quanto mais o tempo passa mais distante ficamos.

Vejo, então, que estou em uma encruzilhada. Forçar nossa amizade está nos afastando e ficar longe nos afastará do mesmo modo então... Eu não sei o que fazer.

Quem dera eu soubesse o que fazer!






Sejam bonzinhos.





Espero que fiquem bem...

Tika Ripper

quarta-feira, 21 de julho de 2010

De pseudo nem um pouco.

Só quando atacamos de escritores é que vamos descobrindo os talentos para todo tipo de gostos que existem por ai.

Nesse post: Apenas um dos poemas do - Everton Madeira

Hope you guys enjoy it.
xoxo
@JessyMcLovin



Em busca da felicidade (ou algo que a faça menos valiosa)

E há ainda aqueles que dizem
Que é simplória a felicidade
Na tristeza é que eu enchergo algo simples
Ausência da alegria

Paredes brancas é tudo o que vejo
O livro da capa vermelha é meu único amigo
E mesmo com o atípico gosto pessoal
Morgana ainda assim prefere a monocromia
Sou apenas mais um a dizer:
Quem diria!

Metanóia não é algo que todos alcançam
Como para alguns passado é passado
Pra outros, o que reina é a nostalgia

E por falar em coisas efêmeras
Talvez eu cite o eufemismo
Um truque a se usar
Em triunfantes horas de cinismo.

No final o que vale realmente a pena
É ver que os coelhos
Usaram mesmo os dois tiros
E a recompensa a se ganhar
Não é só sangue;
E nem mesmo o vinho.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Amigos queridos

Esse blog foi feito a partir do pensamento de três amigas que cansadas de tantas desilusões resolveram juntar todas as decepções em um espaço só.

Três amigas.

Essas três amigas têm mais muitos amigos e são tão dependentes do dia da amizade como se ele fosse um aniversário que o grupo tem em comum. Digo aniversário porque hoje eu acordei com essa sensação de querer fazer uma festa. Quem me conhece sabe que odeio festas, mas hoje, em especial, queria uma festinha cheia de balões e docinhos e queria juntar todos os meus amigos e abraçar um por um.

Eu sei que é um clichê dizer isso, mas o que seria de mim sem vocês? Será que eu teria me vestido bem para ir naquela festa se não fosse por você, Drica? Em quem eu teria me apoiado quando aquele garoto me desprezou e escolheu outra, Dai? Será que eu ouviria Cachorro Grande e dançaria feito uma louca se não fosse você, Jessy? Será que as coisas mais bobinhas teriam tanto significado para mim se não fosse você, Pri? Eu saberia que é a partir dessas coisinhas que as pessoas são felizes? E você, Madeira? Meu amigo, meu amor... O que seria de mim se eu não houvesse te conhecido?


Vocês são a extensão de quem eu sou, vocês são as minhas pessoas queridas. Nada que eu puder escrever aqui definiria ao certo todo meu amor, carinho e lealdade por todos vocês.

Amigos queridos, eu amo vocês!


Ps: Este texto não chega nem aos pés do último texto desse blog que trata do mesmo assunto( nem poderia ser melhor já que quem escreveu foi uma das 'minhas pessoas queridas') . Eu só sei que é meu dever mostrar a todos dessa 'casinha' a minha gratidão por ter bons amigos na minha vida. É por causa deles que eu acredito em Deus e também acredito em mim mesma.


Sejam bonzinhos.

JJP

a aventura está lá fora



mmmbop, ba duba dop


Porque mudamos. Porque partimos e voltamos. Porque os lugares não são os mesmos, assim como nossa idade no rg. Porque duas horas no trânsito ou dentro do trem mata qualquer vontade de querer ir pra DJ Club. Não temos mais tarde para perder fazendo bolos e preparando festas surpresas, comemorar num bar é mais prático. Não existem mais sextas assistindo cento e dezenove filmes na minha sala, hoje é um cinema durante a semana. Porque não gostamos mais da mesma maneira que gostávamos antes. Todos os apelidos.
Todas as fotos. Garrafas de vodka, tequila e coca-cola. Latas de cerveja acumuladas no canto da casa da praia. Por que não vamos mais à praia?

Todas as pré-estreias que fomos, os filmes que choramos, criticamos e o ator que colecionamos fotos e notícias. Livros, filmes e cd’s compartilhados. Almoços e jantares, ou um lanche rapidinho. Doces e caixas do chiclete que ardia. Inocência. Tardes de sábado dentro da igreja. Cumplicidade. Estantes abarrotadas de mangás, livros, dvd’s e cd’s. Segredos guardados até hoje. E-mails pedindo desculpas, marcando cinemas, praias ou uma mera passadinha aqui em casa. Ataques nerd. Todos ouvindo Hanson e vendo Friends.


Minha antiga casa. O quintal. O morro.


As brincadeiras que nós incrementamos. Brigas, muitas brigas, que eram resolvidas meia hora depois. Imitações. Gargalhadas. Músicas. Churrasco. Danças em volta da piscina. Torta na cara. Guerra de beixiga. Nossas famílias. Beijos. Abraços. Natal. Ano novo. Violão. Banda. Perdas. Lágrimas. Cantoria.

14 anos. 15 anos. 16 anos. 17 anos. 18 anos. Eight night. Todos dormindo pelo chão da sala. Shows. Acordar ouvindo a mesma música do Bon Jovi. Tentar esconder e não conseguir. As histórias sobre nossos dias de escola contadas no café da manhã. Narguilé. Ligações das mamães preocupadas.


Atrasos. Nossos cabelos que não são mais os mesmos. A fase 1 que já se foi há muito tempo. Faculdade, trabalho e msn. Sair às sextas-feiras sabendo que trabalhamos no sábado. O “não” nunca existiu para nós. As manias. As nossas roupas. Onde foi parar aquele nosso all star surrado? Perdidos em São Paulo. Cantar The Strokes alto. Histórias absurdas contadas num ônibus.


Despedidas. Histórias frenéticas. Carteira de habilitação. Novos planos. Endividados. Presentes. Fazer nada juntos. Lembra do tempo que achar uma banda nova era a vida acontecendo? Hoje, nos encontrar é a vida acontecendo.

Onde a gente se perdeu? Por que o tempo nos afasta às vezes?

Não podia ser como na época que não fazíamos nada e eu morava mais perto e víamos todo mundo todos os dias? Era tão mais fácil, todo mundo reunido na pequena sala dos Cestaris falando ao mesmo tempo, rindo, enquanto uns pensavam sobre uma futura praia, outros num Hopi Hari, uns ficavam no computador vendo vídeos, outros tirando sarro e outros reclamando do calor.

