quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Here comes the sun





Ela ainda não sabe, mas em exatamente três meses irá conhecê-lo.

Ele será diferente de muitos garotos e terão muito em comum.
Falarão sobre música, preferências e sobre a vida.
Ela fará muitas perguntas bobas e ele sempre irá responder com muita paciência.
Eles terão a mesma idade e moraram em cidades diferentes.
Irão se falar quase todo dia e com o tempo vão se acostumar a idéia de que serão grandes amigos.
Ela irá mudar o corte de cabelo e ele crescerá muitos centímetros.
Ainda usarão all star e jaqueta nos dias frios e terão o mesmo tom de pele.
Eles irão falar pouco sobre as pessoas que convivem com eles, mas falarão muito sobre si mesmos.
Ela gostará muito dele e pensará nele muitas vezes no dia.

Com o passar do tempo terão um pouco mais de idade e surgirá a insônia. Tomarão café e se falarão um pouco menos e por fim chegará 2007, quando perderão contato.

Ela terá uma vida feliz e cheia de bons amigos. Ele irá ter algumas namoradas e cortará o cabelo, até que não saberão mais nada um do outro.
Ela vai lembrar dele várias vezes durante a semana e vai desejar que ele esteja bem.
As vezes vai se perguntar porque não se falaram mais ou se ele ainda lembra dela.

Conforme o tempo for passando só existirá uma vaga lembrança daquelas conversas que costumavam ter. Até que um dia a saudade no coração dela falará tão alto que ela tentará conversar com ele apenas mais uma vez.
E quando 2010 finalmente chegar eles voltaram a se falar.
Vão relembrar tudo e tentarão matar a saudade contando tudo o que aconteceu nesse tempo que ficaram distantes.
Será divertido e ela se sentirá feliz por ele ter voltado a seus dias.
Como estarão mais velhos e com novos pesos nos ombros tudo o que tinham em comum se multiplicará e se perguntarão porque ficaram tanto tempo distantes.

De tanto conversarem ela descobrirá que ainda gosta dele.
Ele terá mudado mais do que ela pensava. No lugar da jaqueta rotineira ele carregará tatuagens e um cabelo muito mais curto. Ela carregará tatuagens novas, porém os mesmos tênis surrados ainda a acompanharão.

Ela logo saberá que no começo da primavera ele irá visita-lá.
Que a saudade foi grande demais e a presença da ausência não foi forte o suficiente para mantê-los longe.
Eles irão se perder no centro de São Paulo e todas as amigas dela vão adorá-lo.
Vão acordar tarde demais e perder a Fórmula 1 no domingo de manhã mas assistirão o futebol mais a tarde.
Ele tocará 'Just Breathe' no violão e contará muitas estórias. Assistirão Cassino Royale, pois ela só entenderá o filme se ele explicar as cenas.
Ele tentará ensinar ela a tocar 'Wish You Were Here' enquanto ela se esforçará para conseguir fazer apenas uma nota.
Das tardes de primavera ele terão memórias e não mais lembranças de cenas que nunca aconteceram.
Discutirão sobre 'De Volta Para O Futuro' enquanto ele contará que tem uma coleção enorme de miniaturas e que em dias de insónia ainda brinca com elas e ela brigará com ele toda vez que ele acender um cigarro.

Ele sempre terá medo do pai dela e sempre será gentil com a mãe e a irmã dela.
Farão casinha de waffles e a única discussão que irão ter será sobre qual sabor de pizza pedir.
Ela fingirá que torce para o time dele em dia de jogo e ele assistirá aos filmes ruins que só ela gosta pra fazê-la feliz, mesmo sabendo que ela sempre dorme no final.

E ela gastará quantas horas ou dias forem necessários até conseguir escrever um texto bom o suficiente para contar tudo isso quando cada uma dessas coisas acontecer, só para ver ele sorrir lendo algumas das linhas.

Logo eles saberão de tudo isso.

O que eles não sabem é que em exatamente três meses o começo desse primeiro capítulo completará 6 anos.


Farewell my good fellas
@JessyMcLovin

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

she & him


your lips touching mine in the photobooth.



Eles não sabem disso, mas estão apaixonados.
Eles não sabem, mas acordam e dormem juntos todos os dias. Ela imagina todos os dias conversas pelo telefone com ele. Ele pensa nela enquanto se afunda em pilhas de papéis no escritório.

Ele é calmo, ponderado. Ela não, ela chega explodindo emoções, falando sem pensar. Ele gosta desse jeito dela, e ela gosta de poder ser assim com ele. Ele gosta do humor dela, sarcástico, mas nunca arrogante. E ela gosta do jeito que ele vê graça nas coisas mais sérias. Escrevem cartas um para o outro que nunca são entregues, falta tempo e coragem.

Ele idolatra aquele que ela odeia. Ela gosta de se apaixonar por ele quase todos os dias. Os livros dela carregam a presença ausente dele e as músicas dele carregam a presença ausente dela. Ela sonha com ele. Ele imagina situações com ela.

Ele amou primeiro, ela em seguida.

(Mas ele sabe que ela nunca quebraria seus vinis por ele. Ele sabe disso, e não faria o mesmo por ela. O gostar um do outro vai além de pedaços de vinis pelo chão.)

São compatíveis na política, mas não no futebol- o que gera discussões que ele adora. Ele nas horas vagas torna-se o herói dela, tirando-a do tédio ou de perto de qualquer um que lhe queira mal. Ela por outro lado, causou uma revolução na vida dele e gosta de pensar nele como o garoto que ela conseguiu mudar, pra melhor e somente pra ela. Ele escolheu uma música para sempre se lembrar dela. Ela todas as noites antes de dormir inventa histórias com ele. Ele gosta de Coca-Cola e ela de Heineken. Ele gosta das tatuagens dela. Ela gosta dos óculos escuros dele. Ele gosta do jeito que ela escreve. Ela gosta do jeito que ele fala.

Ele faz o papel de sonhador e ela continua com os pés no chão. Ele sempre pergunta como foi o dia dela e ela gosta do jeito como ele fala do avô dele. Ele descreve um futuro para eles e ela se figura nesse futuro sem dificuldades.

Não fazem promessas, nem rotinas, nem ligações e muito menos poemas. São superficiais, altruístas, gostam dos mesmos livros, filmes e bandas. Possuem as mesmas manias. Sofrem pelos desencontros e sabem que poderiam muito bem se odiar.

Não sabem amar normalmente.
E nem querem.
E assim sem saber, ele e ela possuem um relacionamento. Ele na cidade que os vagalumes dançam a noite e ela na cidade das luzes ofuscantes.

p.s. da narradora:
você me deve uma dança.

Continuem bonitos na primavera,


Pri Gordon.

- @PriiiG

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Eles




Se você fica com marcas de sangue pisado ao redor dos olhos Eles não perguntam se você esta bem.
Se você chora a noite toda por algum motivo inteiramente seu Eles não secam as suas lágrimas.
Se você deixa uma gota de molho cair na sua camiseta branca Eles vão olhar pra você.
Se você não for bonita o bastante você nunca será aceita por Eles.
Se você gosta de música que não seja a deles, Eles jamais te escutarão
Se você nunca transou Eles jamais te respeitarão
Se você é inteligente demais logo Eles notarão
Mas se você for burra o suficiente logo Eles te usam e te jogam fora
Não adianta correr e pedir uma segunda chance, Eles não têm tempo pra você.
Precisam de sangue.
Sangue novo.
Carne nova.
Novatos.
Novatas.
Adolescentes que clamam por atenção.
Por aceitação.
Esqueça cara, Eles nunca serão seus amigos.