Podíamos ser o grupo de amigos que nunca se afastariam por causa de novas prioridades. Mas é ai que está a graça, porque sempre voltamos uns para os outros quando é preciso.
Ninguém fala “eu te amo”, mas todo mundo sabe que nos amamos e que nunca na vida nos sentiremos tão bem como nos sentimos quando estamos todos juntos morrendo de sono jogados no sofá.
Porque somos necessários, porque só nós entendemos nossas piadas, nossos dilemas e histórias. E porque eu deveria saber terminar esse texto, mas ao invés disso, vou ali dar um abraço nas minhas amigas e dar risadas.



Stay Beautiful,PriiiG

p.s. da narradora:
Feliz dia do amigo (a) para todos esses indivíduos que fazem meus dias serem sempre melhores.
E impossível não pensar em “I'll be there for you when the rain starts to fall. I'll be there for you like I've been there before. I'll be there for you 'cause you're there for me too”



ouvindo: the strokes_

sexta-feira, 16 de julho de 2010

the last time i saw you


primeiro dia de aula.


Eu gosto de escrever sobre você, sinto que sempre tenho tanto o que falar sobre nós dois, nós que estamos fora da nação sem senso algum. Nós que não somos bonitos, nem gostosos, nem populares, mas com conteúdo... Não que sejamos mais inteligentes (qualé, olha nosso histórico escolar, nossas notas em matemática), mas as pessoas nos taxaram assim, porque não víamos razão para nos enturmamos nas rodinhas de shopping-bundas-sexo.
Então, apesar de tudo, eu ainda escrevo sobre você, eu sei que já escrevi que eu não gostava de você e nem você de mim, mas você sabe que isso é uma das maiores mentiras minha e eu não minto bem. Então, sim, eu ainda lembro de você e sinto falta de você quando quero falar sobre política.

Eu disse aqui que Julho seria um mês bom para todos nós, e acredito que esteja sendo... Claro, que na primeira semana eu já tive uma grande decepção, mas isso é história pra outro dia, não é algo digno para se contar nessa noite fria de julho.
Estava eu com a minha caneca do Superman cheia de chá quente, ouvindo Cat Power e precisando escrever alguma coisa que não fosse sobre o garoto do interior. Lembrei então de você e do nosso período longe um do outro nas férias de julho.

Foi estranho não te ver todos os dias, não ir à biblioteca e trazer uma pilha de livros pra você ficar dando sua opinião, não sentar ao seu lado... Mas é puro exagero, pois nos falávamos quase todos os dias pelo msn.
E ai as férias acabaram, agosto entrou abruptamente e eu ainda me lembro do primeiro dia de volta às aulas. A primeira aula era de geografia e estávamos no laboratório fazendo alguma coisa e eu tinha chegado atrasada, descabelada e com meu all star branco surrado. E você estava lá sentado com sua blusa verde e jeans surrado e eu não sentei ao seu lado, sentei lá no fundo com as minhas amigas.
A aula de geografia como sempre, se arrastou... E eu queria logo nosso canto no fundo da sala. O sinal tocou, eu muito atrapalhada juntei minhas coisas e joguei dentro da mochila e quando me virei você estava lá, daquele jeito desengonçado que só você sabe ser.
Soltei meu “e aí” clássico e você me abraçou, dizendo “saudade de você, broto”.
Você me abraçou de uma maneira que nunca tinha me abraçado, na verdade, nós nunca nos tocávamos. E eu que não sei abraçar pessoas gostei de estar abraçando você, porque era você, o meu amigo acima de tudo, o que gostava dos meus cabelos descabelados e das minhas camisetas de banda rasgadas.

Dia 23 vai fazer dois meses que eu te vi, naquele domingo frio, parado ali do outro lado da rua esperando o sinaleiro fechar. E eu estava descabelada e usando aquela bolsa que você adorava, e você me viu no meio dos carros. E você me olhou nos olhos, e seu olhar teve o mesmo efeito que sempre causou em mim, é como se ele entrasse na minha cabeça, visse tudo o que tinha pra ser visto e saísse, deixando apenas uma risadinha e uma bagunça. E eu sei que causei o mesmo em você, porque você desviou o olhar. E eu continuei olhando.
O sinaleiro abriu, os carros pararam e lá no fundo eu ouvia Cachorro Grande e você vinha andando em minha direção e eu sabia que poderia dizer “e ai” e você se lembraria de tudo, mas não o fiz. Vi o Marlboro acesso na sua mão esquerda e continuei a andar apenas mantendo o olhar em você e sentindo seu olhar em cima de mim. Mas quando nos passamos, eu não virei a cabeça. Suspeito que você também não. E aí eu sorri. Porque lembrei de tudo e foi fácil.
Lembrei das nossas conversas sussurradas atrás das estantes de livros na biblioteca, você me mostrando bandas novas, minhas baquetas que você roubava para fazer malabarismo, nossos depoimentos, nossas capas de caderno rabiscadas uma pelo outro e do seu silêncio, é, sinto falta do teu silêncio.
E sabe o que é melhor? É que eu não fiquei deprimida por lembrar de tudo, das nossas semanas juntos, nossas conversas infinitas sobre o nada, porque a sua lembrança agora é uma coisa boa, sua ausência não dói mais.
Viu como eu estou diferente por fora? Cortei meus cabelos, mas continuo descabelada e usando meus all star surrados, agora carrego uma tatuagem nas costas e vou fazer a do V de Vingança no ombro semana que vem e lembra que você sempre dizia para eu fazer o V em algum lugar do meu corpo?

Eu sou a mesma garota que você conheceu, a diferença é que agora eu atravesso a rua ao mesmo tempo que você mas eu não olho mais para trás para ver a sua reação e nem desvio o olhar.
E nem fico lendo e relendo nossos e-mails mais, agora eles ficam jogados lá minha caixa de e-mails esperando coragem o suficiente minha para apagá-los. Comecei a viver minha vida de novo há muito tempo. Você também não esqueceu. Mas como eu, continua vivendo sua vida.

E essa lembrança do nosso primeiro dia de volta às aulas, é e sempre será uma lembrança doce sua... Agora, nós dois já suportamos o espaço entre nós, certo? É a nossa última lembrança que tenho e espero que esse seja a ultima coisa que escreva sobre nós.

Vou lembrar sempre de você, quando eu cometer loucuras e filosofias, você vai estar lá, em algum lugar da minha mente. Você, seus cigarros Marlboro, seus impropérios, seus jeans surrados e suas manias desengonçadas.
Porque é exatamente essa a diferença entre você e o garoto do interior; ele é só um cara. Você não.
Te vejo por aí, broto.



p.s. da narradora:
ingredientes para inspiração numa quinta gelada: chá quente dentro da xícara do superman, se não tiver chá sirva vinho, mas aquele vinho que borbulha na garganta e te faz esquecer o que quiser.



Let’s get drunk now,
PriiiG

ouvindo: cat power_

terça-feira, 13 de julho de 2010

De boêmio a filósofo em segundos

É fato consumado que quando bêbados se encontram coisa boa não sai.
Mas também é fato que quando pessoas se reúnem em uma mesa com copos na mão, lá moram os segredos da vida.

Lá tem de tudo.
Alegria, tristeza, cálculos (não só na hora de pagar a conta), sentimentos, raiva, stress, risadas e a verdade.
Afinal uma pessoa bêbada é incapaz de ser falsa.

Isso costuma acontecer comigo com freqüência. Pois disponho de muitos boêmios em minha vida.
Cada um de um jeito.
Cada um de seu belo jeito de ver a vida.
Alguns são otimistas, outros nem tantos.
Alguns criam teia de aranha nos cotovelos por ficarem muito tempo encostados apenas bebendo.
Mas ainda assim, eles são as melhores pessoas que já conheci.
Muitos deles exageram, outros passam dos limites.

Alguns acham que o amor existe, outros que ele é uma mentira.
Alguns tiveram seus corações partidos e outros têm o seu coração longe.
Alguns nem mesmo tem um coração.
Alguns têm seu coração gigante, no tamanho de uma criança linda de 2 anos e meio.
Outros tiveram seu coração tatuado no pulso. Acharam que ia durar para sempre, mas o tempo provou o contrario.

Alguns tiveram motivo para desistir, mas continuam tentando.
Outros têm suas coisas em caixas, e alguns ainda dormem na casa da mãe.

Sentam juntos para conversar sobre tantos problemas, mas os pensamentos voam tão alto que acabam esquecendo sobre o que era a conversa.
É nessas horas que alguns admitem o mau gosto musical que tem, outros contam suas histórias e outros se tornam a alegria da festa.

Em uma mesa de bar você encontra o universo em segundos. Mas você não percebe isso, pois também está nela.

E como eu sei de tudo isso?
Eu sou aquela sóbria sentada no canto. Que nunca bebe o suficiente para fazer bobeira.
Aquela que segura na mão do irmão bêbado de 33 anos e o leva para casa pois ele ia pelo caminho errado.
Ou que carrega o pai bêbado até a barraca no acampamento pois ele perdeu o jogo e teve que beber tudo que tinha.
E que ri muito quando vê todos esses roncando pois beberam muito e que depois fica muito irritada por não conseguir dormir com tantas pessoas roncando do seu lado.
Mas também sou aquela que senta com as amigas e toma alguns shoots de tequila e canta musicas aos berros.
Que conversa com estranhos sobre HQ’s no bar. E às vezes não quer voltar tão cedo pra casa.


Não acho que bebida seja a solução e sim, acho que ela faz mal.
Mas se você acha que sua vida está repleta de pessoas ruins, sente em uma mesa de bar e entenda sobre o que estou falando.


Sua vida só será bela, quando você cruzar com as pessoas certas.


- Em homenagem as melhores pessoas da minha vida.
xoxo
@JessyMcLovin

domingo, 11 de julho de 2010

Trabalhando em um bom título

Após eu muito insistir, a talentosa Bia Paz (@Kuro_n3ko) escreveu uma fábula para fazer parte da nossa querida casinha.
Então aqui está sua criação.
Hope you guys enjoy it.
xoxo

@JessyMcLovin


"Tempo, tempo mano velho
Falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Tempo, tempo mano velho
(...)
Tempo amigo seja legal
Conto contigo pela madrugada
Só me derrube no final"



Tempo


De que adianta o “era uma vez” se o final não vai ser feliz mesmo? De que adianta toda uma narrativa cheia de floreios se o que na verdade eu quero dizer não é nada bonito?

Essa é a história de um romance que não deveria nunca ter acontecido.


O meu romance.

O romance com o meu Mago do Tempo.

A minha luta contra o relógio e contra o meu próprio metabolismo, contra os meus pelos, odores e sentimentos. Essa história não é a do tipo que vai mudar a sua vida ou te fazer refletir sobre a condição atual do mundo ou da sua vida amorosa, você provavelmente deve estar vivendo o seu sonho encantado com um príncipe que você acha que nunca precisa ir ao banheiro e provavelmente deve achar a vida uma coisa maravilhosa, um espetáculo diário e de graça.

Pense de novo queridinha.

O tempo passa e você vai ficando velha.

Velha e sem graça.

Mas tudo bem, você escolheu por continuar a ler certo? A desgraça de uns é a felicidade e o conforto dos outros não é isso o que dizem? Tudo bem, ria de mim, pode rir. Mas lembre-se:

Um dia você pode estar no meu lugar.

Ele era diferente, ele sabia mudar o tempo, ele era dono do tempo. Podia ir e voltar quando bem quisesse, podia seguir em frente ou retroceder a quantidade de passos e anos que desejasse. Ninguém podia desafiá-lo, ninguém podia derrotá-lo, ele era dono do nosso bem mais precioso. Poderia trazer a nossa glória.

Assim como poderia trazer a nossa ruína.

Ele era o Mago do Tempo, o temível e poderoso Mago do Tempo, não tinha medo de nada e nem de ninguém. Muitos guerreiros tentaram inúmeras vezes vencê-lo, mas quando se tem total controle das horas, um combate de dias vira uma irrelevância de segundos e a vontade de se sair vitorioso de nada importa quando se tem em mãos a manipulação do relógio.

O rei estava desesperado, as damas choravam em agonia, sumiam uma atrás da outra, voltavam velhas, desgastadas, cinzas e grisalhas. A beleza e sensualidade de antes davam lugar a feiúra e isolamento. Os homens praguejavam, o Mago do tempo estava roubando suas filhas, esposas, netas e sobrinhas. Nada conseguia atingí-lo, magias, palavras, espadas, flechas, poções, nada. Nem mesmo a poderosa serra da Lenhadora que odiava o Amor abriu uma ferida em seu corpo e a pobre mulher foi fadada ao esquecimento e solidão eterna.

O Mago ria do terror que causava, e se quisesse repetí-lo era só mover os ponteiros do bonito relógio de bolso que carregava, um relógio feito com o ouro dos deuses e cujas engrenagens continham pedaços dos fios da vida que ele pessoalmente roubara das três parcas que tecem o Destino dos pobres mortais. Um relógio cujos números eram feitos das pedras mais brilhantes e preciosas já encontradas na história dos Imortais, cuja corrente conectava-se diretamente ao trancafiado e solitário coração do Mago.

Ninguém podia tocar naquela corrente feita de veias, sangue e ódio. O Tempo era a única coisa na qual o Mago confiava, o Tempo era o seu único amigo e companheiro, o único que nunca o decepcionou ou o traiu, o Tempo é manipulável, dobrável e pode ser o que o Mago bem quisesse.

Para ele não existia Relatividade.

Não existia limite.

Não existia nada.