E acredite, você nunca esteve melhor com Eles.


Cheers
@Kuro_N3ko

Cinco em Um





Era segunda feira, dia 27, o retorno pra casa de um final de semana que poderia ser resumido em poucas palavras, mas não poderia ser explicado nem pelos maiores estudiosos.
Estava nublado como de costume, seu carro andava bem e a viagem parecia longa, por mais curta que fosse. Era a ansiedade, a dor, a felicidade, tudo em apenas um lugar... ou talvez dois.
Sobre ela já não sabia, pois cortaram contato a pouco e tudo parece novo por mais antigo que fosse.
Querer chegar em casa não era seu desejo, mas precisava para poder conversar com ela e avisar que chegou bem. Até respirar parecia difícil. Dirigir tornou-se algo repulsivo, queria largar logo o volante. A imagem ainda lhe bagunça o cérebro, era ela dormindo. Como uma tatuagem, ficaria ali pra sempre, mesmo esperando dormir por toda vida com ela.
A certeza era maior a cada música tocada no rádio. Antes eram uma ou duas que lhe faziam lembrá-la, mas agora eram todas.

Eles se conheciam a algum tempo e “amor” não estava no vocabulário de ambos. Tinham tanto em comum. Os olhos sempre um no outro. Aquele olhar tornou-se diferente nesse final de semana, pois era real e não tinha um vidro fazendo a longa divisão. Parecia história de filme ou poemas de gaveta. Calor num dia cinza. Era a temperatura alta que fluia quando os dois se encontravam.
Um sonho realizado, o beijo que faltava, o ponto final de um capítulo. O longo e primeiro capítulo.
Um fim de semana, todas as certezas e todas incertas.
Bebidas, cigarros, música, poemas e o silêncio. Cada um sabia o que faltava e aí que nova palavra foi adicionada aos seus dicionários. Aquela do antes: amor.
Cinco anos resumidos em dois dias.
Um amor que não se pode resumir em 200 anos.







o Decepção recebeu agora a visita do @Lian_Lee que escreveu esse texto especialmente para a nossa casinha.
Hope you guys enjoyed it, because I really did.
Cheers good fellas
@JessyMcLovin

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Beijei Adão


E ele me deu a porra de uma maçã II


Adão tem mais de 25 anos, mora com os pais, seu melhor amigo tem 16 anos, gosta de música boa e tem uma vitrola. E eu gosto dele.

Conheci Adão naquele bar que a bebida é cara. E Adão estava encostado na parede com ar blasé, não dançava, nem bebia, cantava as músicas pra si mesmo. E por uma dessas interferências do destino, começou a tocar Ask da The Smiths e eu comecei dançar enlouquecidamente e, foi assim que Adão depois da música falou pra mim que nunca tinha visto alguém tão feliz por escutar The Smiths ali. E foi assim, que nosso romance começou.

Ele gosta de quase tudo que eu gosto e do que não gosta ele critica e muito, o que por muitas vezes me deixa louca, mas ai ele vem com um desses depoimentos que só ele sabe escrever e fica tudo bem.

Tudo está sempre bem quando estou com Adão, ele pode ser chato com meus amigos, mas comigo ele não é. Somos tão parecidos, mas eu acreditava que ele nunca me olhava como eu queria... me via apenas como uma boa amiga.

Até que esses dias Adão apareceu por aqui sem avisar.

(Ele toca a campainha, passa a mão nos cabelos e parece nervoso. Eu abro a porta e fico surpresa por ele estar ali, mas antes de eu perguntar o motivo dele estar ali, ele diz que sente muito por estar assim tão atrasado. E eu não entendo o que ele quer dizer até que ele me puxa pra mais perto dele e diz que tinha sido um tolo por tudo. E Adão me beija)

Adão me beijou.

E tivemos aquela conversa sobre termos sido tão cegos em relação a tantas coisas, e sobre ele ter sido um bobo por ter me abandonado por um ano quando viajou para fora do país. E nada foi estranho, sentir Adão tão perto de mim foi a mesma sensação que sempre tive quando me figurava em histórias com ele. E ele gosta de mim, mesmo eu não me importando com muitas coisas e gostando de The Strokes. E sendo tão inquieta e consumista. E não me importa ele gostar tanto de outro país, não ter uma boa altura e ser tão arrogante às vezes, porque no final de tudo, de todas nossas brigas e todos os adeus, ele sempre volta pra mim. Em forma de música, de filmes ou de noites.

Ele acabou de dizer tchau, dizendo que vai comprar discos enquanto eu trabalho.

Vai lá Adão, compre alguns discos e volte pra mim.

Volte.

p.s. da narradora:

adão, a gente te ama.


Spending warm summer days indoors,

Pri Gordon.


- @PriiiG

terça-feira, 31 de agosto de 2010

agosto de números.


Porque agosto demorou pra acabar.

31 dias. 25º vez pintando o cabelo de preto. 30 vezes reclamando do tamanho do meu cabelo. 2 shows do cover do Elvis. 1 convite do Elvis para subir ao palco. 2 idas ao cinema. Vi Inception 3 vezes. Vi “Orgulho e Preconceito” 4 vezes. Fui a 1 show da Cachorro Grande. 1 vinho italiano. 1 cigarro italiano. 1 cigarro normal. 3 novos livros. 7 peças novas de roupa. 1 encontro com ídolos. 1 show do Tom Zé. 3 artistas atendidos por mim. 1 adeus pra sempre. 1 twitter deletado. 1 briga. 31 pensamentos positivos. 1 desmaio. 1 bronca do médico. 1 chocolate quente do Mcdonald’s. 3 almoços no Mcdonald’s. 100 garotas histéricas pelo show do Jonas Brothers. 12 unidades alcoólicas. 20 ligações pra melhor amiga. 200 pessoas histéricas pelo show do Bon Jovi. 2 conferências no msn. 3 idas a Dj Club canceladas. 1 ida a Bienal do Livro. 7 doces de amendoim. 1 nova sandália de salto alto e tudo o mais. 119 devaneios. 1 inspiração que me rendeu o texto mais elogiado. 8 pensamentos sobre o futuro. 11 vezes ouvindo o cd do MopTop que não é meu. 9 pensamentos sobre a proximidade dele. 1547896 contas pagas. 1 dia Bridget Jones. 1 dia Summer Finn. 1 dia Pitty. 1 sonho estranho. 4874548 risadas. 0 domingos em família. 46 conselhos. 4 vezes desejando ter um Darcy pra mim. 3 novos esmaltes. 2 quilos perdidos. 1 espaço 4x4. 3 calças jeans perdidas. 47 sms. 1 ida ao sebo. 17 danças bestas. 29 “muito bom” gritados em shows. 19 vezes ouvindo The Magic Numbers. 2 vezes ouvindo Kings of Leon no trabalho. 1 vez obrigada a ouvir sertanejo no trabalho. 1 torta de morango.31 histórias engraçadas. 2 mentiras. 1 ataque de TPM. 15 dias de frio. 15 dias de calor. 5 dias matando a saudade. 45 minutos perdidos em busca de inspiração todos os dias. 8 abraços da mesma pessoa numa noite só. 7 promessas sobre casamento. 1 cubo mágico. 47 vezes tentando montar o cubo mágico. 1 mesa de jantar nova. 41 capítulos lidos. 20 dias sem dinheiro. 5 dias sem cartão de crédito. 8 dias tocando violão por 2 horas. 10 novas fotos. 31 dias de gripe. 50 minutos assistindo horário político. 15 capítulos de CSI. 5 aniversários. 131 motivos pra ser feliz. 6 pensamentos sobre o futuro. 300 visitas no blog. 1 dia amargo. 30 dias estupendos.

p.s. da narradora:
Porque até eu nesse último dia desse mês de cachorro louco me permito ser como a Bridget Jones nesse post.

Novas resoluções para setembro:
Tempo para ver as flores do meu condomínio florescerem.Tentar escrever sobre o cotidiano. Sair sempre que der vontade, aprender a andar de bicicleta e a fazer torta de morango. Parar de falar “arre”, “bicho” e “Manolo”. Escrever coisas boas, sobre a primavera e sobre nosso espaço 4x4.
Amanhã desço as escadas e me encontro com setembro.

Please, stay beautiful.
PriiiG

sábado, 28 de agosto de 2010

Empire State Of Mind





Esse é apenas um pequeno texto que tenta expressar o enorme amor que tenho pelo lugar onde vivo.


É comum em todos os lugares pessoas falarem de São Paulo, seja bem ou mal.

O fato é: São Paulo merece cada comentário feito a seu respeito.



Por que a minha cidade e não a sua?
Aqui tudo é possível até para aquela pessoa que vem de tão longe em busca de seus sonhos, que acredita que pode fazer fama, ganhar dinheiro, fazer família ou ser capa de revista.
Aqui onde os amigos sempre se encontram pra beber após um longo dia de trabalho mesmo sendo terça-feira.
Onde bandas fazem de tudo pra tocar em solo paulista e as pessoas vêm de tão longe apenas para vê-los tocar.
Belos bairros, belos parques, belas vistas, pessoas bonitas. Desfile de moda entre estranhos em plena rua.
Aqui onde temos as quatro estações em um único dia.
Tanta beleza em 248 209,426 km² que fica dificil colocar em palavras.
Algumas das bandas mais influentes do país saíram daqui: - Cansei de Ser Sexy – Demônios da Garoa – Forgotten Boys – Garotas Suecas – Garotos Pobres – Irá! – Mutantes...
Pra não citar aquelas que estão bombando na mídia atualmente.

São Paulo merece muitos elogios, mas também merece muitas criticas.

Por que a sua cidade e não a minha?

Aqui onde enquanto o sol nasce, pessoas já estão de terno e gravata prontos para matarem o leão.
Aqui onde pessoas não se olham nos olhos e estão sempre com pressa.
Aqui onde as pessoas não têm profissão e sim correria.
Aqui onde ganhar dinheiro e prioridade e viver a vida fica em segundo plano.



- Clipe do CSS no Elevado Presidente Costa e Silva (também conhecido simplesmente como Elevado ou Minhocão), uma via expressa elevada da cidade São Paulo que liga a região da Praça Roosevelt, no centro da cidade ao Largo Padre Péricles, na região da Barra Funda.



Mas São Paulo é um lugar onde apenas quem mora ou já esteve aqui sabe do que estou falando.
E quem sou eu pra dizer tudo isso? Sou uma paulista orgulhosa de sua cidade. Que não trocaria isso por nenhum outro lugar desse meu Brasil Brasileiro. Que aceita a parte boa e a parte ruim. E que sabe que São Paulo é muito mais do que apenas Avenida Paulista e Rua Augusta.
Hoje é mais um dia na correria de São Paulo e sim hoje é sábado e sim escrevo isso enquanto trabalho!

Somos egoístas. Somos Paulistas.
São Paulo is my boyfriend.






@JessyMcLovin

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ação!









Alguma vez você já se pegou imaginando como seria o filme da sua vida? Quem seria seu melhor amigo e personagem secundário? Quem te interpretaria? As roupas que você usaria? As músicas que tocariam? Os ângulos de câmera e sequências de flashbacks? Nunca? Pois eu sempre penso nisso.
Você nunca se pegou tendo um monólogo interno? Ou mesmo falando com o seu animal de estimação, seu reflexo no espelho, ou fingindo que esta recebendo um prêmio da academia no banho quando na verdade você esta com a cabeça cheia de xampu e segurando um sabonete?
A vida da gente é um filme. Mas não temos ensaios e cortes, não temos edição ou maquiagem. Figurinista? Só se for você mesmo. Se a gente erra alguma fala ou esquece alguma coisa, ninguém grita “corta” e você repete o que disse, nesse filme da nossa vida, depende somente de nós mesmos fazer com que ele emocione as pessoas, as faça rir ou as instigue a sair comentando por ai o quão legal ele é.
Eu sempre penso nesse filme, sempre penso em como ele será, sempre penso nas músicas e se escolherão alguma menina bonita pra me interpretar, penso se pertencerei ao circuito alternativo de cinema ou se serei somente mais um filme adolescente de sessão da tarde.
Quando as pessoas nos dizem para viver a vida sem arrependimentos, e fazer o que mais ama, elas inconscientemente nos encorajam a dar rolo de filme para a nossa projeção, nos motivam a ter experiências que ficariam ótimas numa sequência em sépia ou em câmera lenta. Gravar o filme da nossa vida não significa simplesmente ficar respirando e fazendo a mesma coisa maçante todos os dias e todas as horas. Ninguém se interessa por um filme desse tipo.
Mas, acima de tudo, o pior crítico a quem você deve agradar, é você mesmo. Porque, se o seu próprio filme não te faz feliz, como é que ele fará os outros se divertirem então?
Saia com os amigos, mate aula, durma na aula, coma até passar mal, fique sem dormir direito, tome muito café e fique hiperativo, prometa a seu irmão que um dia ficarão bêbados e jogarão frescobol juntos, saia de casa na sexta de noite e volte só no domingo de manhã, tenha uma noite alucinante perdido em São Paulo com os seus melhores amigos.
Dance até seus pés implorarem por uma pausa, patine no glitter com um estranho, cante músicas bregas de manhã, escorregue de meia pela casa, passe o dia de pijama, fique semi bêbado só pela experiência e não tenha medo de se mostrar para as câmeras da vida.

Elas te amam.

Pense que quando você estiver no seu descanso eterno, você não vai ver somente o seu filme, mas o de todas as outras pessoas lá presentes. Se solte e divirta-se, gravar um curta metragem com as pessoas que você gosta é muito relaxante, mas gravar um longa com aqueles que você ama é uma aventura incrível e se privar disso é um pecado capital. Não fique paranóico com o seu melhor ângulo ou sorriso, não se preocupe com o gênero do seu filme, lembre-se, ele é o SEU filme e ele vai sair do jeito que VOCÊ quiser. Deixe a burocracia da catalogação para as locadoras do universo, elas se encarregam disso.


@Kuro_N3ko

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Louco

A @Kuro_N3ko dando as caras por aqui de novo em mais uma das suas brilhantes criações.
Hope you guys enjoy it
xoxo
@JessyMcLovin








Eu espero que você não fique brava por eu ter invadido seu caderno e te deixado essa carta de amor.

Espero que você não fique brava por eu ter cometido um ato de romance de cavalaria e declarado com tinta o que você já esta cansada de ouvir. Espero que não tire sarro da minha cara por eu ser mais um romântico incurável que adora te surpreender, por favor, não deboche da minha falta de masculinidade quando gravando o que eu sinto por você.