Ele era livre.

Livre e sozinho.

Ela sofria com o reinado de terror do Mago, os sorrisos desapareciam conforme os ponteiros trocavam de lugar com os dias e os anos, as pessoas se escondiam e ninguém mais pedia seus conselhos ou palavras, ela estava enfraquecendo junto do resto do reino. A pequena e valente Sabedoria estava morrendo e se não fizesse algo rápido, teria sua existência tirada de si para todo o sempre.

O Mago gargalhava ao ver suas maldades se alastrando pelo agora destruído reino, movia seus ponteiros para ver a desgraça acontecer até que ficasse cansado de tanto rir. A inocente Sabedoria subiu o Monte dos Ventos em busca da Lenhadora mas sua antiga amiga havia caído no esquecimento perdendo-se dentro de si mesma, repetia sempre a mesma frase do mesmo jeito, como se estivesse presa a uma cena horrível.


“Eu não te amo. Eu não te amo. Eu não te amo.
Veja, esculpi nossos nomes numa árvore, os contornei com o formato do coração, o coração que eu dei pra você.”


A Sabedoria chorou ao ver o quão danificada estava sua querida amiga, mesmo não podendo, sentiu raiva e o desejo de se vingar. Aquele Mago sem coração estava matando a todos e não fazia a menor ideia de que aquilo poderia acabar com ele mesmo, o uso do relógio em demasia o exauria cada vez mais, logo se sentiria fraco e cansado.

Logo ele precisaria dormir.

E então o tempo pararia.

E todos ficariam presos até o Mago acordar, presos num sono eterno.

Presos num pesadelo sem fim.

Ela pulou de nuvem em nuvem até alcançar os enormes portões que a separavam dos domínios do terrível Mago, o céu escurecia dando lugar a estrelas brilhantes mas que não tinham vida, eram apenas receptáculos sem luz própria criados para entreter o dono do Relógio quando o mesmo estivesse entediado. Sabedoria abriu caminho por entre pergaminhos antigos e livros novos, caminhou por entre relíquias do passado e descobertas do futuro.

O Mago estava a roubando para si.

Ele estava roubando todo o conhecimento do mundo.

Ele estava roubando a Sabedoria.

Com os olhos cansados e vermelhos ele encarou a invocada oponente com desdém, soltou um riso de deboche, ele tinha o poder de tudo, ele sabia de tudo. Ela de nada poderia fazer contra ele, ele tinha o controle do Tempo, ele possuía do Relógio, sem ele, o mundo não seria nada e sem o Mago, não havia entidade capaz de ordenar e controlar o Tempo.

Isso era o que ele pensava.

A jovem e paciente Sabedoria esperou até que o maldoso vilão notasse sua presença, mas de nada adiantou, ele só se preocupava com o seu mais precioso bem, admirava a corrente feita de veias que pulsava a cada tic-tac, mirava os números e ouvia os fios se embolando nas engrenagens e virando uma coisa só. Ela respirou fundo e desrespeitou um de seus principais fundamentos.

Ela agiu com impulsividade.

E arrancou o Relógio do peito do Mago.

O terrível vilão gritou ao ver o peito sangrando, haviam ferido o seu coração novamente e novamente ele não sabia o motivo, tudo que ele sabia era que doia, doia muito. Uma dor profunda e interminável, o sangue escuro jorrava e a calma Sabedoria observava conforme a corrente antes pulsante perdia seu movimento gradativamente até virar pó.

“Por quê? Por que você fez isso? Ninguém me machuca! Ninguém!” - bradava o Mago ferido no chão segurando o buraco em seu peito.

“E quanto a mim? E quanto a sabedoria que eu espalhei através dos anos e da história? Você acha que não está me machucando a cada furto que comete? A cada semente de medo que implanta nas pobres pessoas desse reino? Quem está matando é você!” - respondeu a jovem com o Relógio em mãos.

“Eu tenho o poder do Tempo! Eu posso fazer o que eu quiser! Se eu não ficar contente posso voltar e deixar as coisas do jeito de antes! Devolva o meu Relógio! Eu preciso dele para viver!” - implorava o agora injuriado Mago, sua voz enfraquecia e os olhos começavam a secar, logo ele viraria a Areia do tempo e voltaria para a Ampulheta.

“Você sempre foi muito sozinho, sempre se machucou por nunca poder ter amigos. Todos eles pertencem ao seu domínio, todos eles ficam velhos e morrem, mas eu não. Eu sou a Sabedoria e eu preciso do Tempo, do mesmo jeito que o Tempo e você precisam de mim” - o Relógio tremia conforme a jovem o colocava na mão de seu dono. A ferida feia e o sangue escuro desapareceram assim como as trevas que residiam no coração do Mago.

“Eu nunca tive um Imortal ao meu lado, perdoe-me eu não vi o que fazia, não tive ciência suficiente para perceber que você é uma parte importante de mim. Peço que não se zangue comigo, prometo consertar as coisas e fazer tudo certo dessa vez” - o Relógio antes dourado era agora branco e o ceu estrelado ganhara a vida que havia perdido, os receptáculos explodiam dando lugar aos pontos de luz que lá pertenciam. O Tempo voltava a fluir como antes.

“Não estou zangada, você ficou cego pelo poder e pela solidão, ninguém merece ficar sozinho por tantas eternidades. Vou ficar do seu lado contanto que nunca deixe de precisar de mim.” - e pela primeira vez o Mago sorriu.

“Te deixo me acompanhar se prometer sempre ser necessária pra mim.” - e então o Morro dos Ventos soprou novamente, a beleza das damas retornara e o esquecimento da Lenhadora foi tão grande que ela não mais odiava o Amor e sim o protegia. Os guerreiros mortos nas batalhas travadas contra o Mago voltaram para suas filhas, sobrinhas, netas e esposas. O rei despertou do seu estado de desespero contínuo e a Sabedoria teve a seus pertences espalhados pela história novamente.


Quando disse que essa história não teria um final bonito eu não menti, eu morri por ele, eu fui tragada por ele, fui violada e furtada. O Mago do Tempo me machucou e me feriu, tanto por dentro quanto por fora.

Não há Sabedoria no mundo que consiga por lógica a um sentimento tão poderoso e letal.

O Amor me matou.

O Amor que eu sinto por ele fez isso.

Me destruiu.

Mas pelo Mago do Tempo eu faria tudo de novo

quinta-feira, 1 de julho de 2010

eu acredito.


você acredita, nós acreditamos, eles acreditam.