Espero que encontre essa carta depois de algum tempo, depois que eu for embora para a minha casa fria e sem vida, espero que a encontre depois de eu te desejar boa noite antes de dormir, espero que a leia quando eu já estiver do outro lado da rua.


Pra que assim possamos nos reencontrar de novo, mesmo depois de termos nos visto segundos atrás.


Você sabe como eu adoro o elemento de drama num bom romance.


Espero que eu arranque alguma lágrima dos seus bonitos olhos, mas uma lágrima de felicidade e não as mesmas indesejadas lágrimas que eu te vi derramando tanto antes de finalmente eu ganhar o seu sorriso e ouvir o seu nome pela primeira vez. Espero que você grite ao ler minhas humildes palavras e espero que me perdoe por não saber tantos adjetivos bonitos pra fazer jus aos meus sentimentos de criança, espero que guarde essa singela declaração de amor num canto secreto do seu peito.

Espero que a enterre como um tesouro e que se lembre dela pra sempre.

Do mesmo jeito que eu me lembrarei de você.

Espero que possamos extrair mais do que papeis e palavras dessa carta, espero que ela vire sua mais nova tatuagem favorita, espero que você a carregue consigo dentro da sua bolsa de couro, aquela que sempre mancha suas camisetas claras com uma tira preta. Espero poder ser sempre o seu super herói e você sempre a minha heroína. Espero que você não jogue essa carta fora caso nossa aventura chegue ao fim.

A última coisa no mundo que eu desejo é te ver chorando de novo.

Espero que entenda a minha caligrafia horrenda e que ria disso, espero que você permaneça dormindo tempo o suficiente para que eu termine essa carta e volte a deitar do seu lado, espero te ver roendo as unhas toda a vez que formos no cinema, espero poder fazer piadas toda a vez que você se emociona vendo uma cena bonita.

Espero sempre elogiar os vestidos que você usa e o jeito como você prende os cabelos, espero poder sempre circundar sua cintura fina com um dos meus braços, espero que não mude de perfume mesmo eu adorando o seu cheiro natural, espero te dizer “Eu te amo” em todas as línguas existentes no mundo. Espero nunca precisar desejar a uma estrela cadente que você esteja ao meu lado.

Espero poder escrever um infinito de músicas e colocar em todas elas um pouquinho de você.

Espero ver as rugas do tempo brotando no seu rosto e ainda assim te achar a mulher mais linda do universo, espero poder quase arrancar os cabelos pensando no que te comprar de presente do dia dos namorados, espero sentir sua cabeça contra o meu peito e permanecer em silencio pois eu sei que você esta comigo e conversar não é necessário.

Espero poder segurar sua mão e voltar a ser criança, espero poder correr para pegar o ônibus e chegar a tempo de te encontrar saindo do trabalho, espero poder acordar com seus beijos sendo plantados no meu pescoço, espero te beijar na chuva e reviver todos os nossos momentos cinematográficos favoritos juntos.

Espero não ruborizar quando te ver lendo essa carta.

Espero dançar nossas músicas bregas favoritas juntos e rir feito loucos depois disso, espero improvisar um jantar a luz de velas quando a luz acabar, espero ouvir o som da sua voz quando você canta no chuveiro, espero sentir o seu olhar atencioso ao me ver fazendo a barba e por mais bobo que isso soe, espero muito que você continue usando uma das minhas camisetas como pijama.

Espero não ter feito papel de otário quando você menos precisava, espero ter estado lá quando você me queria e espero que os seus amigos não me odeiem. Espero poder sempre pagar a sua entrada do cinema e aturar festas chatas com você sendo meu porto seguro, espero poder andar abraçando seus ombros quando estiver frio e poder te ver de biquíni quando estiver calor, espero tirar milhares de fotos para montar nossas linha cronológica.

Espero nunca ter que te deixar.

Espero que não se importe com o fato de eu ter violado seu caderno com minhas sentimentalidades, espero escrever frases bobas e declarações no espelho com vapor, espero escrever trechos de músicas e marcá-los em você, espero que não ache estranho o fato de eu ter como bicho de estimação um gato de rua e espero que tolere minha preguiça de levantar da cama cedo.

Espero perder a noção de tempo com você.

Espero que o tempo pare por alguns segundos só para que eu registre em minha memória a sua expressão quando você dorme, espero poder deixar surpresas como essa espalhadas na sua vida e espero que eu seja tão especial pra você como você é pra mim.

Agora eu espero que você acorde e sorria, esfregue um dos olhos e respire fundo porque eu tenho certeza de que o primeiro olhar que você vai encontrar será o meu. Espero que tenhamos muitos cafés da manhã, cafés da tarde, almoços, jantares e lanchinhos da meia noite juntos, espero que você releve o meu senso de humor esquisito e todas as minhas outras esquisitices.

Mas eu espero que você nunca esqueça de mim.

Do mesmo jeito que eu nunca esquecerei de você.

Espero não acabar essa carta com um “Eu te amo” bobo ou qualquer outra sentimentalidade usada e abusada em cartas de amor, espero nunca saber como tudo isso vai terminar ou onde tudo isso irá nos levar pois eu tenho certeza de que ainda estamos apenas começando algo duradouro e muito, muito bonito. Espero que um dia alguém faça um filme sobre nós, espero poder escolher a protagonista, pois mulher nenhuma se compara a você no termo beleza, espero que perdoe a minha falta de cordialidade ou inteligência.

Sou só mais um louco perdido no mundo que vê na menina mais incrível do mundo a mais incrível das meninas.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

No Fantástico Mundo de Bob

Por que meu cabelo não é como o dela?
Por que aquela garota linda está com aquele cara horrível?
Por que aquele cara lindo está com aquela garota horrorosa?
Por que ela e não eu?
Por que ele morreu congelado e ela ficou em cima da porta?
Por que eles preferem loiras?


Por que?
Por que?
Por que?
Por que?
Por que?
Por que?
Por que?
Por que?
Por que?
Por que?



Enfim, são tantas perguntas, que nem sabemos por onde começar a procurar as respostas.

Comédias românticas costumam me frustrar de um jeito inimaginável.
Afinal é o casal lindo, com tudo lindo.
Amigos lindos.
Trabalho Lindo.
Casa linda.
Ai eu paro e penso...por que isso não acontece comigo?
Por que não tenho um trabalho lindo, com salário lindo?
Por que minha casa está sempre desarrumada e nunca consigo pagar minhas contas?
Por que aquele cara lindo nunca olhou pra mim?
POR QUE ISSO NÃO ACONTECE COMIGO???

Acho que sou zicada demais para viver como em uma comédia romântica.
O dia-a-dia costuma ser muito pesado e o 'felizes para sempre' parece nunca chegar, mesmo eu convivendo com várias bruxas e não tendo nenhum sapato de cristal.

É na busca de relacionamentos perfeitos iguais a roteiros de filmes, que muitos se perdem no caminho...



Relacionamentos não tem nem um 1/3 de lado racional, os apelidos 'carinhosos' tais como:
- Chuchu;
- Amorzinho;
Conversar entre si com voz de criança e demonstrações públicas de afeto mostram isso.
E o pior de tudo é que com o tempo simplesmente acaba essa parte bonitinha, quando os casais caem na mesmisse e se esquecem do motivo porque tudo começou.




Casais não são mais criativos como vemos nos filmes ou idealizamos.
É só a busca por aparência!
Agora você pensa: Por que aquela garota linda está com aquele cara horroroso?
- Porque há uma possibilidade gigantesca de ele ter mais a dizer alem de saber de cór o rótulo de um tubo de gel para cabelo.

A outra metade pode ser mais fácil de achar do que imaginamos.
Como aquele cara que é um completo idiota, mas de um jeito bom.
Um exemplo muito simples disso, são aquele cantores que todo mundo admira ou aquele ator lindo de Hollywood.
Se você for pesquisar o passado dele, vai ver que ele tinha inúmeras reclamações na escola, sentava no fundo da sala e tirava notas ruins por ficar lendo quadrinhos ao invés de estudar.
E por que naquela época eles não faziam nenhum sucesso entre as garotas?
Porque pessoas só se importam com o que você é no momento e não pelo o que você pode se tornar.
Como se a mudança boa nunca fosse existir.


E dai se ela é gorda?
Se ele não sabe combinar o cachecol com a jaqueta?
Se o nariz dele é grande ou o cabelo dela não é dourado como na capa da revista?


Pessoas podem ser tanto inspiração quanto decepção.
Basta abrir seus olhos e olhar!!
Olhos abertos estão fechados quando a mente olha pra outro lado!

Eu vivo sim no Fantástico Mundo de Bob.
Onde não passa jornal e tragédia não é manchete na tv.
Onde a cidade é colorida, todo mundo é bonito e tudo acaba em música.




@JessyMcLovin

sábado, 7 de agosto de 2010

Anyone Else But You




Eles costumavam se conhecer quando eram mais jovens.
Andavam juntos quando ninguém estava olhando. E conversavam o dia todo.
Às vezes nem sentiam fome ou sede, como se isso fosse algo banal para o momento.
Quando tinham muitos em volta, apenas acenavam e sorriam um para o outro.
Ele sempre elogiava o cabelo dela cheio de dreads.
Tinham brigas bobas, como o fato dele detestar que ela gostasse de Raul Seixas.
Mas sempre acabavam rindo e roubando doces do bolso dela.
Pra eles todos os dias eram começo de outono e as folhas nunca caiam em cima de suas cabeças. Quando o sol se escondia, eles se abraçavam e deitavam na grama.
Mesmo querendo ficar juntos, algo os proibia no inconsciente.

Agora é engraçado vê-los passando pela rua;
Fingindo que não se conhecem.
Mesmo quando os olhos se encontram.
Ela está muito mais bonita, mudou o cabelo e as roupas, mas continua com os mesmos tênis velhos.
Ele continua com aquela roupa horrorosa que só ele sabe usar e carrega novos vícios. Seu cabelo era bonito, mas agora ele raspa a cabeça.


Como seria se ele não tivesse ido embora.
Ainda seriam amigos?
O cabelo dele ainda seria grande?
Ele ainda teria aquele apelido engraçado?
Continuariam se gostando em segredos? Ou finalmente iriam admitir que nasceram um para o outro?

Dele só restou às músicas que ouviam juntos em uma manhã fria.
Memórias perdidas em um passado bonito.
Ela costumava carregar rabiscos dele. Até perceber que isso não ia trazê-lo de volta.
Agora seus pensamentos são diferentes e ele não tem mais inocência nos olhos.

Com a música certa ela consegue pensar nele o dia todo.
Com a cabeça no lugar sabe que isso não leva a nada.
Queria tê-lo por perto para poder conversar o dia todo,como se o dia nunca fosse acabar.
Ou pelo menos encontrá-lo mais vezes, para ver se o cabelo dele já cresceu....
Se ele mudou muito ou se está feliz.

Mas se contenta em encontrá-lo por acaso nas ruas da cidade, quando o destino decide junta-los pra ver se o sentimento continua o mesmo.

Parar de lembrar é impossível. Fingir que nunca aconteceu mais ainda.


@JessyMcLovin

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Em uma noite fria de Agosto.





Quando eu pararei de chorar,viver, respirar por você?Quando a sua lembrança ficará sem cor, sem cheiro e sem gosto? Quando?

Também me pergunto sobre as músicas. Sabe àquelas músicas que ficávamos ouvindo juntos com nossas cabeças próximas, com nossas peles se tocando? Àquelas músicas farão algum sentido que não seja, exclusivamente, lembrar você?

E as suas lágrimas contidas? O seu desespero? E as minhas lágrimas e o meu desejo de abraçar você. Beijar seus olhos; beijar sua boca, e te sentir. Será que eu conseguirei me esquecer disso?

Esquecer que eu queria você inteiro. Queria você com todos os seus defeitos, todos os seus vícios e todas as suas paixões. Era simples e era tão egoísta.

Não posso esquecer tudo isso, você sempre será você, eu sempre serei eu e isso me leva a crer que o meu amor por você não vai acabar.

Então, seja tudo o que eu sempre quis que você fosse. Ou, se você preferir, seja exatamente o oposto. Faça-me sofrer; Mate-me diariamente; Mostre-me a realidade que eu nunca consegui contornar,mas, por favor, esteja aqui. ESTEJA AQUI.




sejam bonzinhos
Tika Ripper

heartbeat radio

eu não fumo-eu disse.



Se tudo der certo, eu me caso com você e prometo fazer cookies todos os dias.

Se tudo der certo, começo a usar mais vestidos porque você gosta das minhas pernas, não brigo mais com você por seus atrasos, nem quando você fumar demais contanto que você não brigue quando eu beber demais. Você compra um apartamento pequeno pra nós e eu pinto as paredes dele de laranja, dormimos num colchão jogado no chão, respirando meus livros e seus cd’s.

Se tudo der certo, você me buscará no trabalho quando estiver chovendo e vai me dar um beijo terno sem se importar se estou molhada e com a maquiagem borrada. Me servirá vinho quando eu estiver estressada e beberemos cerveja gelada juntos quando estivermos felizes demais porque pagamos todas as contas e sobrou dinheiro. Não brigaremos, mas eu sentirei ciúmes de qualquer uma que vá chegar perto de você. Serei sempre sarcástica e te ensinarei a ser também, verei futebol com você desde que você jogue vídeo-game comigo.

Se tudo der certo, aos domingos iremos ver o mar e almoçar na casa da minha mãe. Ouvirei Beatles enquanto você faz o almoço, você escutará Clash enquanto eu lavo o banheiro. Você não me acompanhará nas compras, mas vai prestar atenção quando eu te mostrar tudo o que comprei e depois soltará um comentário sobre eu estar nadando em dinheiro. Eu comprarei as suas roupas porque você não tem paciência pra isso, então, você comprará meus livros e filmes.




Se tudo der certo, continuarei obcecada por você gostar das mesmas coisas que eu e me compreender tanto assim. Você gostará da minha família e dos meus amigos. Você passará a mão em meus cabelos todos os dias antes de dormirmos e ficará brabo quando eu cortá-los. Enquanto eu faço as unhas você assiste ao jornal imitando a voz do jornalista só pra chamar a minha atenção e me fazer rir.

Se tudo der certo, antes de eu acordar você irá comprar o jornal pra mim e trazer pães quentinhos, e quando eu me sentar à mesa você colocará Elvis porque sabe que Elvis me faz sorrir. Se tudo der certo, eu vou pra Paris contigo e te dou filhos nerds. Você me ensinará a gostar de surpresas. Adorarei suas expressões e você minha mania de mexer nos cabelos. Me sentirei bem quando você acender um cigarro pós transa e dizer que ama a sua garota e me envolver com seus braços. Só me sentirei segura em seus braços, sempre terei medo do escuro e você sempre irá me proteger disso.