Eu acredito em música, nas pessoas que gostam das mesmas músicas que eu e gostam das mesmas coisas que eu. Acredito em respeito, em dor, em filmes, vinis espalhados pela casa e filmes arrumados em ordem alfabética na estante. Acredito que choro mais em filmes do que com a minha própria vida, que sou mimada, chata e egoísta, que abraços são bacanas. Acredito em cerveja, em tequila e dancinhas feitas lá pelas 3h00 da manhã sem nexo algum, acredito em saudade, em ódio, dor e romance. Acredito em shows lindos e únicos,acredito em moda, em all star vermelho, óculos de sol, cachecóis e guarda-chuva.

Acredito que o Paul é melhor que o John, que eu sou preguiçosa e falo alto demais. Acredito em futebol, em famílias reunidas tomando café. Acredito em mentiras e em verdades, em livros, em vento, em gritos de felicidade. Acredito que falo muitas besteiras, que me irrito facilmente com qualquer coisa, que perdi a conta de quantas vezes fui ao hospital, que minha infância foi estranha. Acredito que terei menos que 1,60 pra sempre, que sempre vou fazer planos e não cumpri-los, que sempre terei milhares de segredos e esmaltes vermelhos. Eu acredito que sempre carregarei essa cicatriz na mão esquerda, que meus cabelos irão se manter pretos, que sempre irei temer a morte e que só irei acordar de verdade depois de uma xícara de café. Acredito em pessoas que observam em silêncio e riem alto, em bondade e maldade, em vingança, em sorvete de morango, em cartas, em palavras e acredito em sextas-feiras, em verão, em beleza, eu acredito em tempo, acredito quando olho nos olhos, acredito em perda, acredito em dinheiro.

Acredito em amor de mãe e avós, que ainda sofrerei por um garoto e que irei fazer mais um sofrer, eu acredito em samurais, no Batman e no V, acredito em cinema, acredito que sempre irei me sentir bem quando chegar em casa. Acredito que muitas pessoas zombam de mim, que danço sozinha no meu quarto, que canto debaixo do chuveiro, que tenho medo do Freddy Krueger, que tenho histórias demais pra contar, muito o que escrever e ver ainda, que deveria ter nascido nos anos 70 e que deveria ter ido no show do Bob Dylan. Acredito que não sou a mais bonita e nem a mais simpática, que eu falo palavrão demais, acredito que eu teria um filho com o Morrissey e que as minhas pernas sempre serão finas. Acredito que nunca jogarei meu all star verde e velho fora, que nunca enjoarei de calça jeans e que a minha família sempre será a definição de amor infinito.

Acredito que não causo nenhum efeito “uau” nos homens mais acredito que quando passo em frente a alguma construção ouço uns “e ai gatinha”, eu acredito que demoro pra responder e-mails, que minha mãe sempre será fã do Nando reis e meu tio sempre será meu herói da vida real.
Acredito que sempre irei usar óculos escuros em dias de sol, óculos de grau apenas para ler, que sempre me sentirei feliz em abril, que nunca me cansarei de ler a mesma coisa e que nunca vou me querer sentir como apenas uma coadjuvante na estória de alguém.
Acredito que sempre irei querer pessoas que se lembrem de mim, me escrevam canções ou coisinhas banais só para eu me sentir querida quando tudo estiver uma merda.
Eu acredito que eu poderia ser uma pessoa normal, morna e seca. Só que eu não quero, obrigada.


ps da narradora: texto antigo que achei perdido numa das minhas gavetas. Estou feliz, sol bonito, unhas vermelhas, cabelos pretos, cerveja na geladeira, música boa ressoa pelo apartamento. Um bom começo de julho,não?

Primeiro post de julho, obrigada a todas as visitas e por eu ainda ter esse espaço para mostrar o que escrevo.
Ótimo Julho pra vocês, lá no horizonte distante coisas boas chegam a todos nós.

Stay Beautiful,
PriiiG

ouvindo: muse_

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Janelas de Sépia

Último post de Junho.
Espero que tenha sido um mês divertido. E que Julho seja melhor ainda.
Love you guys!



Era uma quinta-feira, 18h, dia frio, mas sua animação superava tudo aquilo.
Estava indo ao encontro do desconhecido.

Suas amigas não haviam chegada e a falta de companhia em nenhum pouco a afetava.
Os braços cruzados e os olhos curiosos. Mesmo com o casaco mais quente que tinha sentia o cabelo congelando assim como todo o seu rosto. As bochechas rosadas indicavam quanto frio ela estava sentindo.
Estava bem arrumada, mas não atraente. O perfume era agradável mas o vento era tão forte que nem ela mesma podia senti-lo.

Aquele momento era o mais solitário que ela já havia passado. Talvez porque seu coração está vazio e sua cabeça muito cheia.
Cheia de pensamentos enganados.
Cheia de promessas falsas, feitas por ela mesma.
Estava feliz, mas sentia-se triste por ter deixado de acreditar.

Ao longe avistou a amiga atrasada. Logo mudou sua feição para evitar perguntas da amiga que por demais se preocupava.

- Tudo bem?
- Melhor do que nunca! _ seu rosto parecia feliz, mas seus olhos diziam outra coisa.

De braços dados as duas entraram no bar um pouco mais aconchegante do que o tempo lá fora.
Enquanto esperavam as outras amigas que estavam demorando demais para chegar pediram um vinho para aquecer o corpo.
O ambiente não pedia por tanta formalidade.
Estava cheio de pessoas animadas, algumas dançavam, outras conversavam muito alto. Muitos deles com casaco estilo britânico, cachecol ou qualquer coisa do tipo. Lá ela se sentia bem.

Estava muito ansiosa, sua alma tinha voltado à infância, mas a desconfiança de passar por ridícula não a deixava admitir.

Na porta do bar era possível ouvir um barulho muito alto, as risadas eram muito altas. Suas amigas haviam chegado e sua noite acabava por começar.




A mesa cheia de cadeiras e vários copos de bebidas. Cerveja, vodka, whisky. Aquecer o corpo já não era mais necessário. Eram só 5 mulheres, na mais pura forma. Na mais simples diversão.

Todos os pensamentos que estavam na cabeça dela sumiram, como se o vento lá fora os tivessem levado.

Um barulho forte chegou aos seus ouvidos, seu coração disparou. Tinha esquecido do porque estava no bar.
Quatro homens, duas guitarras, uma bateria, um baixo e um microfone preencheram o palco antes vazio, inundando o ambiente

O amor deles havia terminado, mas vê-lo no palco mais uma vez era necessário, ela já não mais conseguia viver sem aquela voz.
Da mesma forma que o amor começou, ele acabou.
Ela sentada em uma mesa com um copo na mão e ele em cima do palco.
Pra ela aquilo era necessário. Era como se nada tivesse existido antes de conhecê-lo.
Passava todos os minutos lembrando.

6 meses atrás naquele mesmo bar, a noite lá fora era a mesma, o frio que gelava o corpo todo.
Eram as mesmas musicas.
Eles ficaram se olhando durante todo o tempo.
No fim da apresentação,ela viu que seu copo estava vazio, isso significava que era hora de ir embora.
Lá fora o frio ainda não havia diminuído e seu casaco era muito fino pra agüentar.
Tentando conter o acesso de raiva que estava por vir, se perguntando por que não pegou o outro casaco mais quente, ela acendeu um cigarro.
Ficou alguns minutos apreciando o céu com a lua, tão brilhante que parecia de vidro.
Sentiu alguém tocar em seu ombro. Ao virar sua surpresa não podia ser maior. Era a ultima pessoa no mundo que ela pudesse imaginar que algum dia falaria com ela.
Ele. Seu objeto de inspiração de minutos atrás.
O motivo de ela ter pedido mais um copo de vodka.
Ela tinha sentido que seu olhar era retribuído. Mas não que ele fosse conversar com ela.

A conversa aquela noite resultou na quinta – feira onde nossa historia começou.
Eles ficavam juntos todo o tempo, ele a fez parar de fumar. Das mais infinitas das coisas, eles estavam juntos, como se ninguém mais no mundo existisse por 6 meses.
Ate que um dia ela acordou, viu o travesseiro vazio e sentiu que havia acabado. Seu sonho de um semestre chegava ao fim, sem a menor das explicações. Seu príncipe da musica folk havia ido embora, deixando apenas um bilhete.
“Prometa que não vai voltar a fumar.”

Ela foi invadida por uma tristeza. Sentou na cama abraçou as próprias pernas, mas chorar ela não conseguia.
A vontade de acender um cigarro estava aumentando, mas o bilhete era tão especifico que a culpa logo iria chegar.

-Mas ele me abandonou. Por que vou fazer o que ele pede?

Para fugir dos pensamentos, foi correndo a cozinha, abriu a geladeira e viu a garrafa de vodka ainda fechada. Seu estomago estava vazio. Ela sabia das conseqüências e talvez por isso que ela fez o que fez.
Entornou toda a garrafa.
Em apenas 5 minutos a situação se resumiu a: um coma alcoólico e ninguém para ajudá-la.


Acordou ainda com a visão turva e um ruído nos ouvidos. Agulhas nos braços e um roupão horrível.
Seu amado dormia ao seu lado.
Ficou confusa, afinal ele tinha ido embora. Como podia agora estar dormindo na cadeira ao lado de sua cama. Vê-lo daquele jeito fez todo o amor voltar dentro dela. Seu coração se aqueceu.

Os olhos verdes do amado estavam se abrindo e foram logo de encontro aos dela.
Mas ele tinha raiva nos olhos e não amor.

- Como pode fazer isso? Você quase se matou.
- Você tinha ido embora e eu perdi a razão.
- Eu não fui embora. Fui para o ensaio da apresentação da semana que vem.
- Mas e aquele bilhete? _ ela coloca a mão na cabeça ainda muito confusa.
- Eu escrevi aquilo, pois seu que se tirar meus olhos de você a primeira coisa que faz é acender um cigarro. Não porque eu ia embora. Mas agora que vi até que ponto vai a sua loucura ir embora é o melhor a se fazer.

Ele deu um beijo rápido em sua boca e saiu do hospital com passos apressados.
Agora tudo fazia sentido. Ele a amava e não iria embora assim.
Ela tinha arruinado tudo.
Sentiu uma tontura muito forte e seu estomago começou a dor. Antes que pudesse chamar por alguém, desmaiou e mais uma vez estava sozinha.


Quinta - feira, 17h.
Estava recuperada da besteira que tinha feito. Seu corpo estava melhor, mas sua cabeça ainda não. Sair com as amigas era a melhor opção de impedi-la de tentar uma nova forma de se machucar.
Pegou o telefone, sua amiga estava na discagem rápida.

- Alô_sua amiga ficou feliz ao ver que era ela ligando.
- E ai tem planos pra hoje?
- Que bom que parece melhor amiga, pelo menos a sua voz está.
- Estou melhor do que nunca. Vamos sair hoje?
- Eu não sei se devemos. Aonde quer ir?
- Ele vai tocar hoje.
(ficou um silencio do outro lado da linha)
- Preciso de companhia pra fazer isso.
- Tudo bem, vou ligar para as meninas e nos encontramos lá. Ainda é no mesmo lugar?
- Sempre.

Abrindo o guarda roupa ficou pensando em qual roupa vestir. Viu o casaco que a fez passar frio naquela noite e o casaco que deveria ter usado.
Será que aquele casaco a traria sorte mais uma vez?
Ou era tudo coisa da cabeça dela?

Saindo de casa seu visual era o seguinte: calça jeans, seu tênis sujo favorito, o cabelo preso, o casaco mais quente.
Enquanto acendia um cigarro era possível ouvi-la dizer: - Dessa vez eu faço a minha sorte.
E ela sumia em meio a serração indo em direção ao bar.


Xoxo
@JessyMcLovin

sábado, 26 de junho de 2010

Talk: The Lost Art

"It's funny how social networking has made people more antisocial. If you're more comfortable tweeting than speaking, you need therapy."
" É engraçado como a rede social fez as pessoas mais antissociais. Se você se sente mais confortável tweetando do que falando, você precisa de terapia."




Música: JayMay - Gray or Blue



xoxo
@JessyMcLovin

sábado, 12 de junho de 2010

Happy...?! whatever

...Old habits die hard
When you got
A sentimental heart
Piece of the puzzle
And you're my missing part
Oh, what can you do
With a sentimental heart...

She and Him - Sentimental Heart



Como prometido pra mim mesma, cá estou eu escrevendo sobre o dia dos namorados.
Vou descrever rapidamente como foi o meu dia.
Passei o dia com um dos meus amigos gays e com um casal de amigas lésbicas e voltei pra casa com um monte de porcarias pra comer.

Não porque é dia dos namorados, nem por outro motivo. Simplesmente porque isso já virou rotina. Mas de qualquer forma isso me leva a pensar em muitas coisas.
Claro que não preciso nem contar por quantas frustrações já passei. Isso é assunto para outro post.

Estando em um local público na data de hoje me mostrou que mesmo assim a quantidade de casais diminuiu.
Vejo algumas mulheres que trabalham com a minha mãe, a maioria perto do 50 anos e todas elas foram abandonadas. Trocadas por outras mulheres.
E por outro lado vejo também muitos casais felizes, fazendo planos para o futuro.
Então quem está sozinho se encontra literalmente em uma encruzilhada. Basta saber se você está disposto a aceitar o risco.




Mas a verdade é que todo mundo se pergunta porque está sozinho. A solidão só é opção até certo ponto. No fundo todo mundo tem um espaço, mesmo que pequeno para ser preenchido.
Só não se prenda a aquela frase: 'O que é seu está guardado.' ou 'É porque não era pra acontecer'.
Essas frases foram ditas por pessoas que foram preguiçosas demais para correr atrás do que queriam. Por pessoas que não foram dispostas o suficiente para fazer acontecer.
Claro que você também não vai sair por ai espalhando cartazes de amor pela cidade. Mas não tenha medo de se prender a alguém que possa valer a pena, pelo simples medo do compromisso.