Se tudo der certo, você falará de política por mim e eu de livros por você, iremos ter longas discussões sobre qual é o álbum melhor daquela banda que tanto gostamos. Você não gostará do meu café e eu do seu arroz. Eu brigarei com você quando você cantar alto demais enquanto toma banho e você brigará comigo quando eu começar a ver novelas.

Se tudo der certo, você juntará as moedas que caem dos meus jeans quando os tiro e colocará tudo na minha carteira, você tirará minhas sandálias quando eu estiver acabada por tê-las usado e eu dobrarei as roupas que você joga pelo chão.

Se tudo der certo, mudaremos para o centro da cidade e você dará sua opinião sobre tudo o que escrevo. E eu que não entendo nada do teu trabalho te escutarei por horas reclamando dele com atenção e direi que tudo ficará bem. Você gostará do jeito como os palavrões saem da minha boca, não gostaremos de elevadores nem soluços nem vizinhos brigando. Gostarei do seu jeito de rir, da sua cumplicidade, da sua insistência de não levar guarda-chuva, da maneira como você ajeita os óculos em meu rosto e quando me avisa que meu batom está borrado. Você gostará dos meus all star e minhas tatuagens. E eu gostarei do teu cabelo e das suas mãos.

Se tudo der certo, você pedirá para eu usar aquela camiseta que não uso há muito tempo. Você me beijará todas as vezes antes de sairmos, só pra borrar meu batom vermelho e depois soltar que estou linda mesmo. Você irá rir quando eu tentar insinuar alguma coisa pra você e falhar, quando eu sentir vergonha e quando eu disser que o amo depois de reclamar do seu arroz.

Se tudo der certo, você apenas me abraçará em silêncio quando eu começar a chorar, você terá paciência quando eu pausar o jogo porque quero comer. Você será minha melodia e eu a história toda da sua vida.

Se tudo der certo, você gostará do jeito que balanço os pés antes de dormir e eu da sua respiração enquanto dorme. Eu gostarei da sua classe e do nosso jeito blasé. Você gostará do jeito que gesticulo enquanto falo e eu do teu silêncio enquanto vemos o mar.

Se tudo der certo, teremos nossas madrugadas nostálgicas, às sextas-feiras sairemos com nossos amigos e as terças-feiras você inventará algum jantar em casa sem eu saber. E eu te obrigarei a ir ver aquele filme ruim só porque tem um ator bonito. Você não irá me poupar de nada porque sabe que eu sou esperta e agüento tudo, não seremos românticos demais. Vou gostar da tua mãe e falar de futebol com teu pai (porque você sabe que eu entendo do assunto).

Se tudo der certo, nossos filhos cresceram ouvindo nossos cd’s e vendo os nossos filmes. Uso salto só pra você dizer que minhas pernas estão bonitas e você usará aquela sua jaqueta preta porque sabe que eu sempre suspirei vendo você nela. Você me grava cd’s bons porque sabe o que eu gosto de ouvir em certos dias.

Se tudo der certo, você cuidará de mim quando minhas pedras nos rins atacarem. Você será tudo aquele que sonho desde a fase 1 da minha vida. Você não será apenas um porque quando eu precisei de alguém você apareceu com uma cerveja. E quando você precisou de alguém eu te comprei um maço de cigarros.

Se tudo der certo, escrevo a nossa história e ganho algum dinheiro com ela, compro uma vitrola, metade da Avenida Paulista e jogo fora meu all star verde velho.

Então, se você aparecer por aqui e perguntar, eu respondo sim, muitas vezes sim.

p.s. da narradora:

mas se tudo der certo, eu me caso mesmo com você.

belo texto para uma quinta-feira gelada em são paulo.


Stay Beautiful,

@PriiiG

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Geladas



Créditos para a talentosa @kuro_n3ko que mais uma vez deu o ar de sua graça contribuindo com um texto exclusivo para nossa adorada casinha!
xoxo @JessyMcLovin



Música do post: You shook me all night long (AC/DC)


O vidro da garrafa de cerveja estava gelado, gotas de água escorriam por sua superfície esverdeada, um círculo líquido manchava a madeira escura da mesa, mas não que alguém fosse se importar muito com isso. O som das risadas e cantoria desafinada acompanhava a música no rádio, rock antigo, da época em que usar preto e tocar guitarra era sinal de rebeldia.

A fogueira improvisada no quintal dava uma coloração alaranjada a cena, como se fosse uma fotografia velha. Cadeiras de praia, bancos de plástico ou mesmo cobertas e blusas dobradas na grama serviam de assento, e aqueles que cantavam não se importavam com o amanhã.

Não ligavam para o fato de estarem no parque de trailers abandonados, de serem jovens e terem que decidir o próprio futuro num piscar de olhos, pouco pensavam no fato de precisarem comparecer no trabalho sadios e com sorrisos nos rostos.

Eles só queriam continuar lá, cantando, conversando, relembrando os tempos em que tudo era mais fácil e darem muitas risadas, queriam que a cerveja nunca acabasse, que o repertório fosse infinito e as pilhas do rádio durassem pra sempre. “Hey cara, vamos juntar a galera e tomar umas geladas!”, os relógios foram proibidos, dizer a hora seria o mesmo que blasfemar perante algo sagrado e o nascer do sol não significaria que a diversão teria fim.

Amizade se baseia nisso. Nos pequenos prazeres da vida, em festas improvisadas em quintais com fogueiras e materiais altamente inflamáveis perto da mesma, cantorias desenfreadas e despreocupadas em conjunto, piadas a respeito de acontecimentos ruins que já passaram, piadas sobre mim, sobre você, sobre as desgraças da vida. Amizade não são as roupas que você compra, as pessoas que as vestem, os lugares que você freqüenta com as mesmas, os drinques que você ingere, os carros que você dirige.

Amizade é se divertir sem nem precisar gastar dinheiro, é alugar um filme, chamar os amigos e não prestar atenção nele, é marcar de fazer alguma coisa e mudar os planos na última hora, é aparecer sem nem saber que foi convidado e ainda ser bem recepcionado, é correr para pegar o ônibus e dar risada dentro dele, é ir na casa dos amigos tomar alguma coisa na sexta e voltar só no domingo.

É rir e chorar ao mesmo tempo e rir mais um pouco por se dar conta do seu estado, é ter alguém pra te fazer perceber isso, é cantar AC/DC e imitar as dancinhas, é falar alto na sessão de cinema vazia, é fazer amizade com atendentes de redes de fast food, é ir ver um filme ruim e fazer piada durante isso, é ir fazer compras e puxar assunto com os vendedores, é tirar sarro de pessoas longe de você, é falar sobre tudo e todos, desde filosofia até o dia em que você quase morreu por estourar uma porta de vidro com a testa. Amizade não é um produto, é uma parte muito importante da vida da gente e muitos parecem não se dar conta disso.

Colegas nós temos vários, mas amigos você consegue contar em uma única mão.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Um post...

Eu postei esse texto a pouco tempo em outro blog e por algum motivo senti vontades de colocá-lo aqui.
O post chama-se "Você não mora mais aqui". Espero que gostem...





Começo esse post repetindo:Você não mora mais aqui.

Eu nunca pensei que a vida te afastaria de mim desse jeito, mas foi exatamente o que aconteceu.