Vi casamentos, noivados, namoros acabando por bobagens. Por pessoas que queriam curtir mais a vida. Só não entendo qual é a relação que isso tem com deixar um porto seguro por uma noite com mais uma pessoa.

Dia dos Namorados com certeza foi inventado em um encontro da máfia dos motéis e lojas de shopping.
Amor você não demonstra com presente, nem com jantares caríssimos.
É muito melhor você provar o seu amor demonstrando respeito. pois é isso que está faltando em todos os lugares.
Um bom exemplo disso é o fim de um relacionamento ou mesmo uma traição. É muito melhor terminar tudo antes de correr para os braços de outras pessoas.

E mais uma vez? Quem sou eu para dizer todas essas coisas?
Afinal eu nunca tive um relacionamento.
Eu sou aquela que assistiu calada desde pequena relacionamentos ruirem.



E quanto a mim?
I'm feeling good.

Claro que ainda me pergunto sobre minha solteirisse. E não fico dando paltite na vida amorosa de ninguem. Minhas opiniões param por aqui.
Fico frustrada quando meu amigo conta como anda bem o relacionamento dele.
Ou quando me dizem: Você está sozinha porque você quer.
Meus caros, pra vocês eu guardo uma resposta para tudo isso que acabei de escrever...




E um viva para o dia dos... dia do que mesmo???



@JessyMcLovin

quarta-feira, 26 de maio de 2010

julieta.


Não sei ser uma. Não quero me acomodar.

Há alguns dias atrás recebi essa carta que veio de muito longe, chegou numa segunda-feira enquanto eu estava esparramada no sofá assistindo televisão com minha vó. Acho que já a reli umas cento e dezenove vezes. A ficha ainda não caiu.

Começou tudo muito rápido, era uma conversa boba sobre um livro, depois foram mais conversas... Eu tinha acabado de terminar um namoro pra lá de estranho, então acabei de certo forma usando esse estranho como minha válvula de escape. E ele soube disso desde o começo.

Ele começou a moldar uma pessoa que eu realmente sei que não sou; uma Julieta.

Comigo sempre existiu duas medidas, duas alternativas, a realidade e a expectativa, nunca estive satisfeita com ninguém que conquistei. É engraçado isso, o meu copo nunca esteve cheio ou vazio, sempre pela metade.

Meu gosto musical, meus filmes e livros sempre serão os mesmos, minhas manias não. Mudo constantemente. Gosto e desgosto dele ao mesmo tempo. É o meu jeito, ainda não encontrei minha exceção, gostei e desgostei de todos os “ele” da minha vida, acho uma pena que por mais que ele acredite nisso ele não é minha exceção de qualquer forma.

No começo eu achava que ele era mais bastou um pequeno afastamento entre nós para eu me dar conta de que não era. Eu não sei se ele errou ao dizer que me amava, ou eu pensando que isso poderia ser verdade... Não vejo sentido uma pessoa se apaixonar por alguém que nunca viu. Ele é assim.

Ele sabe o que me dizer, afinal, quem não gosta de elogios? Ele sabe me comparar com as pessoas certas, admirar minha beleza, meu gosto musical, meu relaxo com meus cabelos pretos e minha falta de delicadeza e escrúpulos. Eu gosto dessa parte dele, a perspicácia dele; ele sabe quando eu preciso de certas palavras ou quando preciso falar de futebol depois do trabalho.

Mais é apenas isso.

De certa forma, eu também fui a válvula de escape dele. Não acho isso ruim, mas ele me usou para mudar seus pensamentos, sua maneira de expressar seus sentimentos, a maneira de ver as garotas. Eu me sinto culpada por isso (me sinto mesmo), mas de alguma forma eu acabei fazendo com que ele gostasse menos dela, a garota dele, a que estava lá antes que eu. Por mais que ela tenha tentado falar sobre o “amor” deles pra mim, eu sei que isso não existe mais entre eles. Ele se moldou em cima de mim, corrigindo: ele moldou-se para mim.

Mais não é o suficiente, nunca é o suficiente quando você não sente o coração bater descompassado.

Já me afastei dele, já pedi para que ele seguisse em frente com ela ou sem ela. Mais ele sempre volta pra mim, de uma maneira ou de outra. Dessa vez ele voltou em forma de carta. Eu penso o porquê dele gostar de mim. Converso com as pessoas e elas sempre me perguntam “o que você fez com ele?” e eu simplesmente digo “nada”. Fui eu mesma.

Só que ele se apaixonou por mim e acha necessário deixar isso bem claro. Eu acho necessário também sempre dizer pra ele não largar a garota dele por causa de mim, porque eu sei que isso não vai dar em nada... Ele vai perder quem realmente gosta dele, por uma garota que ele criou uma expectativa em cima. Tenho medo de que um dia ele me encontre e sofra, tenho medo de não ser o que ele pensa que sou. Eu tenho medo de viver a realidade enquanto ele continua vivendo a expectativa.

Não quero magoá-lo. Jamais. Só Deus sabe o quanto quero o bem dele, parei de enganá-lo com minhas palavras bonitas por isso mesmo. E o quanto eu me afastei dele, ele sabe disso muito bem. Não estive presente como ele, sempre vivi essa história à margem.

Ontem assisti (500) Days of Summer pela 119ª vez com meu tio-o-que-gosta-de-smiths. Depois do filme contei toda a história para meu tio, que a ouviu quieto e depois disse pela 119ª vez que por mais que eu tenha um pouco de cada personagem dentro de mim, no final, eu sempre serei mais Summer a Julieta. E ele me aconselhou, “cai fora antes que isso piore”.

No fundo, sou egoísta demais para querer cair fora disso. E não conseguiria dizer adeus a ele nesse momento da minha vida, em que estou tão feliz comigo mesma, com todos meus planos dando certo. É isso mesmo, não quero falar que o que não começou está acabado, eu ainda quero descobrir por que ele gosta de mim e por que eu fui me envolver com ele.

Eu sou bipolar, tripolar. Tenho medo de descobrir como ele é, e se ele não for como parece ser? Ele me é um desconhecido, eu gostei de um desconhecido. Mais agora a história já se estendeu demais, e eu mudei meus conceitos e manias mais uma vez, eu sei que isso pode soar cruel mais é a mais pura verdade. Ele quer os rótulos, eu não quero. Ele já cogitou muitas vezes que eu sou a certa, a mulher ideal... Nessas horas eu vejo o quão garoto ele é. Só me senti assim por uma única pessoa. Minha hora ainda não chegou, eu ainda estou na fase 2 mal vejo a fase 3 ainda.