Eu, na verdade, nem sei o que aconteceu. Fico pensando, pensando e no fim me proponho a esquecer já que não adianta nada remoer uma situação dessas.

Que situação? Deus, o que aconteceu?

Você estava aí e de repente não estava mais.Começou a fazer coisas que são tão atípicas suas, começou a me magoar com suas atitudes e pareceu de propósito. Juro que pareceu ser de propósito. Seus recados tão escassos apenas me comunicando como se não fosse nada demais "Olha estou ferindo você, mas foda-se." seus telefonemas(que telefonemas?) sua presença (que presença?) e aquele espanto meu, aquela decepção. O que sobrou de você? O que fez você fazer tudo aquilo?

Admito que a culpa não é só sua. Não estou dizendo que você é uma má pessoa. Jamais diria isso, pois você é uma ótima pessoa, mas de repente essa maldade toda me envenenou. E é, exatamente, assim que me sinto.Envenenada por você, pela sua lealdade quebrada. Meu espanto tornou-se horror e o horror transformou-se em apatia.

E é por isso que apenas tentamos uma aproximação que não acontece. Parece-me que estamos forçando algo. O nosso sentimento era tão natural e agora nós somos pessoas desconhecidas.Eu penso que talvez deveriamos começar do zero, mas eu preciso de um tempo longe de você e acho que quanto mais o tempo passa mais distante ficamos.

Vejo, então, que estou em uma encruzilhada. Forçar nossa amizade está nos afastando e ficar longe nos afastará do mesmo modo então... Eu não sei o que fazer.

Quem dera eu soubesse o que fazer!






Sejam bonzinhos.





Espero que fiquem bem...

Tika Ripper

quarta-feira, 21 de julho de 2010

De pseudo nem um pouco.

Só quando atacamos de escritores é que vamos descobrindo os talentos para todo tipo de gostos que existem por ai.

Nesse post: Apenas um dos poemas do - Everton Madeira

Hope you guys enjoy it.
xoxo
@JessyMcLovin



Em busca da felicidade (ou algo que a faça menos valiosa)

E há ainda aqueles que dizem
Que é simplória a felicidade
Na tristeza é que eu enchergo algo simples
Ausência da alegria

Paredes brancas é tudo o que vejo
O livro da capa vermelha é meu único amigo
E mesmo com o atípico gosto pessoal
Morgana ainda assim prefere a monocromia
Sou apenas mais um a dizer:
Quem diria!

Metanóia não é algo que todos alcançam
Como para alguns passado é passado
Pra outros, o que reina é a nostalgia

E por falar em coisas efêmeras
Talvez eu cite o eufemismo
Um truque a se usar
Em triunfantes horas de cinismo.

No final o que vale realmente a pena
É ver que os coelhos
Usaram mesmo os dois tiros
E a recompensa a se ganhar
Não é só sangue;
E nem mesmo o vinho.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Amigos queridos

Esse blog foi feito a partir do pensamento de três amigas que cansadas de tantas desilusões resolveram juntar todas as decepções em um espaço só.

Três amigas.

Essas três amigas têm mais muitos amigos e são tão dependentes do dia da amizade como se ele fosse um aniversário que o grupo tem em comum. Digo aniversário porque hoje eu acordei com essa sensação de querer fazer uma festa. Quem me conhece sabe que odeio festas, mas hoje, em especial, queria uma festinha cheia de balões e docinhos e queria juntar todos os meus amigos e abraçar um por um.

Eu sei que é um clichê dizer isso, mas o que seria de mim sem vocês? Será que eu teria me vestido bem para ir naquela festa se não fosse por você, Drica? Em quem eu teria me apoiado quando aquele garoto me desprezou e escolheu outra, Dai? Será que eu ouviria Cachorro Grande e dançaria feito uma louca se não fosse você, Jessy? Será que as coisas mais bobinhas teriam tanto significado para mim se não fosse você, Pri? Eu saberia que é a partir dessas coisinhas que as pessoas são felizes? E você, Madeira? Meu amigo, meu amor... O que seria de mim se eu não houvesse te conhecido?


Vocês são a extensão de quem eu sou, vocês são as minhas pessoas queridas. Nada que eu puder escrever aqui definiria ao certo todo meu amor, carinho e lealdade por todos vocês.

Amigos queridos, eu amo vocês!


Ps: Este texto não chega nem aos pés do último texto desse blog que trata do mesmo assunto( nem poderia ser melhor já que quem escreveu foi uma das 'minhas pessoas queridas') . Eu só sei que é meu dever mostrar a todos dessa 'casinha' a minha gratidão por ter bons amigos na minha vida. É por causa deles que eu acredito em Deus e também acredito em mim mesma.


Sejam bonzinhos.

JJP

a aventura está lá fora



mmmbop, ba duba dop


Porque mudamos. Porque partimos e voltamos. Porque os lugares não são os mesmos, assim como nossa idade no rg. Porque duas horas no trânsito ou dentro do trem mata qualquer vontade de querer ir pra DJ Club. Não temos mais tarde para perder fazendo bolos e preparando festas surpresas, comemorar num bar é mais prático. Não existem mais sextas assistindo cento e dezenove filmes na minha sala, hoje é um cinema durante a semana. Porque não gostamos mais da mesma maneira que gostávamos antes. Todos os apelidos.
Todas as fotos. Garrafas de vodka, tequila e coca-cola. Latas de cerveja acumuladas no canto da casa da praia. Por que não vamos mais à praia?

Todas as pré-estreias que fomos, os filmes que choramos, criticamos e o ator que colecionamos fotos e notícias. Livros, filmes e cd’s compartilhados. Almoços e jantares, ou um lanche rapidinho. Doces e caixas do chiclete que ardia. Inocência. Tardes de sábado dentro da igreja. Cumplicidade. Estantes abarrotadas de mangás, livros, dvd’s e cd’s. Segredos guardados até hoje. E-mails pedindo desculpas, marcando cinemas, praias ou uma mera passadinha aqui em casa. Ataques nerd. Todos ouvindo Hanson e vendo Friends.


Minha antiga casa. O quintal. O morro.


As brincadeiras que nós incrementamos. Brigas, muitas brigas, que eram resolvidas meia hora depois. Imitações. Gargalhadas. Músicas. Churrasco. Danças em volta da piscina. Torta na cara. Guerra de beixiga. Nossas famílias. Beijos. Abraços. Natal. Ano novo. Violão. Banda. Perdas. Lágrimas. Cantoria.

14 anos. 15 anos. 16 anos. 17 anos. 18 anos. Eight night. Todos dormindo pelo chão da sala. Shows. Acordar ouvindo a mesma música do Bon Jovi. Tentar esconder e não conseguir. As histórias sobre nossos dias de escola contadas no café da manhã. Narguilé. Ligações das mamães preocupadas.


Atrasos. Nossos cabelos que não são mais os mesmos. A fase 1 que já se foi há muito tempo. Faculdade, trabalho e msn. Sair às sextas-feiras sabendo que trabalhamos no sábado. O “não” nunca existiu para nós. As manias. As nossas roupas. Onde foi parar aquele nosso all star surrado? Perdidos em São Paulo. Cantar The Strokes alto. Histórias absurdas contadas num ônibus.


Despedidas. Histórias frenéticas. Carteira de habilitação. Novos planos. Endividados. Presentes. Fazer nada juntos. Lembra do tempo que achar uma banda nova era a vida acontecendo? Hoje, nos encontrar é a vida acontecendo.