Por mais bipolar que eu seja, eu sei que não gosto dele e o estou enganando. Acho que qualquer dia desses sou capaz de levá-lo para beber uma cerveja e dizer que não o quero mais, que não quero começar a tê-lo. Que o quero apenas como amigo, por que eu gosto dele como meu amigo, quase como um primo, como um conhecido que sabe conversar sobre coisas boas. Apenas isso. Acho que o enganei e enganei a mim acreditando que esse afeto que sempre senti por ele, um dia fosse o suficiente para me envolver completamente.
Afeto nunca é o suficiente.

Já disse isso a ele, e acho que escrever mais uma vez nunca é demais.... Talvez a carta guardada na minha gaveta tenha sua resposta... Uma resposta que sei que ele sempre soube. Eu não sou a exceção dele. Ele não é a minha. Eu sei, ele merece alguém melhor que eu, alguém menos bêbada, menos relaxada, alguém que escreva melhor sobre o amor, que escreva sobre o amor que sente por ele. Eu não sei escrever sobre isso e no fundo eu sinto muito por isso.

Eu queria poder gostar dele como ele gosta de mim, tudo seria muito mais fácil menos complicado se eu me acomodasse a essa situação... Mais eu quero ser como a Liz Lemon (Tina Fey) de 30 Rock no episódio “Don Geiss,America and Hope“ e dizer o mesmo que ela disse ao Wesley (Michael Sheen) “não quero me acomodar a isso, pensando que não terei mais tempo para encontrar alguém”. (foi algo assim).

Eu sei muito bem que ele não deve se acomodar a mim somos jovens demais pra isso, a fase 2 acabou de começar. Eu ainda quero continuar tomando meu vinho, saindo, encontrando alguém e colocando a cabeça no meu travesseiro feliz comigo mesma, por ora isso é o suficiente pra mim. E o mais importante não quero que ele se prenda a alguém como eu, ele merece uma Julieta do século XXI, não uma mistura de Summer, Alice, Isabella, Charlotte, Celine, Juno, Claire, Laura...

Eu queria ser como a garota dele que não faz parte de um “nós” e sim de um “eles”, uma nação unida sem falta de senso... Ela é uma Julieta certa.
Eu não. Sinto muito.

Stay Beautiful.
PriiiG
p.s. da narradora:
isso foi um desabafo.
ouvindo: regina spektor/kate nash. Sempre tão sábias.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Happiness is only real when shared


As pessoas encaram a tristeza sempre a algo ruim ou evitam ao máximo, sendo que, sem a tristeza não saberíamos o que é felicidade, assim como não saberíamos o que é amor sem a existência do ódio.

Os sentimentos foram feitos para serem explorados e precisamos sentir todos eles para sabermos dar valor até mesmo a felicidade.

Portanto, acredito que é preciso coragem para encarar a tristeza de perto, para assim podermos dar o verdadeiro valor da tão disputada felicidade.

A prova disso são aquelas pessoas que tem tudo o que precisa pra viver e mesmo assim não são felizes.

A felicidade não é o único sentimento bom de que precisamos, e sim o mais fácil e prazeroso de lhe dar, e por conta disso o mais requisitado.

A tristeza nos traz de volta a vida real, e isso é muito importante.

Covarde é aquele que tem medo de encarar a realidade, e a realidade é que não podemos ser felizes o tempo todo, pois estamos em estado de aprovação e precisamos aprender a lidar com nossos sentimentos.


texto de: Rony MacCaco. Já que ele deixou eu postar, aqui está

domingo, 2 de maio de 2010

Gostei do seu charme e do seu groove






Eu me lembro de você e me lembro de uma camiseta do The Cure... De repente várias outras memórias aparecem juntas a essa como se todas estivessem amarradas com um fio de barbante.

Estava frio, você com um casaco roxo e seu tênis mad rats. Você estava sempre atrasado e eu sempre estava te esperando, eu com unhas vermelhas para chamar sua atenção e você com o seu cabelo adoravelmente bagunçado.Você chega, eu espero dois segundos e vou correndo te ver. Você apenas coloca suas coisas na cadeira e em seguida se vira pra mim e abre os braços esperando o encaixe dos meus braços.Você não sabe, mas aquele foi o abraço mais gostoso da minha vida.
Essa é a segunda lembrança...

Está frio e ficamos de braços dados descendo a rua. Eu estou o tempo todo me convencendo de que você é apenas meu amigo, apenas meu amigo, apenas meu amigo. Você provavelmente diz alguma coisa e eu respondo com sarcasmo como eu sempre faço.Respostas sarcásticas ainda me lembram do modo que você reagia as minhas. Você sorria e balançava a cabeça. Eu lembro direitinho.

Eu falando sem parar sobre qualquer assunto enquanto você olhava para a minha boca. Eu paro, olho para você com mais atenção tentando adivinhar o que você tanto olha e você disfarça.

Eu digo que dá para saber que alguém mente pelas pupilas dilatadas, você tenta provar minha teoria e nós começamos a nos olhar nos olhos um do outro mentindo sem parar, esperando por uma confirmação que nunca veio.

Você perguntando algo, eu sendo grossa e me arrependendo logo em seguida. Morrendo de vontade de pedir desculpas, mas nunca pedindo.

Eu te achando tão estranho sempre me encarando, você me olhando enquanto eu discutia sobre Smiths com um amigo que adora a banda, eu te vendo com a camiseta do The Cure e falando “boys don’t cry”, você perguntando se eu gosto e eu dizendo que não.

Eu bolando intermináveis maneiras de dizer que te amo e me acovardando na última hora... Nem lembro se me despedi, acho que te abracei e disse “até mais”

Nossa trilha sonora sempre será Raindrops da Regina Spektor, Quelqu’un m’a dit da Carla Bruni, um pouco de MGMT e temo que um pouquinho de Smiths(Você disse que sempre se lembra de mim porque eu sou a única que você conhece que não gosta de Smiths.)

Nossos filmes sempre serão: O Clube da Luta, A bela Junie, Os sonhadores e As canções de amor.
Nossa bebida sempre será Del Valle de uva, aquele que parece vinho sem álcool!
Nosso lugar sempre será aquele degrau atrás da padaria

E eu nunca vou esquecer você, nunca vou esquecer nada disso que é tão nosso e que agora acabou... Ou que nunca nem ao menos começou.



Eu sou a Nancy e você é o Sid que me esfaqueia sete vezes.

Eu não sou nadinha a Summer.Quem dera fosse.


Três da manhã pensando em você. Acabei de assistir o 500 dias com ela e está tocando Sinceramente do Cachorro Grande o que me lembra da sua promessa de se manter sóbrio no show que a gente nunca se encontrou.


Tika Ripper