Onde a gente se perdeu? Por que o tempo nos afasta às vezes?

Não podia ser como na época que não fazíamos nada e eu morava mais perto e víamos todo mundo todos os dias? Era tão mais fácil, todo mundo reunido na pequena sala dos Cestaris falando ao mesmo tempo, rindo, enquanto uns pensavam sobre uma futura praia, outros num Hopi Hari, uns ficavam no computador vendo vídeos, outros tirando sarro e outros reclamando do calor.

Podíamos ser o grupo de amigos que nunca se afastariam por causa de novas prioridades. Mas é ai que está a graça, porque sempre voltamos uns para os outros quando é preciso.
Ninguém fala “eu te amo”, mas todo mundo sabe que nos amamos e que nunca na vida nos sentiremos tão bem como nos sentimos quando estamos todos juntos morrendo de sono jogados no sofá.
Porque somos necessários, porque só nós entendemos nossas piadas, nossos dilemas e histórias. E porque eu deveria saber terminar esse texto, mas ao invés disso, vou ali dar um abraço nas minhas amigas e dar risadas.



Stay Beautiful,PriiiG

p.s. da narradora:
Feliz dia do amigo (a) para todos esses indivíduos que fazem meus dias serem sempre melhores.
E impossível não pensar em “I'll be there for you when the rain starts to fall. I'll be there for you like I've been there before. I'll be there for you 'cause you're there for me too”



ouvindo: the strokes_

sexta-feira, 16 de julho de 2010

the last time i saw you


primeiro dia de aula.


Eu gosto de escrever sobre você, sinto que sempre tenho tanto o que falar sobre nós dois, nós que estamos fora da nação sem senso algum. Nós que não somos bonitos, nem gostosos, nem populares, mas com conteúdo... Não que sejamos mais inteligentes (qualé, olha nosso histórico escolar, nossas notas em matemática), mas as pessoas nos taxaram assim, porque não víamos razão para nos enturmamos nas rodinhas de shopping-bundas-sexo.
Então, apesar de tudo, eu ainda escrevo sobre você, eu sei que já escrevi que eu não gostava de você e nem você de mim, mas você sabe que isso é uma das maiores mentiras minha e eu não minto bem. Então, sim, eu ainda lembro de você e sinto falta de você quando quero falar sobre política.

Eu disse aqui que Julho seria um mês bom para todos nós, e acredito que esteja sendo... Claro, que na primeira semana eu já tive uma grande decepção, mas isso é história pra outro dia, não é algo digno para se contar nessa noite fria de julho.
Estava eu com a minha caneca do Superman cheia de chá quente, ouvindo Cat Power e precisando escrever alguma coisa que não fosse sobre o garoto do interior. Lembrei então de você e do nosso período longe um do outro nas férias de julho.

Foi estranho não te ver todos os dias, não ir à biblioteca e trazer uma pilha de livros pra você ficar dando sua opinião, não sentar ao seu lado... Mas é puro exagero, pois nos falávamos quase todos os dias pelo msn.
E ai as férias acabaram, agosto entrou abruptamente e eu ainda me lembro do primeiro dia de volta às aulas. A primeira aula era de geografia e estávamos no laboratório fazendo alguma coisa e eu tinha chegado atrasada, descabelada e com meu all star branco surrado. E você estava lá sentado com sua blusa verde e jeans surrado e eu não sentei ao seu lado, sentei lá no fundo com as minhas amigas.
A aula de geografia como sempre, se arrastou... E eu queria logo nosso canto no fundo da sala. O sinal tocou, eu muito atrapalhada juntei minhas coisas e joguei dentro da mochila e quando me virei você estava lá, daquele jeito desengonçado que só você sabe ser.
Soltei meu “e aí” clássico e você me abraçou, dizendo “saudade de você, broto”.
Você me abraçou de uma maneira que nunca tinha me abraçado, na verdade, nós nunca nos tocávamos. E eu que não sei abraçar pessoas gostei de estar abraçando você, porque era você, o meu amigo acima de tudo, o que gostava dos meus cabelos descabelados e das minhas camisetas de banda rasgadas.

Dia 23 vai fazer dois meses que eu te vi, naquele domingo frio, parado ali do outro lado da rua esperando o sinaleiro fechar. E eu estava descabelada e usando aquela bolsa que você adorava, e você me viu no meio dos carros. E você me olhou nos olhos, e seu olhar teve o mesmo efeito que sempre causou em mim, é como se ele entrasse na minha cabeça, visse tudo o que tinha pra ser visto e saísse, deixando apenas uma risadinha e uma bagunça. E eu sei que causei o mesmo em você, porque você desviou o olhar. E eu continuei olhando.
O sinaleiro abriu, os carros pararam e lá no fundo eu ouvia Cachorro Grande e você vinha andando em minha direção e eu sabia que poderia dizer “e ai” e você se lembraria de tudo, mas não o fiz. Vi o Marlboro acesso na sua mão esquerda e continuei a andar apenas mantendo o olhar em você e sentindo seu olhar em cima de mim. Mas quando nos passamos, eu não virei a cabeça. Suspeito que você também não. E aí eu sorri. Porque lembrei de tudo e foi fácil.
Lembrei das nossas conversas sussurradas atrás das estantes de livros na biblioteca, você me mostrando bandas novas, minhas baquetas que você roubava para fazer malabarismo, nossos depoimentos, nossas capas de caderno rabiscadas uma pelo outro e do seu silêncio, é, sinto falta do teu silêncio.
E sabe o que é melhor? É que eu não fiquei deprimida por lembrar de tudo, das nossas semanas juntos, nossas conversas infinitas sobre o nada, porque a sua lembrança agora é uma coisa boa, sua ausência não dói mais.
Viu como eu estou diferente por fora? Cortei meus cabelos, mas continuo descabelada e usando meus all star surrados, agora carrego uma tatuagem nas costas e vou fazer a do V de Vingança no ombro semana que vem e lembra que você sempre dizia para eu fazer o V em algum lugar do meu corpo?

Eu sou a mesma garota que você conheceu, a diferença é que agora eu atravesso a rua ao mesmo tempo que você mas eu não olho mais para trás para ver a sua reação e nem desvio o olhar.
E nem fico lendo e relendo nossos e-mails mais, agora eles ficam jogados lá minha caixa de e-mails esperando coragem o suficiente minha para apagá-los. Comecei a viver minha vida de novo há muito tempo. Você também não esqueceu. Mas como eu, continua vivendo sua vida.

E essa lembrança do nosso primeiro dia de volta às aulas, é e sempre será uma lembrança doce sua... Agora, nós dois já suportamos o espaço entre nós, certo? É a nossa última lembrança que tenho e espero que esse seja a ultima coisa que escreva sobre nós.

Vou lembrar sempre de você, quando eu cometer loucuras e filosofias, você vai estar lá, em algum lugar da minha mente. Você, seus cigarros Marlboro, seus impropérios, seus jeans surrados e suas manias desengonçadas.
Porque é exatamente essa a diferença entre você e o garoto do interior; ele é só um cara. Você não.
Te vejo por aí, broto.



p.s. da narradora:
ingredientes para inspiração numa quinta gelada: chá quente dentro da xícara do superman, se não tiver chá sirva vinho, mas aquele vinho que borbulha na garganta e te faz esquecer o que quiser.



Let’s get drunk now,
PriiiG

ouvindo: cat power_